24 Sucessos de Chico Buarque

“Que vive nas ideias desses amantes/Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados/Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes/Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos/Em todos os sentidos” Chico Buarque

Chico Buarque é um dos compositores que mais acumula sucessos no Brasil

Se a história da música popular brasileira possui uma linhagem, nela não pode faltar o nome de Chico Buarque de Hollanda. Filho do historiador Sérgio Buarque – e irmão das também cantoras Miúcha, Cristina Buarque e Ana de Hollanda – o garoto prodígio da canção nacional, como era de se esperar, começou cedo. Enfileirou sucessos desde o princípio da carreira, nos anos 1960, auge da bossa nova, passando por vários ritmos, gêneros e inclusive movimentos musicais, alinhavando parcerias com nomes como o poeta Vinicius de Moraes, o maestro Tom Jobim, o dramaturgo Ruy Guerra e o tropicalista Gilberto Gil, além de outros compositores de peso, tais como Milton Nascimento, Francis Hime e Edu Lobo. Mas Chico Buarque foi e ainda é por si só um emblema, símbolo da qualidade musical tanto em texto quanto em melodia. Não se considera um poeta, nem é preciso, as músicas o confirmam.

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Como democratizar o Teatro no Brasil?

“A rã queria ser um passarinho.
Só se for em teatro, meu amor.
Em teatro você faz o passarinho
e eu faço a rã.
Teatro não é troca de experiências?” Manoel de Barros

Grupo Maria Cutia se apresenta em espaço aberto

Há que se praticar preços populares. Mas não é o suficiente, como comprova a experiência atual. Também há que se compreender que democratizar não passa só por torná-lo popular, mas, sim, em incentivar e alcançar o acesso de pessoas que pertençam a diferentes camadas sociais e grupos. Não raras são as montagens de caráter contundente e forte apelo no tangente a dramas sociais do país – como os relativos a preconceitos de toda ordem, exemplificando-se os contra gays, lésbicas e mulheres – e em que se presume que os ouvidos e olhos mais necessitados de encontrar tais discursos se encontram longe daquelas plateias. Também não é novidade espetáculos de expressiva adesão numérica, mas todos, por assim dizer, do mesmo algarismo, ou do mesmo alfabeto, mantendo inócua e ineficiente a tal democratização do teatro que é, ainda, e, sem dúvida, uma das artes mais restritas a guetos. Infelizmente.

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Análise: 80 anos de Moacyr Franco, do riso ao choro

“Ainda ontem chorei de saudade…
Relendo a carta e sentindo o perfume…
O que fazer com essa dor que me invade?
Mato esse amor ou me mata o ciúme…” Moacyr Franco

O cantor, humorista e autor Moacyr Franco

“Saio da montanha, mas a montanha não sai de mim” é um ditado inventado que poderia facilmente ser atribuído a Moacyr Franco. Embora tenha deixado Ituiutaba, no interior das Minas Gerais, há uns bons tempos, o artista jamais se furtou de carregar certo semblante típico dessas paragens. E isto para quem se especializou em desenvolver mais de uma atividade artística, como se todas formassem os “cinco dedos da mesma mão”, parodiando Jô Soares. Franco surgiu como ator, explodiu como cantor, assentou a carreira de compositor, arriscou-se na apresentação e traçou até passos sérios, como político filiado a diversos partidos. Para as duas condições que mais exercitou, entre a música e a dramaturgia, alcançou sucesso através de características díspares, sendo motivo de riso numa e oferecendo sensações para o choro noutra. Pura arte. Moacyr é contemporâneo da época de ouro do rádio no Brasil, e certamente influenciado por essa vertente levou os ensinamentos aprendidos tanto para a televisão quanto a música. Discípulo do bordão, da marca, da canção narrada.

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3 músicas políticas de Martinho da Vila

“Dinheiro, pra quê dinheiro?
Se ela, não me dá bola,
Em casa de batuqueiro,
Só quem fala alto é viola…” Martinho da Vila

Martinho da Vila interpreta sucessos em show

Martinho da Vila exibe trajetória singular na música brasileira por ter, no meio do samba – a mais tradicional manifestação popular brasileira – costurado estilo facilmente identificado à sua pessoa, tanto na maneira de viver como na de pronunciar-se. Alterando o andamento do ritmo, puxando-o “para trás”, em suas próprias palavras, concedeu ao gênero toda a malemolência e ginga características do povo, trazidas de Angola por seus ancestrais. Com esta mesma calma, Martinho jamais deixou de posicionar-se em relação à suas crenças musicais, religiosas e, consequentemente, políticas. É sem dúvida um dos artistas que mais contribuiu para a questão, seja para falar de dinheiro, racismo e os mais diversos preconceitos de gênero e sexualidade. Apreciar a música de Martinho da Vila, além de divertimento, também é aula de história.

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O destino das cartas de amor

“O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que refletia outrora tantos risos,
E agora reflete apenas pranto,” Florbela Espanca

"Vênus ao Espelho", do pintor espanhol Diego Velázquez

Com preconceito diz o pai de Maria que moça bonita só estuda para escrever carta ao namorado. Mas não há privilégios nessa categoria de declaração do amor: as feias também. Maria é uma enrustida senhora, pois não se sente ou veste-se como tal. Maria é, ainda, simplória, portanto as vestes não traduzem uma exibição. Maria o é assim: natural. E quantas pessoas são naturais? Tão difícil, umas dores áridas, umas esparsas falas falsas. Que mal assina o nome. Rabisca e também rabisco por semelhante analfabetismo, discípulos da fantasia. Lábios de Maria onde ardem promessas dos amantes que a abandonaram embuchada, farta de prole. Os filhos de Maria, estes estudaram. Mas Maria enxerga nas cartas escritas as cartas não escritas, os pretendentes espantados a espingarda e bombinha, o passado que não se deu por inteiro.

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