10 Clássicos da Festa Junina

“O rito acontece quando um poema, achando que as palavras não bastam, se encarna em gestos. Um rito é um poema transformado em festa.” Rubem Alves

Clássicos da música brasileira para festa junina

Comemorada no Brasil desde o período colonial e trazida pelos portugueses, as festas juninas adquiriram, com o tempo, características típicas do país, pródigo, justamente, em misturar influências. Além de saudar os santos, pular a fogueira em trajes alusivos à vida no interior, adornar de balões o cenário e se deleitar com canjica, quentão e milho, não falta às comemorações muita música. E talvez seja na canção aonde mais se faça notar a absorção brasileira. Fortemente baseada em gêneros nordestinos, as festividades do mês de junho legaram alguns clássicos para o cancioneiro nacional, que contemplam de Luiz Gonzaga a Lamartine Babo, com a presença de Moraes Moreira e Assis Valente. As décadas abarcam, principalmente, os anos 1930, e vão até os 1980.

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Aniversário de Waldir Silva é celebrado com relançamento de disco

“Anjos que carregam flautas,
Choro de metais,
Que vem em cordas, versos,
Clara sabiá
Na alvorada das
Gerais” Raphael Vidigal & André Figueiredo

Álbum em homenagem a Waldir Silva tem letras de Raphael Vidigal

Falecido há quatro anos o músico mineiro Waldir Silva, natural de Bom Despacho e conhecido como o “Cavaquinho de Ouro”, completaria 86 anos no próximo domingo, 28 de maio. É nessa data que será relançado o disco “Waldir Silva em Letra & Música”, a partir das 14h, na “Asa de Papel Café & Arte”, espaço cultural situado na rua Piauí, 631, Santa Efigênia. O CD será vendido a R$20,00, por meio de cartão ou dinheiro, e a entrada ao local é gratuita.

O álbum traz algo peculiar na discografia do instrumentista, por ser o único cantado. Raphael Vidigal, que produziu e foi responsável por colocar letras (ao lado de André Figueiredo) nas músicas instrumentais de Waldir Silva, é quem irá autografar o disco, além de contar sobre todo o processo e revelar curiosidades, como a parceria com Zé Ramalho (na música “Paraibeiro”) e a canção criada por Waldir para ser tema do projeto “Minas ao Luar” (de mesmo nome, interpretada por Carla Villar). Cátia Magalhães, filha e herdeira do músico, que deu todo o apoio para essa empreitada, também estará presente.

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Análise: Kid Vinil orbitou a cena e influenciou outras estrelas

“E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.” Ferreira Gullar

Kid Vinil e seu acervo musical

Kid Vinil foi dessas figuras que orbitam a cena sem se preocupar, necessariamente, em estar no centro. Se emplacou dois sucessos no posto de vocalista da banda Magazine, ambas no estilo de crônica e tendo como pano de fundo a cidade de São Paulo – com “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso” – sua contribuição para além da própria carreira certamente foi mais efetiva, e se estendeu até outras estrelas. Além de influenciar gerações que empregaram ou mantiveram os preceitos do rock com as informações imprescindíveis para se entender essa história, repassadas através de suas participações no comando de programas de rádio e televisão, Kid lutou para adiar ao máximo o arrefecimento do gênero consagrado nos anos 1980 em seu país, movimento do qual fez parte dentro e fora dos palcos.

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O Amigo da Onça

“O fantasma é um exibicionista póstumo.” Mario Quintana

Nem que a vaca tussa existe país no mundo mais pródigo em ditados do que esta terra de cego aonde quem tem um olho é rei. Dizem que este ouro em pó, tal diamante de sangue, como madeira de lei, é herança dos escravos trazidos da África, que não tomavam manga com leite e para tirar leite de pedra se comunicavam uns com os outros dessa maneira sem ter de engolir o sapo. Se quem veio antes, o ovo ou a galinha, não convém reclamar de barriga cheia, porque quem pega no pé ainda lhe puxam a orelha. São ossos do ofício, e dá pano pra manga tentar dar um nó em pingo d’água, coisa de quem tem um parafuso a menos. É muita cara de pau fazer um negócio da China a preço de banana. Segura que lá vem chuva de canivete. Já vi gente ficar tanto tempo com uma pulga atrás da orelha que acabou soltando os cachorros. Tinha o diabo no corpo. É como dizem, quem cedo madruga, Deus ajuda. Quem tarde se deita, o diabo aceita. Força de expressão, ou fraqueza do espírito de porco. Cada macaco no seu galho é a receita ensinada para não ter de pagar o pato.

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Crítica: peça “Sem título, óleo sobre tela” promove alegoria da situação política

“Imagine se vocês que escrevem fossem independentes! Seria o dilúvio! A subversão total. O dinheiro só é útil nas mãos dos que não têm talento. Vocês escritores, artistas, precisam ser mantidos pela sociedade na mais dura e permanente miséria! Para servirem como bons lacaios, obedientes e prestimosos. É a vossa função social!” Oswald de Andrade

Peça debate situação política do país

Datada de 2014, quando foi encenada pela primeira vez, a peça “Sem título, óleo sobre tela” parte de uma premissa política sem se prender exclusivamente a ela. A questão temporal também não engessa a montagem, que tem o mérito de oferecer elementos capazes de se conectar às várias sensibilidades. Dito isto, escapa da redoma que invariavelmente distancia o teatro que propõe certo engajamento nos últimos tempos, sem dar voltas ao redor de discurso cujo alvo é justamente o isolamento e a criação de nichos por parte das classes dominantes. Com uma dramaturgia, a rigor, simples, todo o potencial da trama está contido no subtexto e, nisto, o texto tem habilidade ao selecionar palavras que jamais se encerram em apenas um sentido. Assim como os gestos, já que o humor físico é uma das apostas feitas para trazer a reflexão através de risos.

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