Válvulas, metais

“Deixe-me cair da janela com confete em meu cabelo” Tom Waits

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Percebo contento. Com o tempo. Convento. Trento. Trema. Corte.

Válvulas. Vagalumes. Lume. Vaga. Cume.

Uma coceira no olho verde-esquerdo. E, no entanto, precisava ler. As letras embaralhavam-se. O sentido evasivo.

– O improviso é uma criação! – bradou. Mas pouco se faz quando o grilo resolve calar-se. Singrou o inefável. Só vem à tona na madrugada.  Congestionado? Estava esvaziando.

As extremidades continham as veias do vírus. Seiva mergulhada em sulcos, agulhas lanosas.

Infâmia perfuração na imanência do genuíno rastro. Metais, Renascença, Barroco, Abstrato. Eriçado, imune massa compacta. Válvulas metálicas. Tonitruante trégua germina a putrefação enverga: Faquir. Estalou o fole.

Estapafúrdia borrifa estrelas marinhas rosas ardis alfinete.

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O Lado B de CAÊ

“pensar que o mundo inteiro não passa do interior da Bahia.” Wally Salomão

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Está certo que o disco não roda mais na vitrola como antigamente. E que muita gente talvez desconheça a expressão “lado b”. Mas para artistas que não respeitam o tempo isto não faz a menor diferença. A fim de reparar o destino e dar-lhe uma bela bordoada com a elegância devida, Mauro Zockratto decidiu que é hora de tirar do obscurantismo obras de um menino que via pela TV nos idos anos 70, berrar a “Alegria, Alegria” sem o menor desconcerto, ainda que atônitos e perplexos ficassem tanto os fãs quanto os críticos. Aí estão no roteiro “Força Estranha”, “Objeto não identificado”, “Muito Romântico”, “Janelas Abertas Número 2”, “Festa Imodesta”, e outros.

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10 Sucessos de Clara Nunes

“Clara como Cousa
Sob um feixe de luz
Num lúcido anteparo.” Hilda Hilst

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Enquanto o coro do samba lhe monta um altar, a sereia do mar de Minas faz evocar a mata, o povo, a prata, o céu do sabiá e as forças da natureza. Clara Nunes acende velas, meche os chocalhos, leva fé para os corações que batucam samba e se banham em manjericão. Espalha alegria da Bahia a Minas, passando pela Portela. Rodando seu vestido longo e branco, Clara segue o ritmo da morena de Angola com sua voz brasileira de profissão esperança. Uma voz que traz o ouro de Minas banhado pelo mar salgado da Bahia e acompanha um sorriso espontâneo coroado por flores e conchas que lhe enfeitam os cabelos. Um brilho mestiço que se encontra nos olhos, no sorriso e no canto místico de Clara Nunes. No folclore da sereia brasileira que iluminou as minas de ouro dos corações marejados.

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Uvas maduras

“Flor de cactos – A flor de cactos é suculenta, às vezes grande, cheirosa e de cor brilhante: vermelha, amarela e branca. É a vingança sumarenta que ela faz para a planta desértica: é o esplendor nascendo da esterilidade despótica.” Clarice Lispector

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Cesto trançado por Baco. Flâmula fleuma a perscrutar narinas dispostas. Preguiçoso Deus Romano da Orgia, da Ebriedade, do Sexo, dos Excessos, das Uvas! Sim, das Uvas. Arrulhando sob pés descalços e cantarolantes. Inventar palavra, pode?

Falar que Baco é o Deus casto das Uvas, pode? Onde já se viu falar que Baco é o Deus do Vinho?

Antes do Vinho há a Uva, ébrios raros. Na origem está a maledicência descoberta: Uvas. A beleza de chupar Uvas maduras. Puras. Não modificadas pelo homem. Porque o Vinho é prazer Terreno, a Uva é prazer dos Céus. Genuína bola de gude leve, gostosa.

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Entrevista: Zezé Motta costura as linhas de atriz e cantora

“Ao fim de alguns dias, habituado a seus lábios, não pensava em outras delícias.” Raymond Radiguet

Zeze Motta - Credito rogerio ehrlich

Num banquete oferecido pelo produtor Guilherme Araújo, todos se sentaram à mesa para reverenciá-la. Entre os presentes estavam autoridades da música como Caetano Veloso, Rita Lee, Moraes Moreira, Luiz Melodia, e outros. Algumas ausências sentidas como as de Chico Buarque e Francis Hime, mas nada que atrapalhasse o espetáculo. Essa história bem poderia ser a de Xica da Silva, mas é a de Zezé. “No começo incomodava um pouco, porque sonhava em imprimir meu nome na mídia: ‘Zezé Motta’. Mas depois percebi que ela era uma ótima madrinha!”, afirma, com a sonora gargalhada, ao relembrar os preparativos para o lançamento do seu primeiro LP e também o sucesso nas telas de cinema que a acompanha até hoje. “Ainda tem gente na rua que me chama de ‘Xica’”, confessa com o humor que é característico.

Hoje aos 70 anos, completados no último dia 27 de junho, Zezé Motta faz planos tanto para a carreira de atriz quanto para a de cantora. Em agosto retorna às novelas da Rede Globo, afastada desde “Sinhá Moça”, de 2006, em “Boogie Oogie”, nova atração do horário das 18h, onde viverá a empregada Sebastiana. Já em relação aos palcos, mantém certo mistério, mas continua dando voz a sucessos da carreira e em especial da seara do samba, deixando no ar um projeto inscrito na lei de incentivo à cultura em busca de patrocínio e gravadora. No último álbum lançado por Zezé, “Negra Melodia”, em 2011, pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, a artista cantou músicas de Jards Macalé e Luiz Melodia, e o processo de decisão por este repertório rendeu boas histórias e ótimas risadas, como de costume na trajetória de Zezé Motta.

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