Adoniran Barbosa: cronista da fala

“Fosse qual fosse o assunto as escrevia para ela, nelas ria e chorava para ela, e em cada palavra se ia a minha vida. No lugar da fórmula de folhetim tradicional que as crônicas tiveram desde sempre, as escrevi como cartas de amor que cada um podia tornar suas.” Gabriel García Márquez

Adoniran Barbosa - Sem data - Foto: UH/Folha Imagem                                               *** Publicada na Isto é 2103 ***

Adoniran Barbosa, poeta do chapéu, do terno, do cachecol e da gravata borboleta.
Afinal, vivia na cidade da garoa e precisava se proteger da chuva e do vento.
Mas a cidade da garoa era para ele muito mais do que chuva e vento, eram as pessoas humildes que viam seus trens, seus sonhos, seus amores irem embora.
Adoniran Barbosa era um cronista irreverente, que cantava uma cidade que estava indo embora e aos poucos deixaria de existir para dar lugar ao progresso.
Mas o que jamais iria embora seria sua música, sua maloca, seu trem das onze que ele eternizou em versos.

“Não posso ficar
Nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora ás onze horas
Só amanhã de manhã”