Zeca Baleiro: “O cenário artístico brasileiro é tomado de muita injustiça”

“Acabe com o apetite, e a geração atual não
Viveria um mês, e nenhuma geração futura existiria” Ezra Pound

No interior do Maranhão, em Arari, Zeca Baleiro ouvia discos de Martinho da Vila, Luiz Gonzaga e Mercedes Sosa. Antes mesmo de ser conhecido ele já tinha um ídolo: Fagner. O encontro dos músicos aconteceu quando o cearense foi levado pelo poeta Sergio Natureza a um show de Baleiro. “O que mais me instigou foi o fato de sermos de gerações diferentes”, afirma Baleiro. Juntos, os dois compuseram quase 20 canções, gravaram disco e DVD. “Até o conceito de geração está confuso. No passado, isso era uma afirmação de identidade estética e ideológica. Hoje, a ideologia é o mercado e a ideia de sucesso se antepôs a tudo”, lamenta Baleiro.

Zeca Baleiro (Cantores brasileiros)

Telegrama Música

A Prosa:

José de Ribamar é um santo. Zeca Baleiro, o artista, portanto, um diabo. Descendente de árabes, provido no Maranhão, nordeste brasileiro, veio ao mundo para homenagear a crença de sua mãe, o que realizou em partes. Destreza de um rápido gatilho já o acompanhava garoto, assim como a malícia com que embalaria suas cantigas de roda, mas o apelido veio não por estilingue de arma, e sim mania de chupar doces durante a aula, o que lhe garantiu a primeira idéia artístico-literária: fundar loja de quitutes. Explico, o batismo do estabelecimento veio em virtude de sua intuição de menino-músico, “Fazdocinhá”, tradicional re-canto dos habitantes locais.