Palavra Cruzada na Rede Minas

“Eu aprendi as coisas mais importantes com pessoas analfabetas.” Olavo Romano

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Olavo Romano, presidente da Academia Mineira de Letras e famoso contador de ‘causos’ nas Minas Gerais é o convidado do programa “Palavra Cruzada”, da Rede Minas. Participam como entrevistadores os jornalistas Leida Reis, Editora-Executiva do Jornal Hoje em Dia, Raphael Vidigal, produtor e redator do programa “A Hora do Coroa”, na Rádio Itatiaia e Eugênio Ferraz, diretor-geral da Imprensa Oficial de Minas Gerais.

Bloco 1 – A linguagem oral, internet e memória

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Crítica: Espetáculo “Prazer”, da Cia Luna Lunera, dá banho de liberdade

“Tornara-se bem livre… Mas isso não significava estar contente.” Clarice Lispector

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A única e mortal função da arte é propor a liberdade. Ou, ao menos, alguma libertação. Nesse sentido a Cia Luna Lunera mais uma vez cumpre o papel, com o espetáculo “Prazer”, textos próprios norteados pela lente simbólica de Clarice Lispector, cujo livro “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, foi o ponto inicial dessa travessia. Travessia interior, é verdade, mas exaltada à superfície pelo cenário ao mesmo tempo morfeico e de uma brutal realidade. Dizer que cumpre o papel é pouco. O que a companhia oferece é uma mudança de calor na alma, aquela temperatura que só a verdadeira arte incorre. Embora não busque verdades e esteja mais interessada nos questionamentos do que nas respostas, os que se entregarem à peça estarão inevitavelmente sentenciados.

O dualismo, ou a dualidade, é o caminho escolhido pela companhia para novamente expressar e conclamar à mera tentativa humana, não importando qual seja o resultado. O melhor exemplo são as personagens que, complexas, almejam a uma alegria que talvez esteja afeita a todas as tristezas – e nisto destaca-se a performance de Odilon Esteves, responsável pelo que há de melhor da peça tanto no drama quanto na comédia, capaz de migrar num segundo do riso para o desespero, acompanhado de muito perto pelos colegas de cena Marcelo Souza e Silva, Cláudio Dias e Cláudia Corrêa. No que outros efeitos dramatúrgicos contribuem muito, como as escolhas de iluminação feitas por Juliano Coelho e Felipe Cosse e especialmente a direção, conduzida pelos atores em cena, Isabela Paes (ausente em função de licença maternidade) e Zé Walter Albinati, com o auxílio luxuoso da vídeo arte de Eder Santos. Singela, extrai de objetos cênicos e efeitos visuais o que de mais sensível eles têm a iluminar na consciência e no coração de mulheres e homens. A música e a dança encantam à parte, com brilhos intensos e fugazes. Eis o desejo que durassem mais. Mas o teatro é mera tentativa humana, não importando qual seja o resultado.

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Sucessos das músicas de duplo sentido no Brasil

“A gente pensa numa coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa…e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.” Mario Quintana

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É de um intelectual a constatação de que o amplo entendimento do duplo sentido no Brasil remonta ao período da escravidão. Em outros países essa cultura não seria tão difundida. De acordo com a tese se vivia naquela época sob uma realidade de mentira, em que a hipocrisia era dominante e as pessoas, escravos preponderantemente, tinham que recorrer a artimanhas para se comunicar e expressar com seus companheiros. Já que não podiam falar abertamente, a exclusão da liberdade lhes foi o mote para criar o “duplo sentido”. Como muitas contribuições da cultura negra no país, o duplo sentido se estendeu para as artes, com especial alcance na música, principalmente a nordestina. Se o nome do intelectual se esqueceu, o sentido duplo permanece.

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Crítica: Não foi o coração do Galo nem o Deus da Raposa

“Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos” Nelson Rodrigues

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Cruzeiro e Atlético conquistaram os dois títulos mais importantes do país na temporada 2014. As equipes mineiras dominaram, assim, o cenário nacional, já que fora do âmbito doméstico o ano não foi de protagonismo, com o vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo em seus próprios domínios, ao sofrer goleada de 7 a 1 para a campeã Alemanha na semifinal, e a perda da Taça Libertadores da América para os argentinos do San Lorenzo e da Copa Sul-Americana, com a eliminação do São Paulo para os colombianos do Atlético Nacional. Logo, é bom desde o princípio localizar bem as duas conquistas, longe de desmerecê-las, mas houve também fracassos dos campeões.

Cruzeiro e Atlético não foram capazes de se colocarem como os melhores do continente, mas deixaram claro para quem quiser ver que no Brasil, no momento, não há páreo. No entanto, é bom prestar atenção ao discurso dos vitoriosos, e contestá-los. Não é verdade que foi o coração do Galo e o Deus da Raposa o preponderante para vencer os adversários. O que não impede de constatar características históricas das agremiações com as quais é possível se identificar e que as mascotes representam tão bem. O Galo de briga, de rinha, de raça prima pelo esforço, pela superação. A Raposa é hábil, inteligente, prima pelo talento e criatividade.

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Crítica: “Chaves” é marco de resistência da cultura mexicana no Brasil

“A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena” Seu Madruga

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Durante praticamente duas décadas o Brasil respirou sob um ritmo mexicano. Foi nos anos 1940 e 1950, portanto muito antes da estreia do seriado “Chaves” em seu país natal. O bolero dominou a canção e o coração brasileiros, o que não é difícil constatar ao percebermos a quantidade de versões e vozes que o entoaram, para ficar em exemplos mais claros, o folclórico “Cielito Lindo”, (do refrão: ai, ai, ai, ai, está chegando a hora/o dia já vem, raiando meu bem/é hora de ir embora), e de “Bésame Mucho”, criação de Consuelo Velazquez popularizada pelo “Trio Los Panchos”, outro a fazer enorme sucesso na terra de palmeiras onde canta o sabiá. Logo a influência da cultura mexicana na nossa não se restringe aos personagens criados por Roberto Gómez Bolaños.

No entanto, não é segredo para ninguém, ou ao menos não deveria ser, que o plano imperialista do estado norte-americano passa, preponderantemente, pela cultura e propaganda. Foi com este intento que a terra de Walt Disney passou a enviar para o Brasil, entre outros, Nat King Cole – inclusive cantando (bem) em português – Louis Armstrong, e a importar Ary Barroso que criou canções para os clássicos desenhos com a participação de Zé Carioca. O que explica então que o bolero tenha sido varrido do mapa e o consumo de música, filme, literatura, artes plásticas, dança e produtos alimentícios vindos do Tio Sam não tenha sido capaz de eliminar a presença de Chaves e sua Bruxa do 71? Talvez algo relacionado ao poder que o humor tem de despistar o seu real combate.

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