Entrevista: Coautor de “Elite da Tropa”, Luiz Eduardo Soares lança novo livro

“Trememos com a violência do conflito que está sendo travado dentro de nós, o combate entre o definido e indefinido, a batalha da substância com a sombra. Porém, se a luta chegou a este ponto, lutamos em vão, porque a sombra triunfará.” Edgar Allan Poe

Luiz Eduardo Soares

Os debates programados para o evento “A Política da Psicanálise – Na Era do Direito ao Gozo”, que acontece na capital na sexta-feira (26) e no sábado (27), no Espaço Cultural CentoeQuatro (praça Rui Barbosa, 104, Centro), também abrirão janelas para a cultura.

A presença do cientista político e escritor Luiz Eduardo Soares é um exemplo. Um dos coautores do livro “Elite da Tropa” (que se transformou no sucesso cinematográfico “Tropa de Elite”, de José Padilha) é o mote não apenas para abordar os temas consumo de drogas e violência, mas também para apresentar sua mais recente investida no mercado editorial: “Tudo ou Nada” (Nova Fronteira).

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90 anos de Monsueto: o multimídia da década de 50

“Eu vou lhe dar a decisão
Botei na balança, você não pesou
Botei na peneira, você não passou
Mora na filosofia
Pra quê rimar amor e dor?” Monsueto

Elisete Cardoso

“Ziriguidum”; “Castiga”; “Vou botar pra jambrar”! Se ele que inventou essas expressões porque não dizer que Monsueto já era um “multimídia” na década de 50, quando ainda não se usava o termo? Compositor, sambista, pintor, ator, cantor e instrumentista, natural do Morro do Pinto, no Rio de Janeiro, o homem de múltiplos talentos não se constrangia em abraçar a causa da diversidade, muito pelo contrário. Desfilou em várias escolas de samba, sem nunca se comprometer em definitivo com nenhuma, e era muito bem recebido por onde passasse, incluindo-se aí, as artes. Ganhou o prêmio do Museu Nacional de Belas Artes em 1965, por suas pinturas primitivistas. Quanto aos sucessos na música, foram reconhecidos tanto em seu tempo, com gravações de Linda Batista e Marlene, quanto depois, nas regravações de Caetano Veloso, Milton Nascimento e Alaíde Costa, em que se comprova, apesar da verve específica, o poder de transição explicitado nos diferentes parceiros. Já as expressões referidas na abertura do parágrafo, foram propagadas na televisão em um programa de humor, onde novamente dava extensão à personalidade: era o “Comandante”. E comandava com seriedade a gama de talentos que jorrava. Com batuques e o que mais pintasse.

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Entrevista: Dóris Monteiro comemora os 80 anos em dó-ré-mi

“E é de você, é pra você, esta canção
É de você que vem a minha inspiração
Você é corpo e alma em forma de canção
Você é muito mais do que, em sonhos, eu já vi
Você é Dó, é Ré Mi Fá, é Sol Lá Si” Fernando César

Doris-Monteiro

No dia 23 de outubro de 2014, uma quinta-feira, Dóris Monteiro reuniu os amigos e familiares e comemorou o aniversário de 80 anos com “uma festa bonita e animada, um jantar, com muita alegria, foi ótimo”. Cantora de sucessos como “Mocinho Bonito” (de Billy Blanco), “Mudando de Conversa”, (de Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho), “Dó-ré-mi” (de Fernando César), e vários outros, Dóris se apresentou recentemente em Belo Horizonte, em agosto do ano passado, através do projeto “Salve Rainhas”, idealizado por Pedrinho Madeira, mas não mantém uma agenda frequente de shows, atendendo a convites esporádicos. “Quando canto e o público me aplaude eu fico nas nuvens, fico eufórica. Minha vida se transforma. Independente dos problemas que tenha, ao entrar no palco eu flutuo. A energia do público faz você cantar”, declara emocionada. Natural do Rio de Janeiro, onde ainda mora, Adelina Dóris Monteiro logo adotou os sobrenomes como alcunha artística.

Mas não pense você que Dóris não dá seus palpites no atual cenário da música brasileira. Sempre atenta, ela destila uma fina e mordaz ironia. “Outro dia levei meu cachorro ao Pet Shop e tocava uma música. Perguntei: ‘que cantora é essa?’. E me responderam que era o Michel Teló. Olha que fora que eu levei! Não escuto esse rapaz, só escuto coisas que eu gosto. Quando aparece uma dupla sertaneja na televisão já mudo de canal. É um direito que eu tenho. As pessoas geralmente não admitem que os artistas tenham suas preferências, nos impõe esse castigo. Por isso, quando essas pessoas me perguntam, eu sempre digo que gosto, mas nunca sei quem é”, confessa. Dóris deflagra, com a própria história, a falta de personalidade das atuais vozes. “Quando eu apareci, minha voz era diferente de tudo. Hoje em dia estão todas iguais, todas as cantoras. A não ser uma Leny de Andrade, a Leila Pinheiro, que são excelentes cantoras, mas já não pertencem a essa juventude”, conclui.

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10 músicas sobre política no Brasil

“Amigos costuma ter no partido do governo,
Mas em tempos de eleição
Decide mostrar-se contra e outros amigos encontra
Nas hostes da oposição.
Por motivo semelhante, quando esperam que ele jante
Em casa de um ministro ou
Que compareça ao banquete de alguém que esteja em manchete,
Ele come num bistrô.” T. S. Eliot

ideologia

A música brasileira, assim como sua gente, é mista e abarca uma variedade de gêneros. Dos mais diferentes tipos, passando por inúmeros trejeitos, atravessando gerações e ritmos, os compositores da terra tematizaram sobre política, de maneira crítica, panfletária, indignada ou persuasiva. O que também traz à tona outra característica rica e importante, fundamental, tanto para a música quanto para a política: a diversidade de opiniões que compõe uma democracia. Eleja o seu candidato preferido, eles desfilam com seus galardões. Noel Rosa, Cazuza, Adoniran Barbosa, Lobão, Raul Seixas, Nássara, João do Vale, Renato Russo, Arlindo Marques apresentam propostas.

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Crítica: Peça “Aqueles Dois”, da Cia. Luna Lunera, captura sentido da obra de Caio Fernando Abreu

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.” Caio Fernando Abreu

aqueles-dois

A montagem expressiva da Cia. Luna Lunera para o conto do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, transforma o espetáculo “Aqueles Dois” num produto de entretenimento e reflexão de alta categoria. Isso porque os recursos adotados enfatizam a complexidade e inventividade do escritor que, ao aderir a uma cultura pop jamais largou mão de preceitos que lhe eram caros, como a experimentação e o existencialismo interiorizado, que tinha em Clarice Lispector sua maior referência. Provam-se escolhas acertadas as de recriar os “dois” protagonistas em quatro personagens, e a maneira como a miscelânea de citações do autor é colocada em cena. Uma das características que saltam aos olhos nos textos de Caio é justamente a menção a outras obras. Daí outro enriquecimento. Tanto no texto quanto na peça espalham-se música, artes plásticas, dança, cinema, literatura e teatro, e ainda uma pitada de confusão entre real e imaginário, a tentativa de deserdar a distância entre o sujeito ativo e o sujeito pasmo. Cláudio Dias, Guilherme Théo, Marcelo Souza e Silva e Odilon Esteves dão conta desse recado em atuações de destaque. Zé Walter Albinati divide com os quatro a direção ágil e nada óbvia.

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