rosa azul

“Detesto coisas dignas, impecáveis, engomadas, lavadas com anil: aceito nos outros, levando em conta, inclusive, o tempo em que foram feitas. Mas não é mais tempo de solidez: a literatura tem que ser de transição, como o tempo que nos cerca.” Caio Fernando Abreu

MARC-CHAGALL-O-VIOLONISTA AZUL

Uma rosa num copo d’água. Mesmo que não haja motivo, sombreei cravos presos, botões de rosa já sem vida. Abraça-me na minha carência. Estou me tornando cada noite mais cobra-coral. A gente está incrivelmente sozinho nosso mundo. Tenho os olhos hirtos, pedregulhos massageiam-me a barriga deslizante entre musgos e muros. Na hora do despedaçar da rosa, quando não flui o perfume. Amor já não adianta nada. Ou tudo.