20 músicas e discos históricos de Natal

“Eu não tenho aonde ir, tudo me ignora,
ignoro tudo, pois sou natureza.
Um beija-flor enfia numa flor natalina
o seu bico comprido e come e bebe e voa,
não pousa no meu ombro,
não bebe do meu olho a água de sal.
Por agora, o que me faz prosseguir
é sua indiferença. Esta ausência de milagre.” Adélia Prado

Elvis Presley disco de Natal

Os mais conceituados letristas e melodistas brasileiros pegaram papel e instrumento para criar canções natalinas. Embora a temática se repita, a abordagem revela uma diversidade incrível de impressões sobre a festa, passando pela exaltação, alegria, reflexão, tristeza e melancolia. O humor também marca presença, assim como o samba, a marcha, o pop e a valsa. Embora não tenha uma tradição firmada de lançar discos inteiros dedicados ao Natal, alguns cantores brasileiros se arriscaram nessa empreitada, com resultados que já ficaram para a história. Tanto é verdade que continuam surgindo novidades. Por outro lado, é difícil encontrar um grande intérprete norte-americano que não tenha se dedicado a celebrar o Natal através de canções ou álbuns. E isso independe da época e até mesmo de gênero ou estilo. Que o digam Frank Sinatra e Lady Gaga.

5 músicas brasileiras para o Natal

“Não aprofundes o teu tédio./Não te entregues à mágoa vã./
O próprio tempo é o bom remédio:/bebe a delícia da manhã.
No verde, à beira das estradas,/maliciosas em tentação,
riem amoras orvalhadas./Colhe-as: basta estender a mão.(…)
A arte é uma fada que transmuta/e transfigura o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta./Cada sentido é um dom divino.” Manuel Bandeira

Desenho de Portinari sobre o Natal

O Natal se aventura à meia-noite com o som que vem do choro do Menino Jesus. O som de passos que caminham em direção ao Salvador trazendo-lhe oferendas. Os Três Reis Magos presenteiam como graça, agradecimento. É o sinal de devoção àquele que eles acreditam trazer em si a soma da união, dos bons valores, do amor à vida que se espalha em cada grão de areia, ou gota d’água. É o som surdo duma alegria que se vê no rosto de Maria e se faz na contemplação de José. É o som dos animais que permeiam a casa escolhida para nascer o Menino, na simples manjedoura que lhe abriga tal qual sua sabedoria perene. Muito antes do som, há o barulho. Muito antes de castelos, palácios, riquezas, há manjedouras. Por isso muito antes da neve, dos sinos, das luzes e da barba branca que acolhe o corpo vermelho de um senhor bondoso e carinhoso para com as crianças há a criação da fé ao homem, ao próximo, ao suplício eterno pela caridade pura e desprovida de interesses. Pelo viver em ver o outro viver bem. E alegrar-se pelo outro como a si. Então haverá o som de harpas tocadas pelos anjos, tamborins tocados pelos sambistas e tambores tocados pelos reis magos do axé. Pois lá no início houve o deslumbramento provocado pelo choro do Menino Jesus e o sorriso cândido dos que permaneceram acortinados nele. A isso, comemora-se o Natal.