5 marchinhas compostas por mulheres

“Ó Abre alas/ Que eu quero passar
Eu sou da Lira/ Não posso negar
Rosa de Ouro/ É quem vai ganhar” Chiquinha Gonzaga

As compositoras, cantoras e instrumentistas têm mostrado a cara e mudado o panorama do Carnaval na cidade de Belo Horizonte, cujo aumento da visibilidade para canções compostas por mulheres é latente. Um exemplo prático é a presença de 15 autoras inscritas no Concurso de Marchinhas Mestre Jonas 2018. Apesar do recorde, o número ainda é inferior em relação ao de homens.

Mas é uma mulher a autora da primeira música carnavalesca de sucesso da nossa história: Chiquinha Gonzaga. Composta em 1899, a marcha-rancho “Ó Abre Alas” estourou no Carnaval de 1901 e é definida pelo Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira como “pioneirismo da produção carnavalesca, antecipando-se em 20 anos à fixação do gênero”. A publicação ainda afirma que a música seguiu como a preferida dos foliões por nove anos seguidos, até as festividades de 1910.

Entrevista: Jhê Delacroix, entre a irreverência e a preocupação histórica

“Tomo para mim uma tarefa inteira:
A de guardar um tempo, o todo que recebe
E livrá-lo depois de um jugo permanente.
Outros te guardarão. Não eu que só pretendo
Libertar na alegria o coração e a mente.” Hilda Hilst

Obra da artista plástica Jhê Delacroix

Ela imitava Sandy e Simony e ouvia Daniela Mercury, não necessariamente ao mesmo tempo. Entre as faxinas da mãe “escutava uma gama imensa de música de um determinado estilo”, sucesso na época, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano. “Não nasci Clarice Lispector por pouco”, confessa ela que, ao ser questionada sobre o nome artístico, responde como a autora de “A Maçã no Escuro”. “É segredo, só as crianças sabem”, ri-se. Assim Jhê Delacroix, natural de Niterói, no interior do Rio de Janeiro, e residente em Belo Horizonte há quatro anos mantém o mistério e não entrega pistas de parentesco com o pintor francês famoso por telas políticas, de que é o maior exemplo “A Liberdade Guiando o Povo”. Mas deixa claro que com seus 28 anos e alma lavada sem ter onde secar – para parafrasear Cazuza – navega entre a irreverência e a preocupação histórica. De volta à meninice Jhê recorda seus primeiros tempos. “Sempre amei escutar música e como também tinha essa aptidão imitava os artistas pros meninos mais velhos pra poder enturmar”.