Rainha do Xaxado: Marinês E Sua Gente

“Mas são capazes de plantar banana,
Se a noite é das que chove canivete.
Porém se há sol ninguém se afana,
A turma não se mexe nem se mete,
Pois se poupa e prepara-se com gana
Que a Lua um Baile Jericó promete.” T. S. Eliot

marines

Quem disse que acabou-se a monarquia no Brasil é porque nunca ouviu Marinês, autêntica rainha do ritmo e das tradições nordestinas. Nascida em meio à Asa Branca e o pandeiro de ícones do forró, do xaxado e do baião como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, Marinês deu seus primeiros passos na terra seca e amarelada do sertão pernambucano, mas foi em Campina Grande, no interior da Paraíba, que conheceu seu marido Abdias e formou com ele o “Casal da Alegria”. Logo, os dois se juntaram ao zabumbeiro Cacau, completando o conjunto que começaria excursionando pela região nordeste e em breve ganharia todo o Brasil, toda sua gente. Trazendo a sanfona, a zabumba, o agogô e o triângulo na sacola, Marinês tornou-se a primeira mulher a liderar com coroa de cangaceiro na cabeça um grupo de forró.

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As Cordas Mágicas De Garoto

“Brilhantes deuses etéreos
Tocam-vos levemente,
Qual os dedos do artista
nas cordas santas
Sem destino, como a criança” Hölderlin

Anibal-Augusto-Sardinha-o-Garoto-e-o-Dia-do-Choro-Paulista

Prodígio já nasceu chorando. Não queria aquele nome. A mãe o chamou Aníbal. Os amigos o batizaram Moleque do Banjo. Seria sempre Garoto, aonde quer que fosse, arrastava suas cordas mágicas. Diziam serem encantadas, aquelas mãos. Saiu de São Paulo foi para o Rio de Janeiro. Depois, Estados Unidos. Voltou à cidade que o acolheu, descansou o coração, nos preparativos de mais uma viagem. Levou consigo as cordas. Deixou delas, uma pequena amostra, suficiente para alentar lembranças e saudades recolhidas.

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Zé Kéti: A Voz Do Morro

“o sábio
deliciava-se na água
o homem humano tem amizade com os morros
enquanto a relva cresce nas represas” Ezra Pound

Ze-Keti

Subindo as ruas íngremes de Bento Ribeiro, José Flores de Jesus lembra-se da sua adolescência, quando morava no subúrbio de Piedade, e de sua infância, que passara em Inhaúma, redutos conhecidos da malandragem do Rio de Janeiro. Ao passar pelas ruas do atual bairro, José Flores enxerga velas acesas, máscaras negras e pede licença para cantar o seu amor. Quando ele finalmente chega à roda de samba para a qual caminha, nem precisa se apresentar, todos já sabem que aquele sujeito de chapéu de aba pequena na cabeça, caixinha de fósforos na mão e andar sambado é o Zé Quietinho filho da dona Leonor, ou o Zé Kéti da Portela que hoje todos conhecem: a voz do morro, da opinião, da prece de esperança e do poema de botequim.

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Ressentimento

“Seguiu-se um silêncio que circulou pelo quarto como um pássaro encurralado.” Truman Capote

auto-retrato com colar de espinhos

Ondas de ressentimento o encontravam pronto ao choque. Nutria-se lentamente. Como o beija-flor que vinha a beijar a água colocada para ele nos reservadores da casa. Rapidamente encostava o bico, pegava o suprimento, arfava vôo.

Depois tornava, o reservatório à espreita, esperando. Para lhe dar sempre mais um gole do liquido que mantém o plano no ar. Galhofa. Arrepia-se. Sucede às asas. Era acusado dum humor permanente. Com a cabeça encostada em anzóis invisíveis, avistavam-no encurvado, soçobrando fundos, atrás de peixes, com minhocas nos lábios.

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Entrevista: Marcos Paiva & a Era de Ouro da Música Instrumental

“Contar a alegria das duas irmãs ao se reconhecerem e jogarem uma nos braços da outra exigiria o acompanhamento de um muito afinado instrumento musical, encordoado com as próprias fibras de corações amorosos: com certeza, após tantas aventuras, mereciam a felicidade, que é muda.” Mallarmé

Marcos-Paiva

Quem tem parceiros como Bibi Ferreira, Cauby Peixoto e Maria Alcina não pode reclamar da sorte. E muito menos de tocar o repertório de Pixinguinha, Edison Machado e Lupicínio Rodrigues. E Marcos não o faz, pelo contrário, acrescenta números autorais e transita com a mesma eficiência pela música instrumental e cantada. Os elogios de público e crítica não são por acaso. Nascido em Viçosa, interior de Minas Gerais, pretende, para 2014, andar cada vez mais com pernas próprias, sem dispensar as companhias ilustres. “Abri minha empresa recentemente, a ‘MP6 Arte e Sons’, para poder encampar as várias ideias que tenho. Estamos trabalhando para lançar neste segundo semestre o disco ‘Choroso Vol.1’ e mais dois livros de música: o ‘Songbook Choroso Vol.1’ e o livro ‘O Contrabaixo na Roda de Choro’ com 40 chorinhos adaptados para meu instrumento. Está tudo caminhando bem. Vamos ver”, diz.

Com três álbuns na carreira, o primeiro lançado em 2007, “Regra de Três”, ao lado de Bob Wyatt e Lupa Santiago, de repertório instrumental, o segundo no mesmo ano, “São Mateus”, e o terceiro em 2011, “Meu Samba No Prato”, em que homenageia o baterista Edison Machado, Marcos avisa ao público mineiro a possibilidade de conferir os números de perto. “Quanto a Belo Horizonte, estarei aí no ‘Savassi Festival’ no dia 24 de agosto. Bruno Golgher nos convidou, e é sempre um prazer participar dessa festa musical”, elogia e logo destrincha parte da nova agenda. “Estaremos no ‘Painel Musical’ de Tatuí, interior de São Paulo, no dia 25 de julho. E lançarei um projeto em duo com o acordeonista Cleber Silveira. Tem coisas pré-agendadas, mas que infelizmente não posso adiantar agora”, confessa. E como pra música boa esmola pouca é bobagem Marcos também presta tributo aos 40 anos da falta de Pixinguinha.

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