Análise: 70 anos de Wanderléa, símbolo da música jovem e romântica

“Mas a minha linguagem é mais clara. Eu poderia te dizer aonde se entrecruza a lenta gramática e o teu sexo de gatas” Ana Cristina Cesar

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Não deixa de ser espantoso que Wanderléa chegue aos 70 anos ainda como símbolo da música jovem e romântica. Mas muitos também irão se surpreender ao descobrir, a essa altura, que a musa da “Jovem Guarda” nasceu em Governador Valadares, no interior das Minas Gerais. Conservando até hoje o epíteto de “Ternurinha”, a artista se mudou cedo, aos nove anos de idade para o Rio de Janeiro, onde tudo acontecia culturalmente, mas não foi a única mudança ao longo de sua trajetória. Talvez Wanderléa tenha permanecido justamente pelo paroxismo que permite aos clássicos o cotejo da imobilidade. Intérprete, sobretudo, de ritmos e gêneros altamente populares, a cantora soube conciliar aspectos de forte apelo emocional a uma elegância ao mesmo tempo comedida e ingênua. Sucessos como “Pare o Casamento” e “Foi Assim” poderiam facilmente sucumbir à banalidade se não recebessem o seu canto.

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Entrevista: Dulce Quental lança disco de inéditas com músicas antigas

“Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio-dia, só quem está pronto pro amor” Dulce Quental

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Dulce Quental prepara uma surpresa. Um disco de músicas inéditas com gravações antigas. Habituada ao paroxismo, a cantora de carreira espaçada retorna ao mercado fonográfico em grande estilo. Um dos motivos da ausência sentida encontra-se na incursão por outras áreas do conhecimento artístico, em especial a literatura.  “Eu gosto de escrever a beça. E acho que no futuro quando estiver cansada dos palcos irei só escrever. Tenho um livro de crônicas publicado e um romance (na ordem ‘Caleidoscópicas’ e ‘Memória Inventada’). Tudo feito de forma independente. Está por aí. Na ‘Amazon’ (empresa de vendas online). Fiquei cinco anos trabalhando nele. Mas foi muito sofrido o processo. É difícil demais escrever bem. Difícil ser simples. Ora dessas, eu volto. Estou de férias da literatura. Agora quero colocar a boca no trombone e cantar pra subir”, avisa. Como de costume, é bom não duvidar de Dulce.

Música e Maresia” compila 11 gravações realizadas entre 1991 e 1994, período em que Quental não lançou disco, mas que mesmo assim apareceu como a compositora de sucessos da banda “Barão Vermelho”, “Cidade Negra” e de Leila Pinheiro, Simone, Anna Carolina, Roberto Frejat e outros artistas. A artista explica porque só agora a cria verá a luz do dia. “Eu sempre tive o desejo de lançar um disco com essas gravações. Estava esperando o momento certo. Mas foi preciso um empurrão de amigos e colaboradores para acontecer. A gente não faz nada sozinho. Acho também que só estou conseguindo por causa do momento da indústria. A volta do vinil. A possibilidade de um artista independente lançar seu próprio selo e distribuir diretamente através de uma plataforma digital sem o intermédio de uma gravadora”, justifica. Muitas dessas canções permanecem inéditas apenas na voz de Dulce, já tendo sido lançadas por alguns dos nomes citados acima.

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Conto do prefeito que virou cavalo

“Ela fitou-o com seus olhos brilhantes, irracionais, exatamente como os olhos de uma criatura não-humana.” D. H. Lawrence

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O cheiro de leite leva ao chafariz. De pestana baixa: como bode espia o sujeito dos olhares fáceis e cavanhaque. Visto na chegada: despercebido, abobalhado. Camuflagem dos fatos não sabe nem enxerga o cargo no rapaz sem modos. Mal acaso torna os homens bobos figuras poderosas. Ou seriam figuras poderosas a elegerem os bobos? Toda forma, anda distraído, despista, no entanto, o trevo de quatro folhas no bolso do paletó xadrez-quadriculado. Hipérbole e pleonasmo mastigam como luta inteira no pasto, como vaca, as vestes, o capim, de lado imita cigarro. O bordel da dor é a saudade. Sanha do animal bisonho e estranhamente lerdo, ao subir ao palco, de improviso um palanque, intenções de inveja cercam as leitosas tetas, a escorrer.

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Caderno H2O – 10/06/2016

“Porque sim
Vale tudo na selva dos sentidos” Luhli & Lucina

Tempo1

Tempo
Escrevo hoje um português arcaico.
Sem arabesco.
Mas um mosaico.
Um português de ultimato, de fim de tarde.
Um português de Fernando.
E de Ricardo.
Um português que é de Campos. E de caiado.
Um português mal passado.
E fedorento.
Peço perdão aos monarcas.
Da língua pátria.
Sou hoje um refugiado.
Um sanfoneiro.

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Centenários 2016: Dilermando Reis tocou violão para emocionar

“De afetos imprecisos,/De repente tomados
À lua das vazantes/Num relance possessos
Possuídos/Inflamando o sentir
Recomeçando aquele, o mesmo canto.” Hilda Hilst

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Se o Brasil é tido como o país das cantoras é porque com a força de suas interpretações elas são capazes de tomar para si o protagonismo de composições alheias. Como para os apenas letristas é difícil se destacar nesse cenário, afinal de contas a música atinge seu cume quando se desmancha do papel e torna-se etérea através de sons, tanto mais o é para seus instrumentistas. Portanto não é pouca coisa que Dilermando Reis tenha se tornado, para além do violão, uma referência da música popular brasileira e a todos que admiram o gênero. Em pouco tempo ele deixou de ocupar a estante reservada aos aficionados e especialistas para se juntar a nomes tão populares em seu período áureo como Francisco Alves, Carmen Miranda e Luiz Gonzaga. Terá contribuído para isto o estilo, ou, antes a autenticidade, tão cara ao artista.

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