Crítica: música do “Tao do Trio” desfia harmonia celestial

“desculpe a hora
em que vim lhe acordar
É que o sol
vem tingindo de ouro
a barra do mar” Lydio Roberto & Etel Frota

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Antes de dizer, já sabemos. Que Etel Frota é poeta. Que a música é de Curitiba. Essa evocação celeste que permeia todo o disco do “Tao do Trio”, formado por Suzie Franco, Fernanda Sabbagh e Cris Lemos, e que se dedica inteiramente pela primeira vez ao cancioneiro de uma mulher, permite-nos aferir conjecturas que vão além do visto, pois sobrepuja alguma coisa do instinto. É de se sublinhar a intimidade com que as vozes nos laçam logo à primeira ouvida. Por isso lhe percebemos o sotaque “terreiro e universal”. “Flor de Dor” capta em harmonias delineadas por Vicente Ribeiro, responsável pelos arranjos e a direção musical, o lirismo de uma poetisa que trama suas histórias.

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3 músicas brasileiras para a Páscoa

“Ainda em desamor, tempo de amor será.
Seu tempo e contratempo.
Nascendo espesso como um arvoredo
E como tudo que nasce, morrendo

À medida que o tempo nos desgasta.

Amor, o que renasce.
Voltando sempre. Docilmente sábio
Porque na suavidade nos convence
A perdoar e esperar. Em vida. In pace.” Hilda Hilst

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Para além das adaptações de mercado, o sentido da Páscoa, principalmente em sua tradição cristã e religiosa, está ligado ao renascimento, ao recomeço e, principalmente, à ressurreição de Cristo, três dias depois da sua crucificação. No calendário católico, a Páscoa, celebrada aos domingos, é precedida pela Semana Santa, a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia, repercutindo o martírio do filho de Deus e sua apoteótica consagração. Muito representada nas artes plásticas, principalmente no período da Renascença, por pintores e escultores, a Páscoa também encontra consonância na música do Brasil. Alguns de nossos mais celebrados compositores trataram de ressaltar a continuidade da vida e seu ciclo infinito em canções populares. Listamos abaixo três das mais significativas, por voz e verso dos nossos artistas.

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Crítica: Livro “Harmonia das Vozes” valoriza a música mineira

“Creio que é de água a raiz do vento,
Pois não soaria tão profundo
Se produzido pelo firmamento;
Os ares não contêm oceanos
Ou entonações mediterrâneas –
Mas, para o ouvido da corrente,
Há uma convicção marítima
Na atmosfera, por dentro” Emily Dickinson

Capa Livro Harmonia das Vozes

Rogério Leonel não nasceu ontem, já está na estrada há algum tempo. Para ser exato contabiliza quase meio século de carreira ligada à música. Um desses momentos cruciais aconteceu quando o violonista e compositor escreveu, no final da década de 1970, seus primeiros arranjos para o “Festival Ponteio”, promovido pela UFMG. Daí por diante não abandonou mais o ofício, e dedicou especial atenção aos arranjos para vozes. Trabalho que recebe agora a devida documentação e registro com o lançamento do livro “Harmonia das Vozes”, em que Leonel debruça-se sobre 20 canções de compositores mineiros. O projeto contou com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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Análise: 90 anos de Jerry Lewis, o rei da comédia

“A graciosa besta humana perde o bom humor, ao que parece, toda vez que pensa bem; ela fica ‘séria’!” Nietzsche

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Para se ter uma ideia da força de Jerry Lewis basta uma estória verídica contada por Orlando Senna, à época diretor da “Escola de Cinema” cubana. Diz o brasileiro que embora a “linha dura” do regime fosse terminantemente contra, o governo decidiu por permitir a exibição de um filme do ator e humorista norte-americano, mas tomou as devidas providências. “Como era uma comédia deslavada, instruiu os militantes a lotarem as salas, mas com uma condição, que não rissem durante todo o filme, pois desta forma a atração ficaria desmoralizada”, recorda e completa que estes se esforçaram sinceramente para conter a atração de cair na gargalhada. Porém, foi em vão.

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A música carnavalesca de Lamartine Babo

“Canto pelos espaços afora
Vou semeando cantigas
Dando alegria a quem chora (…)
Canto, pois sei que a minha canção
Vai dissipar a tristeza, que mora no teu coração” Alberto Ribeiro, Braguinha & Lamartine Babo

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Não é preciso tocar um instrumento para ser um grande músico. Que o diga o carioquíssimo Lamartine Babo, de quem, sobre sua relação com a festa mais popular do país, Braguinha disse: “existe o carnaval antes e depois de Lamartine”. Em marchinhas, valsas e samba-canções, Lamartine puxa o desfile: “A tua pena não nega Lalá, tu és músico com louvor!”.

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