O Compositor Preferido De Carmen Miranda

“E a rota que deviam seguir estava escrita nos ritmos,” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

Synval-Silva

Carmen Miranda seguiu seu cortejo final ao som de música. A música escrita por Synval Silva, o motorista que conferiu sucessos inestimáveis para os quais a Pequena Notável foi eternamente grata. Muito mais do que os contos de réis que ela pagava para Synval, sua real recompensa foi o nome gravado com pérolas na música brasileira. “Adeus, adeus, meu pandeiro de samba, tamborim de bamba, já é de madrugada…” é o tom da despedida que saúda o compositor mineiro entronizado carioca, com anel de samba, cidadão legítimo do ritmo dessa gente bamba.

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O Samba Elegante De Walter Alfaiate

“Nenhum gato vira-latas tem tal linha de omoplatas
E o talhe das calças fino.” T. S. Eliot

Walter-Alfaiate

Do bigode cortiço, o sorriso largo, entre janelas. Do chapéu ajeitado, a cuca rara, imagina sambas e festas. Da profissão de batismo, o nome artístico, para toda a vida: Walter Alfaiate. Porque há certas coisas impossíveis de serem ensinadas, requentadas, postas na panela, apenas se nasce, com elas. Assim foi com este menino, conhecido do grande público quando já um homem maduro, respeitado e respeitador, especialmente com o ritmo que tudo lhe deu.

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Dolores Duran: O amor renasce a cada manhã

“É de manhã, vem o sol
Mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre que me traz esta canção” Dolores Duran

Dolores-Duran

Dolores Duran, a cantora da noite do seu bem que viajou na “Aza do Vento” em busca da “Estrada do Sol”.
Dos 10 aos 29 anos cantou todas as línguas do amor.
O amor magoado.
O amor triste.
O amor que nunca desiste.
Todas as línguas da dor.
A dor do filho que não nasceu.
Do final feliz que não aconteceu.
Do amor eterno, que morreu.

“Eu não te amo por que quero
Se eu pudesse esqueceria
Vivo, e vivo só por que te espero
Esta amargura, esta agonia”

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A Graça & A Música De Ivon Curi

“Se tem uma coisa que detesto nesse mundo são as festas obrigatórias em que as pessoas choram porque estão alegres” Gabriel García Márquez

Ivon-Curi

Lá vem o mineiro distinto de Caxambu, rodando uma bengala da tradição francesa, com o sotaque apaziguado de bobo da corte. Engana-se quem julga a primeira aparência e não confere a peruca, o sujeito dito é um lorde, mímico das canções que não dispensa a fala e os gestos para acrescentar riquezas ao que canta e salienta.

Ivon Curi, assim meio discreto, meia cachaça, meio pão de queijo, firmou-se como um dos grandes nomes da era de ouro do rádio por saber explorar o que tinha de melhor, e mais, encontrar praticamente um nicho virgem à sua espera. Ali, no território da sátira, da brincadeira, e da impertinência charmosa, ele conquistou milhares de fãs, ouvintes assíduos, clamorosos por sua presença, enfim, fez o que se esperava de um grande artista: plantou a semente da eternidade.

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Os Últimos Dias De Paganini

“Agora, a furtiva serpente desliza
Na dócil humildade
E o justo enfurece nos desertos
Onde vagam os leões.” William Blake

Paganini

Cansado dos boatos a seu respeito. Acalmar os nervos. Copo d’água com açúcar. Vê-se no espelho com ossos a intimidar a rotina. Frívolo, ferve numa xícara rosa a mistura. Prepara chá de amendoeiras. Sacode as ancas que ainda lhe restam. Pressionadas. Distendidas. Extensas. Recolhe as pernas compridas e largas à cadeira de palha a incinerar cortina defronte lareira aquecida. Febre. Gripe. Simulações esquisitas. Há o que não entendo.

O que sobrar ao manejo serve para cutucar risos, relva, raiva. Austero. Copo se quebra. Despedaça de sua mão fragilizada em ramos circulares. Outrora insano, agora contemplativo. Restabelece memórias no coração enferrujado. Capim, palha. Óleo acende tuas olheiras. Conduz eletricidade.

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