70 anos de Zé Ramalho em 7 curiosidades

“Raio fresco jamais luziu nessas cavernas;
Os miasmas febris, entrando pelos muros,
Filtram a se inflamar assim como lanternas
E o corpo vos penetram de cheiros impuros” Baudelaire

Todas as vezes em que vi Zé Ramalho ele estava em cima de um palco, comprovando a definição, que se tornou surrada, daqueles que chamavam a sua voz de cavernosa. De fato, o som oriundo da garganta do homem nascido em Brejo do Cruz, no interior da Paraíba, se articulava de longe e, ao mesmo tempo, de um lugar escuro e úmido. Apesar de nunca ter trocado uma palavra com Zé Ramalho, me tornei parceiro dele em 2013, quando coloquei letra na canção “Paraibeiro”. Na próxima quinta (3), o autor de “Vila do Sossego”, “Chão de Giz”, “Mistérios da Meia-Noite” e outros clássicos, completa 70 anos. Embora esteja em turnê pelo país, ele se nega a dar entrevistas e adota um comportamento cada vez mais recluso, como se, dentro de si, estivesse mais próximo do outro.

Show: Zé Ramalho & Banda Z

“Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!” Augusto dos Anjos

Zé Ramalho Chão de Giz

Detrás das neblinas, perde-se de vista o horizonte, um carneiro é sacrificado em nome do Pai, um velho conduz o rebanho com o cajado, feito de madeira, arame, esculpido por mãos comidas por rugas e outros animais que vêm a ter sabedoria pelas profecias dele: o homem.

O homem é desde os primórdios o mais inteligente de todos os animais, e de longe o menos sabido. A intuição conservada nos seres puros perdeu-se com a progressão dos anos, meses, milênios, pouco restou do que havia de lúdico, frutífero, ingênuo.