5 Músicas Cantadas Por Grande Otelo

“Queiram-me assim.
Tenho sorrido apenas.
E o mais certo é sorrir” Hilda Hilst

Grande-Otelo

Nas palavras de Herivelto Martins, Grande Otelo tinha “mania de compositor”. O pequeno Sebastião Prata que nasceu em Uberlândia transformou-se num dos maiores atores cômicos do Brasil, e morreu como o inconfundível Grande Otelo no aeroporto de Paris, quando se preparava para receber uma homenagem. Imortalizado na alma brasileira de Mário de Andrade, ao interpretar Macunaíma no cinema e receber o prêmio de melhor ator, Otelo também se destacou como cantor e compositor de grandes sambas.

Praça Onze (samba de carnaval, 1942) – Herivelto Martins e Grande Otelo
Em 1941, quando ficou sabendo da intenção da prefeitura de demolir a Praça Onze, abrigo dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, Otelo indignou-se e escreveu versos românticos e tristonhos sobre o fato. Então levou a letra para músicos como Wilson Batista, Max Bulhões e Herivelto Martins, a fim de que a musicassem. Nenhum deles se interessou muito, mas o azar de Herivelto era que esse o via todo dia, pois os dois trocavam-se juntos no Cassino da Urca. Herivelto dizia que não cabia samba naquela letra, pois o que Otelo tinha escrito era um romance, com versos do quilate de “Oh Praça Onze, tu vais desaparecer”. Eis que devido à insistência diária do noviço compositor, Herivelto irritou-se e começou a cantar de improviso versos sambados, dizendo para o humorista: “O que você quer dizer é isso: vão acabar com a Praça Onze, não vai haver mais escola de samba, não vai…”, Otelo empolgou-se e começou a escrever ali mesmo os outros versos da canção, enquanto Herivelto tocava a melodia no violão. Quando ficou pronta, a música foi gravada pelo Trio de Ouro com a companhia de Castro Barbosa, e trouxe na execução uma novidade inventada por Herivelto e que fez grande sucesso entre os foliões, o uso do apito para dar ritmo. Todos que sentiam a perda da Praça cantaram e dançaram na avenida a música que dividiu o prêmio de melhor samba do ano de 1942 ao lado da clássica “Ai que saudades da Amélia”, de Ataulfo Alves e Mário Lago. Grande Otelo ria como fazia rir, apesar da tristeza pela perda da praça, ele conseguiu o que queria.

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As Músicas Na Voz De Jamelão

“nenhuma nuvem, mas o corpo de cristal
a tangente formada na concha da mão
como vento vivo em alamedas de faias
como vigoroso ar entre ciprestes” Ezra Pound

Jamelao

Dormia o fruto na planta, quando um ruído doce o despertou. Veio assim, de repente, sem saber de onde vinha, pra que vinha, com a perfeição que a natureza confere aos pré-destinados. José Bispo só saíra de casa com seu pandeiro na intenção de paquerar as meninas, e divertir-se ao som do ritmo. Não imaginava que o coração guardava a verde e rosa coloração da Mangueira, nem que tua pele negra marotamente lhe daria uma assinatura.

Única e inimitável, como estilo, não como nomes que se repetem. Despertou o fruto, a assinatura, a cor, o ritmo, a voz vigorosa, extrema, suspensa e pesada, puro aço cintilante e admirável. Jamelão cantou o samba de sua escola, e a dor de cotovelo do professor do samba-canção, Lupicínio Rodrigues. Excursionou com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo, desfilou em parques europeus o brasileiro autêntico que sempre foi, e é ainda, pois é possível ouvir em discos a deflagração do objeto que amanheceu vida.

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Noel Rosa: sambista de todos os desejos

“Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia” Noel Rosa

Noel-Rosa

O poeta da vila, como ficou conhecido por ter nascido, vivido e consagrado o bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, e faleceu no dia 4 de maio de 1937, vítima de uma tuberculose. Noel Rosa foi um poeta jovem, que nos deixou aos 26 anos.
Um poeta jovem que nos presenteou com todos os tipos de cantos.
O canto alegre, o canto triste, o canto que enfeitiçou a Vila. O canto do samba rindo que canta a dama da Lapa e toda a dor que existe. Todo o amor que existe.

“Provei
Do amor todo amargor que ele tem
Então jurei
Nunca mais amar ninguém
Porém, eu agora encontrei alguém
Que me compreende
E que me quer bem”

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Sucessos da divina Elizeth Cardoso

“A voz divina ainda se dissolvia quando cada palavra voltou a cair, em chuva de flores.” Mallarmé

Elizeth-Cardoso

Elizeth Cardoso, Divina Rainha da música brasileira. Rainha negra, Mulata Maior que desde cedo cantava os sucessos de Vicente Celestino, e aos cinco anos subiu pela primeira vez ao palco. Rainha que sentava “Naquela Mesa”, no meio do povo que chorava a morte de Jacob do Bandolim, o amigo que a levou para fazer um teste na Rádio Guanabara. E ali começa sua trajetória a se tornar estrela enluarada. Logo, a menina nascida na Estação de São Francisco Xavier no dia 16 de julho de 1920, estaria entoando canções que seriam sucesso em todas as casas, todos os lares, todos os barracões de zinco do país. Elizeth Cardoso seria em breve, a própria canção de amor que cantou.

“Nas cinzas do meu sonho
Um hino então componho
Sofrendo a desilusão
Que me invade
Canção de amor, saudade!”

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Haroldo Lobo & as marchinhas sobre Getúlio Vargas

“o carnaval passa
guardada na mala
a tua meia máscara” Paulo Leminski

Haroldo-Lobo

Haroldo Lobo, considerado um dos maiores compositores carnavalescos de todos os tempos, nasceu no Rio de Janeiro no dia 22 de julho de 1910 e morreu no dia 20 de julho de 1965 na mesma cidade. O autor de marchinhas inesquecíveis como “Alá-lá-ô”, com Antônio Nássara, “Retrato do velho”, com Marino Pinto, “Eu quero é rosetar”, com Milton de Oliveira, e “Tristeza”, com Niltinho, sucesso imortalizado na voz de Jair Rodrigues, completaria seu centenário de vida em 2010.

Haroldo Lobo venceu diversos concursos de carnaval e teve suas músicas gravadas por nomes como Aracy de Almeida, Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Jorge Veiga, Carlos Galhardo, Linda Batista, Carmen Miranda, dentre outros. O folião que transformava a vida em melodia é sempre lembrado nas rodas de bar que discutem sobre aquele que escreveu a marchinha que fala do deserto do Saara, ou aquela outra que falava sobre Getúlio Vargas. Por seu caráter popular e divertido, Haroldo Lobo terá sempre seu nome festejado como um dos imortais do carnaval brasileiro.

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