5 Sucessos do Quarteto em Cy

“para quê expressar-se melhor do que estes lótus, estas rosas, estes jasmins quietos, inapanhados: já não tinham dito tudo?” Mallarmé

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A história do “Quarteto em Cy” é uma estória de mudanças. Da Bahia, no interior, em Ibirataia, para o Rio de Janeiro. Do Rio para os Estados Unidos. Dos Estados Unidos para a Europa e da Europa para o Japão. De Cyva, Cynara, Cybele e Cylene, as irmãs iniciais, para Sônia Ferreira, Dorinha Tapajós, Sandra Machado, Regina Werneck, Cymíramis e Keyla. Neste caminho passaram Chico Buarque, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Milton Nascimento, MPB-4, Ivan Lins, e outros. Pois uma coisa é permanente, nessa história e nesta estória, o “Quarteto em Cy” não dá ponto sem nó, nem deixa sem pingo o Y. E a música flui sabiámente.

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7 Músicas de Paulo Leminski

“um pouco de mao
em todo poema que ensina
quanto menor
mais do tamanho da china” Paulo Leminski

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O “samurai malandro”, como ficou conhecido o poeta de Curitiba Paulo Leminski, traduz, logo no codinome, a gama de contradições e opostos que atraíram o artista. Com descendência polonesa e africana, Paulo furou o umbigo do Paraná e de lá puxou oriente, Brasil e Europa. Cinema, judô e arte plástica. Aquele que com aparente superficialidade ia do raso ao profundo, do clássico ao populacho. E foi sendo “mínimo em matéria de máximo” que Paulo Leminski construiu uma obra cuja precisão e musicalidade o eternizou junto a gentes variadas. Pois como pede o mendigo da praça, sobre os poetas deixem os poemas falarem.

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Entrevista: O Universo Cabeludo de Carlos Careqa

“Comecei a sentir minha miséria no catre sobre o chão, escutando a música, minha miséria, é por isso que eu quero cantar.” Allen Ginsberg

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Rogério Skylab esquece de perguntar o assassino de Carlos Careqa em sua canção “Eu Quero Saber Quem Matou”, mas Cida Moreira, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Tetê Espíndola não deixaram de prestigiá-lo em seu CD de estreia, “Os Homens São Todos Iguais”, em 1993, com sugestiva capa recheada de ironia, e eis aí bom indício de por onde trafega o compositor, ainda que afirme em seu terceiro disco: “Não Sou Filho De Ninguém”, lançado em 2004. Dez anos depois contabiliza dez títulos na discografia, além de participações e trabalho como produtor. Muito longe desses números, ao acaso, redondos, Carlos traça seu caminho na inventividade. “O mercado não quer um cara rebelde como eu. Não quero ficar cantando a mesma música a vida toda”, afirma.

Nascido em Lauro Muller, interior de Santa Catarina, o intérprete mudou para Curitiba aos cinco anos, e lá se formou como artista frequentando grupos de teatro e participando de campanhas publicitárias. Sobre a importância da arte dramática em seu processo de composição musical, define: “Importância Suprema. Tudo é cena. E a todo o momento tenho que prestar atenção no que está acontecendo, e isto vai virando música”. Já a possível “escolha” por uma carreira pautada no mercado independente é rechaçada. “Eu não optei. As coisas foram acontecendo. Tenho ideias, e assim vou caminhando. A música independente é isto, sem amarras, sem gente mandando. Faço o que quero, o que me der na telha. Não faço música experimental. Acho que eu faço coisas bem palatáveis, mas sou independente por que a vida me quis assim”.

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100 anos de Aracy de Almeida: a jurada e a cantora

“Quis levar também um bom floreiro e um ramo de rosas amarelas para conjurar a sorte ruim trazida pelas flores de papel, mas não encontrei nada aberto e tive que roubar num jardim particular um ramo de recém-nascido amor-perfeito.” Gabriel García Márquez

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Engana-se quem pensa que a participação de Aracy de Almeida como jurada do programa de calouros do apresentador Chacrinha, e depois Silvio Santos, tenha distorcido a imagem da cantora. Basta ouvir as gravações de entrevista da intérprete contando de sua relação com Noel Rosa, o começo da carreira, e a forma despojada no uso da voz na canção para perceber que Aracy sempre teve uma personalidade ímpar, da qual não se podia descolar, a princípio, personagem e vida. Se muitos dos seus maneirismos pareciam caricaturais e provocavam o riso é porque ela nunca fez questão de enquadrar-se em “bons modos”, “princípios”, e é justo nisso que se diferenciou, na década de 1930, entre tantas cantoras do Brasil. Foi, ao lado de Carmen Miranda, um destaque.

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Entrevista: A independente Selmma Carvalho lança festa própria

“ao ruído do rufar dos tambores, para devorar resíduos
para a festa de um usuário a fim de mudar o
valor de uma moeda” Ezra Pound

Selmma Carvalho foto Miguel Aun 4

Desde que foi indicada ao Prêmio Sharp na categoria “cantora revelação”, em 1997, muita coisa rolou na trajetória de Selmma Carvalho. Acompanhada, à ocasião, pelo amigo, jornalista, compositor e conterrâneo Ezequiel Neves – conhecido, sobretudo, pelas parcerias com Cazuza – a entrevistada lançara um ano antes o seu primeiro disco. Natural de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, hoje ela celebra o lançamento e os shows de “Minha Festa” no tom apropriado. “Um ano após a gravação do meu terceiro CD, ‘O que será que está na moda?’, eu já pensava no próximo, mas não sabia ao certo o que queria”, confessa. No repertório, além de quatro canções autorais, uma novidade na carreira, figuram composições de Samuel Rosa, Nelson Cavaquinho e parcerias com Sérgio Moreira, Vander Lee e Paulo Santos.

“Quando resolvi gravar, tinha somente umas quatro canções em mente e algumas composições próprias ainda por terminar. Por isso mesmo, a maior parte do repertório foi definida ao longo do processo de gravação”, contorna Selmma, que faz questão de ressaltar a importância do produtor Rogério Delayon. “Conversamos muito sobre sonoridades, timbres, músicos convidados, vocais, participações especiais. Construímos aos poucos, experimentando instrumentos e ouvindo os resultados. Com certeza, a etapa mais demorada de todo o processo.”, afirma. Entre os participantes estão Chico César, Sérgio Pererê e Fred Martins. Com mais um CD lançado de forma independente, Selmma pretende seguir nesse caminho. “Sou independente desde o primeiro CD, portanto nem penso em procurar uma gravadora, somente meu segundo álbum tem o selo da CPCUMES, de São Paulo”.

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