Brasileiro é escolhido entre 4000 candidatos para curso na Austrália

“Não deves acreditar nas respostas. As respostas são muitas e a tua pergunta é única e insubstituível.” Mario Quintana

Daniel Miguel Melo é o escolhido para curso na Austrália

Daniel Miguel Melo é natural de Belo Horizonte, tem 28 anos e nasceu no dia 21 de janeiro de 1989. Essa poderia ser uma história comum não tivesse sido ele escolhido entre mais de 4000 candidatos para apresentar as suas ideias em um dos cursos de tecnologia e inovação mais renomados do mundo. Formado em Publicidade e Propaganda pela Newton Paiva, trabalhou como Gerente de Marketing, em empresa de eCommerce, canal de televisão, agência de publicidade, rádio, abriu suas próprias empresas e hoje é o principal responsável pelo funcionamento da Resultam, empresa especializada em consultoria para marketing. Muita experiência para pouca idade, daí começa-se a entender o fato de ele constar entre os 77 selecionados, sendo dos únicos brasileiros. Logo abaixo, na entrevista, o próprio Daniel explica um pouco de seus passos e como esta experiência poderá se concretizar e trazer benefícios que vão além de uma só pessoa. Nessas horas é sempre bom ouvir quem faz.

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Crítica: “Cheiro de Manga” saúda o corpo como a um estado de espírito

“A pele trans (luz). Si/dá. A carne é mansa. E den
tro o hirto centro: semen/te do existir e hi
fen do prazer. Não vi?/E é fruta. E ou é fruto
do inconsciente? Abrupto/estar, não-ser-aí?
Ou é silêncio ou gri/to? Ou é sumo ou suma
teológica? Uma/fruta? Fruto-em-si?” Heládio Brito

Laura de Castro protagoniza Cheiro de Manga

“Cheiro de Manga” nasce após uma experiência de Laura de Castro na África. Ou é possível conceber que o espetáculo é gerido durante a viagem, e que a sua permanência no corpo de Laura o trazem agora a outras plagas. Pois uma das capacidades do teatro é a de alargar tempo e espaço; outro fato pelo qual seria redutor restringir a atração à dança. “Cheiro de Manga” tem por princípio propor muito mais do que movimentos coreografados, embora a partir deles dispare suas noções de estupor e identidade – mas eles, aqui, são ponto de partida (disparador) e não chegada, não conclusão, longe de aspirar a algo retilíneo e determinado. Os elementos cênicos como o cenário, o figurino, a trilha sonora e as pontuais inflexões da luz corroboram na direção da mesma frequência de despojamento e encontro propostos pelo corpo de Laura. Ele respira, escuta, fala, cheira, toca, e expande suas sensações interiores para fora. Assim, a experiência ocorre na acepção da palavra, de assimilação no gesto, no ato, na sensibilidade da pele que através de caminhos encontra alma.

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Crítica: “Danação” transforma em beleza um fardo da existência humana

“Lembra minhas palavras uma a uma. Eu poderei voltar. Te amo, e parto, eu incorpóreo, triunfante, morto.’” Ana Cristina Cesar

Eduardo Moreira protagoniza Danação

A escrita de Raysner de Paula chama a atenção há algum tempo nos palcos de Belo Horizonte. Em “Danação” os méritos são comprovados. No espetáculo que leva pela primeira vez à cena Eduardo Moreira em atuação solo não é pouca coisa que o texto se assanhe como maior destaque. Cumpre dizer que o ator do Grupo Galpão colabora incisivamente para que as palavras tenham carne, na pele de mais de uma personagem que a intérprete invoca com ritmo e perspicácia. A história tem toda uma cadência própria, que tanto texto quanto Eduardo conseguem levar de tal modo a que as ilações tornem-se, de fato, palpáveis. Há, aqui, duas importantes premissas da narrativa, ambas relativas às noções de tempo e espaço. A primeira é a de carregar o teatro à sua origem, campo da imaginação, fértil, em que se amplia um caminho por sua característica simbólica, invocando a transformação através do gesto abstrato. Ou seja, ainda que o ocorrido seja inventado, é esta invenção que também tem a capacidade de modificar o real. De outra, a cena contemporânea do teatro assimila a nítida preocupação em aproximar-se, na busca de uma experiência mais coletiva e compartilhada, revolvendo o terreno da passividade para posições proativas, denotando-se como política independente do tema tratado. Neste caso há um atravessamento de tons e gêneros que costuram a unidade.

