5 músicas do Brasil contra a corrupção

“Tira tudo do estofo da casaca,
Faz milagres com a caixa de surpresa;
Se um garfo lá se foi ou falta a faca,
E achas que te enganaste ao pôr a mesa –
O talher que ainda há pouco evaporou-se
Surge num fosso como se osso fosse!” T. S. Eliot

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Dizem que a profissão mais antiga do mundo é a da prostituta. Há controvérsias. Mas o crime, certamente, é o de corrupção. Desde que o homem se entende por gente o espécime se apropria do dinheiro alheio para interesses particulares. Ou, quando não havia moeda, da galinha mesmo. E a vida da população e do próximo escorre pelo ralo. Não sendo um problema só do Brasil, mas bem difundido por essas terras desde que portugueses “trocavam” ouro por espelho. Claro, pode-se alegar que constam nos autos crimes mais antigos, como a matança, a miséria, a contravenção. Mas talvez todos esses tenham por base a corrupção. Afinal outra categoria bem antiga é a dos banqueiros, como a burguesia, a Igreja, a monarquia, os senhores feudais e de engenho, enfim, as instituições de poder. Por fim, não deixa de ser interessante notar a associação de corruptos com aquela profissão mais antiga. Quando chamados de “filhos da puta” indubitavelmente comete-se uma injustiça com as profissionais do sexo, que só enganam para dar prazer. É o orgasmo solidário, não egoísta.

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O Melhor dos Anúncios “Bom Negócio”

“Uma coisa pode ser muito triste para ser crível ou muito má para ser crível ou muito boa para ser crível; mas ela não pode ser tão absurda para ser crível, neste planeta de sapos e elefantes, de crocodilos e peixes-espada.” G. K. Chesterton

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Não é de hoje que a publicidade se vale do humor. Artifício esse muito usado para situações delicadas, constrangedoras, e até enfadonhas. Não representa novidade dizer que o humor é uma das melhores linguagens para chegar até as pessoas. Porquê ao contrário da seriedade, do didatismo e do drama, a forma cômica está imbuída de sutileza. A crítica, por exemplo, a vê com bons olhos, não apenas pelo aspecto de esconderijo, mas pela facilidade de aproximação. Em via de regra, a ironia ofende menos do que o sermão. A embalagem diz tudo. E como esse é o princípio da publicidade, rola solta nas propagandas dos anúncios “Bom Negócio” com Sérgio Mallandro, Compadre Washington e outros.

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Defesa da pichação como obra de arte

“Quando você faz as pazes com as autoridades, você se torna uma delas.” Jim Morrison

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Toda manifestação artística carrega em seu bojo uma ética, um conjunto de valores, do qual você pode concordar ou discordar. O importante é analisar, portanto, sua estética e conteúdo. A pichação data do período da Antiguidade, quando os muros de Pompéia eram utilizados para receber poesia, política e xingamentos chulos. Essa característica se manteve. Um dos principais elementos da pichação é a insubordinação. Esse caráter provocativo, rebelde, subversivo, transgressor, está associado, em primeira instância, à sua ilegalidade, ao combate por parte de instituições de autoridade, e à quebra da barreira entre o particular e o público, outra discussão tão comum na atual sociedade quanto a não assunção explícita de autoria, decorrente de sua desautorização. Se não fosse proibida, não teria tanto valor artístico a pichação.

ROMPIMENTO DA ORDEM
A pichação não pede licença, não faz acordos ou concessões, ela invade. O roqueiro Jim Morrison afirma numa das mais célebres frases: “Sempre me fascinaram os ideais que pregam a rebelião contra a autoridade. As noções de rompimento e desestabilização da ordem também me seduzem”. O que contém essa atitude de irreverência, além de sua óbvia irresponsabilidade, é o questionamento de um modelo de imposição de regras, fôrmas, limites, e, sobretudo, verdades. O contexto em que a pichação se insere, e, em última análise, os locais em que aparece, vão ao encontro da noção contemporânea e moderna de arte, de que esta não deve estar num pedestal, além da vida, mas no meio de suas entranhas, no olho do furacão, imersa, na rua, no muro, no lixo.

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10 músicas do Brasil para o “panelaço”

“Eu não quero você nem pra pegar na alça do meu caixão…” Panela e Garrafão

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Quando a presidente eleita com 51% dos votos discursava no “Dia da Mulher”, panelas foram ouvidas nos bairros mais ricos das capitais. O intento era de provocar bramido, ruído, incômodo, e sobretudo protestar contra as palavras de Dilma Rousseff. Essa anedota, como se constata, aconteceu no Brasil. Não obstante o conteúdo pouco consistente e em muita medida falacioso e ridículo da presidenta, há de se notar uma característica primária e preconceituosa no ato de alguns “paneleiros”. Por isso chamamos à roda aqueles que souberam protestar, acariciar ou bramir com maior elegância. Através da música brasileira. Panela cheia, vazia, velha ou do diabo, todas com a garantia e o selo da arte.

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Crítica: grupo de dança “Sarandeiros” investe na descrição do folclore

“Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço,
Eu quero ver novamente ‘Vassouras’ na rua abafando,
Tomar umas e outras e cair no passo” Alceu Valença

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É com alegria e gestos expansivos que o grupo mineiro de dança “Sarandeiros” apresenta o espetáculo “Coup de Coeur”. O título, alusivo ao prêmio de destaque do público recebido no Canadá em 2014, denota um certo olhar estrangeiro, o que justifica a escolha pela caricatura, outra arte tão popular quanto o folclore. Figurinos e cenário, além da presença de um apresentador, seguem nesse estilo. Em tradução literal, trata-se de “Golpe no Coração”.

Não por acaso as canções e a coreografia recebem a levada do axé, ritmo nascido na Bahia que, ao se apropriar de manifestações típicas e históricas da música e da religião, como o samba de roda, o merengue, o maracatu e o candomblé, entre muitos outros, criou uma designação pop, largamente assimilada pela indústria, e por isso bastante alicerçada numa noção mercantil. Os números são executados por uma banda ao vivo.

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