A música carnavalesca de Lamartine Babo

“Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora (…)
Canto, pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza, que mora no teu coração” Alberto Ribeiro, Braguinha & Lamartine Babo

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Não é preciso tocar um instrumento para ser um grande músico. Que o diga o carioquíssimo Lamartine Babo, de quem, sobre sua relação com a festa mais popular do país, Braguinha disse: “existe o carnaval antes e depois de Lamartine”. Em marchinhas, valsas e samba-canções, Lamartine puxa o desfile: “A tua pena não nega Lalá, tu és músico com louvor!”.

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Lenda do norte de Minas

“mas o reino da fantasia, assim como o da realidade evidente, pertence às bruxas.” Reinaldo Arenas

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Opulento, rústico, forte, grosseiro, mas afável. Adula o gesso da forma e não encontra meios para conter o ronco do motor. Faltam-lhe modos. De certo, faltam-lhe modos. Sem mover um músculo da face, herança e álibi dos escravos, Francisco desfia a mais interessante renda do céu de Santa Maria:

“– Numa noite silenciosa e larga, um menino saiu pelado pelas ruas da cidade gritando que tinha visto o diabo. As carolas ficaram rubras e desconjuraram o rapaz que antes era menino, mas agora que viam suas vergonhas eretas e hereges ele se transformara no mal e na moral (ou na falta dela) exposta e perturbadora. Mesmo com a revolta de todos contra ele, o menino pelado prosseguiu gritando que o diabo estava ali, à sua frente, rendendo a gôndola do mar invisível de Santa Maria, como roíam os ratos a terra amarela que ali se tinha. O padre foi o primeiro a ser chamado para contê-lo e usou de suas febres crentes:

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Crítica: “Miniconto” apresenta fusão inédita de dança, ginástica e música

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.” Fernando Pessoa [Ricardo Reis]

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Analisando a obra de Júlio Bressane o crítico de cinema Inácio Araújo afirma ser dispensável o entendimento para compreensão de uma obra de arte. Mais do que isto, muitas vezes a maneira como as pessoas buscam entender uma obra serve de barreira, e não colo ou aceitação, no sentido de entrar em contato, com o que o autor propôs; isto estando aberto, inclusive, às possibilidades inerentes ao repertório de cada espectador, anulando-se a perspectiva vertical, “de cima para baixo”, em prol da horizontalidade. Em certa medida é o que se constata no expediente do duo curitibano “Miniconto”, formado por Karla Díbia e Daniel Amaral, inclusive na característica mais concreta do trabalho, para a qual a música “Canto” ganhou clipe já em rotação.

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Crítica: “Papo de Segunda” lança olhar cômico e enviesado para qualquer assunto

“Quando for fazer um agrado a um amigo ou a uma criança, dê-lhes o que eles gostam, nunca o que seja bom para eles.” G. K. Chesterton

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Um dos conceitos básicos implementados pela dramaturgia clássica foi a criação de tipos. Ou seja, a congregação de características ao mesmo tempo diversas e complementares. É possível percebê-la, sobretudo, na comédia, de que são exemplos os filmes dos Irmãos Marx e dos Trapalhões, em que se distingue nitidamente na versão brasileira a presença marcada do nordestino, do negro e sambista do morro, do carioca metido a galã e do homossexual infantil. Conformação que atende às novelas românticas e até as chamadas “mesas redondas”, inventadas na televisão brasileira para o debate esportivo. Nelson Rodrigues, João Saldanha e Armando Nogueira protagonizaram uma das mais emblemáticas do gênero. O “Papo de Segunda”, transmitido pelo canal fechado GNT na segunda-feira das 22h às 23h, não foge a esse contexto.

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Análise: 80 anos de Zé do Caixão, rei do terror nacional

“como se estivesse tentando escapar do sopro sufocante de um pântano ou do hálito pestilento de uma praga.” Edgar Allan Poe

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Se é verdade que o Brasil nunca teve tradição em cinema de terror, também o é que um de seus cineastas mais tradicionais pertence ao gênero. Afora as características da originalidade e raridade, que já garantiriam vulto à obra de José Mojica Marins, colado à personagem que criou para realizar o desejo de filmar histórias mórbidas; é, sobretudo, a abordagem que sugere para Zé do Caixão lugar de destaque em nossas artes. Rogério Sganzerla teve a sabedoria de utilizá-lo como ícone em películas de seu “Cinema Marginal”, valendo-se de sua figura mítica, enquanto Ivan Cardoso sofreu influências do estilo de interpretação francamente marcada e caricatural. Nisso tudo o caráter brasileiro de folclores e lendas impõe-se sobre universo de escuridão pouco identificado à terra.

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