Os castelos de outrora

“Fitávamos as nuvens do espaço.
Que imensas! Que bonitas e que estranhas!
E ficávamos horas a pensar
Se seriam castelos ou montanhas…” Florbela Espanca

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Reincide o sol áspero. A brisa roça nos cabelos e sonhos, entre eles, dedos – tentando tocar o intocável. Fica a brisa, fumegante e etérea, com labor. E o sorriso ocre, incolor e de incenso acena com a palma a preencher. Nunca se sabe até onde vai, qual lugar cai, a necessidade humana. Desprovidos ao celular reclamam do esgoto a céu aberto. Ralhou talhou o ranho uma aspa uma farpa uma casta cultura inválida. As palavras cansam. Mas a gente, as pessoas carregando frutas nas sacolas não se diz senão através do afeto. Após uma suada viagem de ônibus o refresco gelado seca os pelos encharcados por expectativas lânguidas. A capinar as lembranças cujo destino se encarregou de tornar fluidas, boné patrocinado sobre a cabeça oval, o velho.

José é nome comum, mas não menos poético afinal contemplado por Carlos Drummond. O bigode bem penteado pela armadura prateada apreendida em chuva, roça, café quente e biscoito polvilho. Como Admeto em sua caça ao javali. É incontável o bulir de dedos toscos amassando a cara rugosa qual ferro de passar sobre a camisa usada no dia de trabalho anterior, gasta de viver. Essa mania desaforada e interiorana de arraigar a espontaneidade ao charme. Minutos de conversa lesa, leda, prosa insuficiente. Na pausa da vida fragmentada o ocaso a transparecer rebela com a agressão primeira: aquela que fez do homem a fruta do pecado e circunstância de si mesmo.

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Crítica: “Transando com Laerte” debate os temas mais relevantes da atualidade

“É preciso ir além da moral!” Eugène Ionesco

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Laerte é sinônimo de liberdade. Sempre foi, desde que começou a publicar seus quadrinhos e cartuns na década de 1970, e confirmou com veemência essa característica ao assumir a transexualidade. Mais do que liberdade, passou a ser sinônimo de libertação. Com contribuições pontuais para a televisão, sempre no gênero de humor e sempre como roteirista, como nos casos da “TV Pirata” e do “Sai de Baixo”, ganhou em 2015 a oportunidade dada pelo Canal Brasil, emissora a cabo vinculada à TV Globo, de apresentar seu próprio programa. “Transando com Laerte”, que vai ao ar na madrugada de terças-feiras a partir da meia noite, estabelece temas e recebe convidados que debatem acerca dos acontecimentos mais relevantes da atualidade com a, agora, apresentadora.

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Ginga da Capoeira no Brasil

“esta se quer uma árvore
firme na terra, nativa,
que não quer negar a terra
nem, como ave, fugi-la.” João Cabral de Melo Neto

Joga, luta e dança. Perna, braço e atabaque. Berimbau, Brasil e África. Da ponta do pé ao corte dos olhos. Madame Satã. Zumbi dos Palmares. Besouro, diabo. Lança por cima da cabeça, comprida, diáspora. Volta como bumerangue, chicote. Estala. Pandeiro, agogô, viola. Discípulo, mestre, canto das águas. Vem Janaína, rainha do Mar. Vem Iemanjá. Luta, dança e joga. Por cima, por baixo, por entre os escravos. Trazidos da África. Brasil, berimbau, atabaque. Perna, amuleto, braço. Capoeira cai fácil gaivota. Terras, palmeiras e sábia. Gorjeiam os pilares. Passo na areia, estilete, corta. Peito pra frente, tronco pra trás, a revolta. Palmeiras, palmares, madame. Besouro zumbi satã.

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Caderno H2O – 20/05/2016

“O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.” Clarice Lispector

POEMA1

Bufa
A vida é muito grave mas não é séria.
A vida já existia antes da comédia.
A vida já existia antes da Tragédia.
A vida é Hollywood, Shakespeare e a Grécia.
A vida ergue sua saia e espia a greta.
A vida é pó de aranha e mel de abelha.
A vida é ópera bufa, canto da sereia.
A vida é uma ilusão, como um espelho.
Quem olha pra vida sério ela faz careta
A vida é muito grave, mas não é séria.

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3 filmes brasileiros sobre o Futebol

“quero a vitória/do time de várzea
valente/covarde/a derrota/do campeão
5×0/em seu próprio chão
circo/dentro/do pão” Paulo Leminski

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Considerado até hoje o esporte mais popular do mundo, criado pelos ingleses e reinventado pelos brasileiros, o futebol segue despertando paixões, e como terreno fértil da emoção não poderia ser deixado de lado por uma das artes que mais se valem desta qualidade, o cinema. No âmbito nacional, a peleja recebeu tratamento distinto de nossos diretores, atores e roteiristas, entre demais envolvidos, porém sempre com a habilidade que transformou o futebol brasileiro no mais reverenciado no planeta através das décadas, embora passe por período de triste decadência em função, principalmente, dos que se utilizaram dele na parte administrativa para benefício próprio. Pertence ao Brasil, porém, a hegemonia em Copas do Mundo, com 5 troféus conquistados, além, é claro, de aqui ter nascido o maior jogador da história, com seus 1281 gols, Edson Arantes do Nascimento, natural de Três Corações, conhecido Pelé.

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