5 parcerias raras de Supla

“Desconfio, pois, dos contrastes superficiais e do pitoresco aparente; eles sustentam sua palavra por muito pouco tempo. O que chamamos exotismo traduz uma desigualdade de ritmo, significativa no espaço de alguns séculos e velando provisoriamente um destino que bem poderia ter permanecido solidário.” Wally Salomão

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Batizado Eduardo Smith de Vasconcelos Suplicy, filho da sexóloga, apresentadora e política Marta Suplicy e de Eduardo Suplicy, um dos senadores mais atuantes da história do PT, Supla sempre foi uma figura exótica no cenário da música brasileira, provavelmente por se considerar, ele próprio, um “bicho estranho” nesse meio. Identificado com a cultura norte-americana desde cedo, foi um dos primeiros a adentrar o universo punk com o apoio da mídia. Ao longo da vida Supla fez de quase tudo, e não se pode afirmar a presença inconteste da qualidade, mas se estabeleceu como uma autêntica celebridade. Cantou com Cauby Peixoto e Roger, da banda “Ultraje a Rigor”, participou de filme com Angélica e “Os Trapalhões”, além de escrever música com Cazuza. Abaixo apresentamos um pouco dessas raras parcerias.

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Análise: Umberto Eco foi celebrado como erudito e popular

“Para sobreviver é preciso contar histórias.” Umberto Eco

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Umberto Eco pegou o tempo em que era possível, com enorme arcabouço crítico e teórico, ser muito popular. Algo parecido com o que Caetano Veloso, Gilberto Gil e os tropicalistas experimentaram no Brasil na década de 1970. Caminhos que para a literatura, em qualquer parte do mundo, em geral, sempre foram muito mais difíceis do que para a música. Um exemplo claro é a citação ao queridinho das academias num dos romances mais célebres do italiano, “O Pêndulo de Focault”. Eco, também, desfrutou de prestígio incomum junto aos acadêmicos durante a maior parte de sua trajetória. E vendeu mais de um milhão de livros com seu romance “O Nome da Rosa”, traduzido para 43 idiomas, dentre eles, o português. Esses não foram os únicos feitos do filósofo.

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Crítica: exposição “Iberê Camargo – Um Trágico nos Trópicos” desfralda agonias de seu criador

“Se insisto em tal episódio, é porque ele faz compreender melhor que qualquer outro o estranho período da guerra, e como, mais que o pitoresco, impressionava-me a poesia das coisas.” Raymond Radiguet

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As concepções de pintura mudaram de forma brusca através dos anos, e com elas, a de beleza. O gaúcho Iberê Camargo pertence a uma das linhas mais radicas nesses termos, embora não se possa ligá-lo a nenhum movimento específico. Talvez seja justamente por esse descolamento conceitual que suas obras choquem e provoquem sensações extremas. Se a pintura é a arte da cor e da luz, em Iberê predomina o negro, ou, antes, a escuridão. Assim como o grotesco e o feio. As formas também assumem protagonismo de modo a exacerbar o caos, a angústia, a desconexão, o fim absoluto, nunca a harmonia.

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1 música para Dercy Gonçalves

“É a vida mais que a morte, a que não tem limites.” Gabriel García Márquez

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Dercy Gonçalves talvez seja das poucas artistas da história que conseguiu atravessar as décadas tornando-se cada vez mais popular. A imagem que ficou é a da senhora de mais de 100 anos, desbocada e irreverente, mas esse humor escrachado e cheio de improvisos já era uma das marcas da atriz quando ela surgiu para a chanchada brasileira na década de 1950, e atuou em peças e “teatros de revista” hilários ao lado de nomes como Oscarito, Grande Otelo e Zé Trindade, seu par mais repetido nas telas de cinema. Dercy fez de si a própria personagem, uma mulher que rejeitou todos os estereótipos e limites que se impunham ao gênero e transformou a graça em receita de vida. Com sua voz peculiar e delirante foi tão livre que se aventurou, inclusive, na música.

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Crítica: espetáculo “Dente de Leão”, do grupo Espanca!, erra e acerta no deboche

“O jovem, justamente por ser mais agressivo e ter uma potencialidade mais generosa, é muito suscetível ao totalitarismo. Eu só me acho parecido comigo até os dez anos e após os trinta. Eu já era o que sou quando criança. Na adolescência eu me considero um pobre diabo, uma paródia, uma falsificação de mim mesmo. Por isto, digo aos jovens: não permaneçam muito tempo na juventude que isto compromete.” Nelson Rodrigues

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Os “ares de superioridade” que caracterizam a adolescência acabam por contagiar os envolvidos na peça “Dente de Leão”, uma montagem do grupo “Espanca!” com texto de Assis Benevenuto e direção de Marcelo Castro. Em ambas as funções fica nítida a ambição pela originalidade. Não é fácil abordar, no teatro ou em qualquer outra arte dramática, esse período da vida, sobretudo pela tendência ao piegas e à demagogia, mas ao comprar esse ideal juvenil sem ressalvas, ou até certa reserva, o próprio espetáculo se ressente de um senso crítico mais apurado e menos moralista. Embora na forma de perguntas, as principais interlocuções das personagens denotam mais certezas do que dúvidas, o que os leva ao inevitável didatismo que aspiram combater. Dentre as discussões aludidas, destaca-se a da representação.

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