Centenários 2015: Édith Piaf, o canto que aplacou as dores

“Canto o que vejo mas antes
Canto o que a alma deseja.” Hilda Hilst

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Édith Piaf talvez seja uma das primeiras cantoras a encarnar o ideal do mártir. Não é heresia detectar a sua influência no blues de Billie Holiday, na dor-de-cotovelo de Maysa e na música negra de Amy Winehouse. Com uma vida turbulenta e agitada, essas quatro personalidades jamais dissociaram a música de sua existência. Essa certamente é a maior contribuição de Piaf. A entrega total ao ofício proporcionou interpretações e “Hinos de Amor” que não guardam qualquer semelhança com uma atuação técnica ou cerebral. O coração de Piaf está em todas as letras que canta. Por isso até hoje pulsam suas canções.

Natural de Paris, filha de uma cantora de cabaré e um acrobata de rua, a pequenina Édith foi deixada aos supostos cuidados da avó materna, que não se importava com a criança. Mais tarde, levada de volta para a mãe morou em um bordel, onde se amigou das prostitutas que a salvaram de uma cegueira aos 8 anos, com orações no túmulo de Santa Teresinha, de quem Édith se tornou devota por toda a vida. Passou a acompanhar o pai nas ruas de Paris aos 14, onde cantou pela primeira vez em público, mas cansada da exploração e dos maus tratos, também o abandonou. Mãe aos 18, Édith perdeu sua única filha, Marcelle, fruto do relacionamento com o entregador Louis Dupont, que cuidou da criança até a morte, aos 2 anos, vítima de meningite.

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8 músicas brasileiras sobre cachorros e gatos

“Devo, outra vez, lembrar-te deste fato:
Um cão é um cão, porém UM GATO É UM GATO.” T. S. Eliot

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Desde os anos 30 não há uma década na música brasileira que passe sem falar dos nossos bichos de estimação preferidos. O tipo de relação pode variar, mas há sempre um denominar comum a uni-las: o afeto. Se uns ainda reclamam ao serem tratados como cachorros é isso exatamente o que alguns outros querem. De madame, vira-lata, ou sem vergonha, muitos já disseram sobre ser o melhor amigo do homem, ao que Vinicius de Moraes completou: “o uísque é o cachorro engarrafado”. O gato não fica atrás, mesmo esguio e menos sociável está sempre nas rodas de samba, de choro, no rock e na Jovem Guarda a lamentar amores desfeitos. Tornou-se expressão de afeto e do galanteio: “gatinha”. Entre cachorros e gatos sai da tuba a música brasileira!

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5 personagens inesquecíveis de Elias Gleizer

“Não esquecer que as nuvens estão improvisando sempre, mas a culpa é do vento.” Mario Quintana

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Se há atores que ficam marcados por uma personagem, há outros que se consagram interpretando um tipo. No caso de Elias Gleizer, foram dois: o padre e o avô. Mas no âmbito de uma análise mais depurada o que se poderá constatar é que tratam de um estilo só: Elias parece ter carregado para a tela a forma simples e de bem com a vida do cotidiano longe das câmeras. No jargão popular, o “boa praça”, e para os mais antigos, típico “bonachão”.

Outra característica que não escapa ao trabalho de Elias Gleizer é o de ter conseguido levar para a televisão, habitualmente criticada pela consistência rala, uma atuação capaz de despertar emoção, simpatia e entretenimento. Sem abrir mão deste último, Elias, que atuou bem pouco no cinema e no teatro, enriqueceu a história da teledramaturgia nacional, desde os tempos da TV Tupi, onde começou em 1959, até a TV Globo, em 2014.

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Análise: B. B. King afirmou a cultura de um povo

“Eu acredito que há um lugar para tocar guitarra. Há um lugar para cantar o blues.” B. B. King

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Qualquer modelo para afirmação de uma identidade precisa do seu herói. Nesse caso, o blues norte-americano construiu uma lenda. A diferença entre essas duas facetas é que a primeira parece necessitar de certo caráter artificial, enquanto a segunda é inteiramente popular. Não é novidade que qualquer povo reprimido resiste, sobretudo, através de sua cultura. Por isso a importância da preservação de costumes indígenas e africanos no Brasil. Da capoeira à mandioca existe algo que nos liga diretamente ao blues. De origem negra, como o samba, o ritmo sofreu com a segregação explícita nos Estados Unidos, que motivou a famosa frase de Miles Davis: “Só existe a música erudita europeia, a música popular brasileira e a música negra americana”.

B. B. King, que dizia fazer “uma nota valer por mil” foi a síntese do orgulho negro; nos Estados Unidos, no Brasil, na África e no Oriente. Como todo artista que amplia as conotações políticas, a magia de sua música se estendeu por esse país sem fronteiras: onde a alma e o sentimento residem, na valorização da vida, em que o homem é parte da natureza, não o seu detentor, e convive com a diversidade e a crença na semelhança igualmente. Natural do sul dos Estados Unidos, Riley Ben King perdeu o pai, que fugiu, e a mãe, que morreu, aos 8 anos. Esses acontecimentos típicos nas plantações de algodão da época foram superados quando o garoto recebeu uma guitarra do primo. Longe da fazenda, adotou o codinome pelo qual ficaria conhecido no mundo inteiro.

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Centenários 2015: Alceu Penna traçou e coloriu uma ode à beleza

“Sol, s.m.
Quem tira a roupa da manhã e acende o mar
Quem assanha as formigas e os touros
Diz-se que:
se a mulher espiar o seu corpo num ribeiro
florescido de sol, sazona
Estar sol: o que a invenção de um verso contém” Manoel de Barros

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Oliviero Toscani, fotógrafo italiano, afirma que “Caravaggio e Michelangelo, sim, eram publicitários”, ao contrário dele, conhecido por campanhas polêmicas da marca Benetton. E justifica: “Criaram imagens que reproduziam o ideal de beleza no qual a Igreja Católica acreditava”. Para alguns artistas, o adjetivo “moda” é insuficiente. Alceu Penna, mineiro de Curvelo, que tem o centenário de nascimento comemorado neste ano de 2015, é um deles. Célebre pela criação de “As Garotas” na revista “O Cruzeiro”, de 1938 até 1964, Alceu transitou por categorias de entretenimento mantendo o ofício afiado na ponta do lápis. Assinou fantasias de carnaval e peças para desfiles da Rhodia. Se como estilista Penna é quase um solitário no país, ao lado de nomes como Clodovil, Dener, Zuzu Angel e Ronaldo Fraga, é possível constatar no desenho uma larga tradição nacional, especialmente na caricatura, isso sem mencionar mestres da pintura como Tarsila do Amaral e Portinari.

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