Análise: Tutuca foi um artista do tempo em que o humor tinha marca

“deve deixar o povo desempenhar comédias
e os historiadores registrarem os fatos
deve deixar os pobres falarem mal dos impostos.” Ezra Pound

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Tutuca pertenceu a uma categoria de intérpretes que se distinguiu por imprimir uma marca às suas personagens, o que se convencionou chamar de “bordões”. Artifício que mais tarde caiu no limbo, embora outros atores tenham voltado a se destacar ao colocar sua personalidade em cena, casos de Al Pacino, Jack Nicholson e Paulo César Peréio. A criação de uma personagem acoplada ao intérprete perdeu o costume em tempos recentes, onde a capacidade de se camuflar indistintamente e de maneira variada garante os aplausos do ofício. O intérprete que dá vazão a um sem número de performances, a histórias e personagens que vão muito além dele próprio. No tempo da chanchada o astro era o ator de um papel só, e o que se revezava, o coadjuvante. Basta reparar em Zé Trindade, Oscarito, Zezé Macedo, e etc.

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Análise: Ana Cristina Cesar esboçava tentativa de vida pelas palavras

“o coração só constrói
decapitado
e mesmo então
os urubus
não comparecem;” Ana Cristina Cesar

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Em Ana Cristina Cesar o impacto precede, muitas das vezes, a compreensão. A força da palavra, seu poder de síntese, a sonoridade que provoca quando colocada ali naquele espaço, o choque. E é possível dizer que é em Ana Cristina Cesar e não exatamente em sua poesia, em sua prosa, nas cartas que transformou em obras de arte. Ana pratica uma espécie de aproximação distante. De se entregar sem se revelar. “Não se confessa os próprios sentimentos”, alude em uma das tantas passagens em que a biografia, o trânsito entre a primeira e a terceira pessoa, o olhar ora matreiro, ora melancólico, esboçam uma tentativa de vida através das palavras, da literatura.

Do ponto de vista estrutural Ana visava a desarticulações de padrões, à impressão de uma estética moderna, solta, sub-reptícia, propositadamente maculada, viva, em constante transformação e longe dos vícios “literários”. Ana Cristina Cesar é o oposto da pompa, da literatice, e consegue conjugar no mesmo movimento rigor e audácia, elegância e despojamento. Essa convivência com a tradição pode ser constatada no uso de expressões populares e ditados nos escritos de Ana, aos quais ela condecora com uma nova roupagem ou as despe insolentemente. A presença da ruptura, da fragmentação, vão ao encontro da palavra mais “sentida” do que “pensada”.

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15 músicas brasileiras a favor do feminismo

“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher.” Simone de Beauvoir

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Não é de hoje que as mulheres bradam na música brasileira. O clamor pela igualdade e contra práticas abusivas vem de tempos remotos até os mais atuais. Ícones da cultura nacional influenciam e influenciaram nossas compositoras, como Leila Diniz, Elvira Pagã, Pagu e Luz Del Fuego, além de histórias cotidianas vividas por anônimas com as quais muitas se identificam; é o caso da “Maria da Vila Matilde” cantada por Elza Soares. Em verso, prosa e muito ritmo selecionamos 15 músicas brasileiras a favor do feminismo, através do talento incontestável de Rita Lee, Cássia Eller, Angela Ro Ro, Joyce, Marina Lima, Zélia Duncan, Adriana Calcanhotto e a provocativa Valesca Popozuda.

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3 músicas brasileiras contra o machismo

“Vontade de esquecer o que aprendi:
Os castelos lendários são paisagens
Onde os homens se aquecem. Sós. Sumários
Porque da condição do homem, é o despojar-se.” Hilda Hilst

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O histórico paternalista que rege o mundo é um dos responsáveis diretos pela perpetuação do preconceito contra a mulher e da elevação do homem numa escala de poder. Esse machismo atávico está presente no comportamento e na visão de mundo de pessoas de todas as classes e todos os gêneros. Felizmente para combater o senso comum e a reiteração de práticas de violência, a arte dá seu alarde, lança seu sino, seu dardo. No Brasil, vários compositores falaram contra o machismo. Elegemos Pepeu Gomes, Gilberto Gil e o intérprete Ney Matogrosso em 3 músicas que se destacam nessa seara.

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Romance De Três

“Primeiro é o beijo
Quente, procurando
A língua procurando a outra
E vendo se a boca combina
Se combina o beijo” Cazuza

Rene-Magritte-The-Lovers-1928

Posse
Na boca aberta estar dentro. Na boca de dentes e língua. Na boca molhada estar dentro. Na boca que é pura saliva. Na boca como na avenida. Libido dos dentes; tensão da língua. Os dentes que trincam. A língua que adoça a gengiva. A língua com seu sabor molhado. A língua se arrisca; entre os lados, o fim e o começo e, sobretudo, dentro. Dentro a língua; dentro da língua; a língua dentro. Língua de vida, língua saliva. E os dentes em seu cortejo. Abram alas para a língua. E os dentes em seu cortejo, na caverna da boca a língua-morcego. E os dentes em seu cortejo: mordem, arranham e soltam faísca. E os dentes em seu cortejo: marcam o corpo com o branco do leite. Abram alas para língua. Que desejo, que deseja… Dentro da boca, ser possuída…

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