Show: Geraldo Azevedo (Salve São Francisco)

“A tragédia é o estado natural do homem.” Lúcio Cardoso

Show de Geraldo Azevedo

Geraldo Azevedo tenta debater-se contra as águas lamacentas, poluídas, sujas, dum outrora paradisíaco e transbordante em peixes, rio São Francisco. A luta não é vã, lega-nos clássicos, daqui um tempo estimados com a devida consequência, afora os que já o são, peças de Luiz Gonzaga, principalmente.

Por hora, o povo impacienta-se, irritado, irascível, pede os mesmos momentos, velhos costumes, manias. Não é culpa de Geraldo Azevedo que se acostume o público a tão belas canções que estes só queiram ouvi-las. A conta cabe à plateia, pouco atrevida, preguiçosa, recusa-se a apreciar o inédito.

Entrevista: Geraldo Azevedo

“Do êxodo dos pássaros, do mais triste dos cães,
De uns rios pequenos morrendo sobre um leito exausto.
Livrar-me de mim mesma. E que para mim construam
Aquelas delicadezas, umas rendas, uma casa de seda
Para meus olhos duros.” Hilda Hilst

Bicho de Sete Cabeças II

“O ser humano é maluco, cria coisas contra ele”, diz o compositor Geraldo Azevedo, autor do infindável sucesso “Bicho de Sete Cabeças II” (ao lado de Zé Ramalho e Renato Rocha), recentemente revisitado por Ney Matogrosso no espetáculo “Beijo Bandido”, assistido de perto pelo entrevistado na estreia carioca. “O Ney é impressionante, valorizou ainda mais o que já era maravilhoso, aquela performance é o gol!”, entusiasma-se.

O que não anima Geraldo é o rumo das águas no mundo, antes acostumadas a peixes, limpeza e ar puro. “As pessoas não acreditam que o planeta pode mudar, as iniciativas de revitalização são todas muito tímidas, enquanto o desmatamento, a poluição, e os maus tratos são contínuos”, desabafa.