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Crítica: “Ser – Experimento Para Tempos Sombrios” pinta retrato poético e incisivo da realidade

“Por alguns momentos, apenas alguns momentos, é como se houvesse assim uma espécie de esperança, de possibilidade de esperança. Seja o que for, você está quase alcançando. O teu braço está tão estendido que essa parte que junta com o corpo parece que vai rasgar. E as pontas dos dedos podem sentir assim quase como. Um formigamento, uma dormência. A vibração dessa coisa que está lá, por enquanto ainda longe deles, prestes a ser tocada.” Caio Fernando Abreu

Rafael Bacelar protagoniza "Ser - Experimento para Tempos Sombrios"

Nascida no seio da tradicional família mineira em Belo Horizonte, já no século XXI do ano de 2013, a TODA DESEO é um coletivo que prima, desde o início, por ampliar as possibilidades. Com uma temática ligada ao universo trans, mas, sobretudo, atenta às questões de identidade, a companhia acumulou em pouco tempo trajetória relevante e necessária, principalmente por conseguir conjugar suas inquietações de conteúdo sem desabalar a estética, a forma, e, principalmente, a poética de seu trabalho. “Ser – Experimento Para Tempos Sombrios” leva o coletivo a um novo campo de exploração, embora ainda lá estejam seus pilares: a performance, a experimentação e o remodelamento de tabus em totens. A TODA DESEO quer transformar as consciências, e para isto não dispensa a linguagem do corpo e a emoção com a qual se nos atravessa a arte. Desta vez, porém, há diferenças fundamentais, qualidade inerente àqueles que partem na busca incessante da mudança e, além, da modificação. Para começar promove habilidosa fusão entre sandice, somente aparente, e realidade, a fim de estender, expandir e alargar possibilidades de corpo e alma. Ao passear por gêneros a montagem expressa as múltiplas sensações da vida.

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Crítica: Espetáculo “Nuvens de Barro” assimila poeta ao absurdo

“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul –
Que nem uma criança que você olha de ave.” Manoel de Barros

Nuvens de Barro se inspira em textos de Manoel de Barros

É desafiador transpor uma obra rica imageticamente para outro campo de imagem. No caso: quando a imagem contida numa palavra passa a estar contida num corpo. Esse ambicioso projeto foi encarado, por exemplo, por dois cineastas, o austríaco Michael Haneke e o britânico Alfred Hitchcock, que adaptaram textos de Kafka para a tela grande. O espetáculo “Nuvens de Barro”, encenado pela Cia. de Dança Palácio das Artes, escolhe a obra de Manoel de Barros para a empreitada. Se fatores importantes da poesia do pantaneiro aparecem na montagem o cerne lhes escapa. Lá estão a liberdade, a brincadeira, a audácia e a proximidade, porém, aquele que pretendeu “monumentar as miudezas” transformava o absurdo em simplicidade, já a peça o compreende ao contrário. Com uma linguagem pura, infantil, quase arcaica, Barros eliminava excessos formais para que a exuberância resplandecesse ali, na palavra, na imagem. Ao expor os versos do poeta em sua condição literal, o espetáculo retira da obra o vigor e a contundência que residem, justamente, em sua alma figurada. Para Manoel, absurdo era o mundo prático, e não o avesso. Nos melhores momentos os gestos e elementos cênicos alcançam a singeleza.

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