Crítica: exposição em homenagem a Lêda Gontijo revela caráter jovial da artista

“A rosa em seu destino, eu a persigo
Em direção aos reinos que inventei.” Hilda Hilst

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Viva, produtiva e jovial. Aos 101 anos de idade a escultura, pintora e ceramista mineira Lêda Gontijo, natural de Juiz de Fora, no interior do estado, recebe exposição em sua homenagem. “Força Estranha”, em cartaz na Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube até o dia 8 de maio, com entrada franca, prima, em primeiro lugar, pela ambientação, com farto material sobre a vida e obra da artista, onde se incluem depoimentos dela própria, em linguagem simples e emocionada, tanto em vídeo quanto nas paredes do local, decisão criativa e rara que causa um efeito ainda maior junto ao espectador, capaz de, logo de cara, aproximar-se. É aí que a exposição dá conta da face mais reveladora de Lêda, artista na acepção da palavra, clássica e contemporânea.

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Centenários 2016: Murilo Rubião causou fascínio e espanto com literatura fantástica

“Eu, que podia criar outros seres, não encontrava meios de libertar-me da existência.” Murilo Rubião

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Se a vida bastasse uma expressão como o jornalismo seria suficiente. Ou, ainda, os fatos nos contentariam. É notório, porém, que o homem vive pela imaginação, e sobrevive, principalmente, através dela. Mineiro do Carmo, Murilo Rubião foi um sujeito comum, pacato, simples, descrito pelos amigos com certos adjetivos nada representativos de sua obra literária: tímido, quieto e até, pasmem, de poucas palavras. Não foi o único escritor de poucas palavras. Rubião publicou, ao longo de toda a vida, 33 contos, concisos e variados, com uma característica em comum, o fantástico que mais tarde se perceberia com outra nitidez nos textos do argentino Julio Cortázar e do colombiano Gabriel García Márquez. Noutras décadas, Murilo teve algumas obras adaptadas para o teatro, o cinema e a televisão, e traduzidas em inglês, espanhol e até alemão.

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A homossexualidade na música brasileira: da década de 30 aos anos 2000

“Mas viver como flores refletidas,
como luar,
livre de todas as possessões nos afetos” Ezra Pound

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Década de 30:

1- Mulato bamba (samba) – Noel Rosa:
Esse samba de 1931 é a primeira música de relevante importância para a música popular brasileira no que diz respeito à representação do homossexual. Noel Rosa a compôs como forma de homenagem a Madame Satã, famoso capoeirista e malandro homossexual da Lapa. Como já foi dito, a canção é uma homenagem e retrata o homossexual de maneira respeitosa e até com certa admiração. Interessante notar que foi feita em um meio musical (samba) e uma época (década de 30) extremamente conservadoras.

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Alvarenga de 6 às 2

“Comemorando dolorosamente uma nova década numa única multidão selvagem.” Jack Kerouac

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Se a bebida é a melhor amiga do homem, por certo é uma amiga muito ciumenta, o que explica a ressaca. De toda forma, não convém desmentir os poetas. A verdade é que não sei como saí dali. Passavam das quatro horas da tarde quando comecei a remendar os cacos da noite anterior e, embora estivesse na minha cama, ou algo parecido com isto, minha sensação era a de ainda estar naquele ambiente de outrora. Engraçado como a lembrança muitas vezes se dá por outros sentidos que não a visão. Muito embora as imagens fossem embaçadas o paladar mantinha-se na minha boca, assim como o aroma daquelas cervejas especiais. Pouco a pouco as recordações me reconstruíram o mosaico. Evidente que não garanto a verossimilhança deste relato, afinal de contas não estava no amplo domínio de todas as minhas faculdades. Mas se nos ativéssemos apenas aos fatos, quanto desperdício…

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Análise: Ícone da música negra Billy Paul falou com afeto aos corações

“tudo o que é amor suave e sentimento
e pejo pintarei de rosa e negro:” Jorge de Lima

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Quase quarenta anos depois do sucesso de “Me & Mrs. Jones”, Amy Winehouse deu a sua versão dos fatos. Inspirada pela canção trocou o gênero de senhora para senhor e, como sempre autobiográfica, desabafou sobre as desventuras e cicatrizes de sua vida amorosa. Além do título similar, o suingue e a influência da música negra marcam as duas canções. Porém, a diferença se mostra mais forte na audição. Billy Paul, intérprete do sucesso de 1972 envereda pela seara romântica e oferece um canto sutil e suave à trama, enquanto Amy não nega suas raízes blues e derrama roucamente toda a voz.

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