Letrux: “A prisão do Lula faz parte desse grande golpe em que estamos inseridos”

“Mas ela teve piedade de um covarde tolo,
Alimentou seu fogo,
Manteve suas brasas vivas.
O tempo é o mal.” Ezra Pound

As coincidências rondam a história de Letrux, 37, com Marina Lima. “Conheci a Marina no Hotel Marina”, diverte-se Letrux, ao relembrar o primeiro encontro, em 2008, no bairro Leblon, no Rio de Janeiro. A união musical se concretizou com “Puro Disfarce”, faixa de “Em Noite de Climão” (2017), que servirá de base para o show da dupla no Sarará. “Marina é minha madrinha musical. Amo como funciona a cabeça dela”, afirma Letrux. Preparando videoclipes para todas as canções de seu disco mais recente, a compositora promete gravar o sucessor de “Em Noite de Climão” em novembro e lançar, em breve, o single “Ouro Puro”, gravada por Elba Ramalho em 1989. Na entrevista abaixo, a artista multifacetada fala sobre encontros musicais, as características de sua geração, política, perseguição e censura à comunidade LGBT e defende a libertação do ex-presidente Lula.

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80 anos de “Aquarela do Brasil” em 10 curiosidades

“Quando o almirante Cabral/Pôs as patas no Brasil/O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris./Quando ele voltou da viagem/O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:/‘Não faz mal, isto é boa gente,/Vou arejar outra vez.’
O anjo transpôs a barra,/Diz adeus a Pernambuco,/Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim/Mas deu um vento no anjo,/Ele perdeu a memória…
E não voltou nunca mais.” Murilo Mendes

A rabugice de Ary Barroso (1903-1964) era conhecida, tanto que na biografia do compositor, escrita pelo jornalista Sérgio Cabral, conta-se o seguinte episódio: em seus últimos dias de vida, Ary telefona, do hospital, para o amigo David Nasser, e avisa: “- Estou me despedindo, vou morrer”. “Como é que você sabe?”, retruca Nasser. “- Estão tocando as minhas músicas no rádio”, devolve Ary.

Paródia
De tão lendário, o comportamento ranzinza acabou dando trela para um quadro no espetáculo do comediante José Vasconcellos, que imitava Ary no aguardado instante em que, durante o seu programa radiofônico e de TV “Calouros em Desfile”, ele recebia um participante. Sucedia-se o diálogo:

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7 curiosidades sobre João Gilberto

“Então houve um silêncio. Olharam-se; e seus pensamentos, confundidos na mesma angústia, abraçaram-se com força, como dois peitos palpitantes.” Gustave Flaubert

Tiete, o rapaz não titubeou ao avistar o poeta: o chamou de mestre, pediu um autógrafo e guardou a preciosidade num envelope pardo. Poucas horas depois, assim que chegou aos estúdios da gravadora Odeon, no Rio de Janeiro, largou com displicência a assinatura de Carlos Drummond de Andrade em um canto qualquer e nunca mais a avistou nem se preocupou com isso. O rapaz era João Gilberto (1931-2019), Papa da Bossa Nova. Essa e outras histórias são contadas na entrevista a seguir, concedida pelo jornalista Raphael Vidigal à repórter Jessica Almeida.

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Entrevistas: A nova música mineira feita por mulheres

“Eu, mulher dormente, na líquida noite
alargo a ramagem de meus cabelos verdes.
Sigo dentro desse cristal ondulante,
contida como o som nos sinos imóveis.” Cecília Meireles

Para ninar o “filhote que acabava de chegar ao mundo”, Elisa de Sena, 37, compôs, em 2016, “Meu Preto”, quando o seu filho tinha apenas 2 meses. “Eu estava imersa na maternidade e na amamentação, sem dormir à noite, com 24 horas por dia de dedicação a ele”, conta Elisa. Luiza Brina, 31, também passou noites em claro. A morte do menino sírio Alan Kurdi, de 3 anos, numa praia da Turquia, em setembro de 2015, expôs ao planeta o drama dos refugiados e tirou o sono da cantora. A dor daquela imagem foi transformada por Luiza em “Estrela Cega da Turquia” (parceria com Thiago Amud), em que ela canta: “Nem incenso, nem ouro, nem manjedoura, nem altar/ Numa praia fria da Turquia/ Eu vou ninar um menino à beira-mar”.

“Gosto de aprender e me deixar absorver, para isso se refletir na minha música”, diz Luiza. Ao citar mulheres que lhe serviram como referências, a guitarrista e vocalista da banda Moons, Jennifer Souza, 31, enumera Billie Holiday, Cássia Eller, Elis Regina e Björk, e não deixa passar o nome da conterrânea e contemporânea Luiza Brina. “É sempre encorajador ver mulheres ocupando posições que foram majoritariamente ocupadas por homens”, destaca Jennifer. Abaixo você confere as entrevistas com essas três artistas lançam trabalhos novos.

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Joyce Moreno: “Nunca tinha visto um governo com este ódio à cultura”

“Procuro palavras para definir o que sinto e não encontro. Talvez elas nem sequer existam, talvez seja apenas um fluxo mais forte de vida abrindo os sentidos, embrutecendo o raciocínio.” Caio Fernando Abreu

Logo que surgiu, a cantora Joyce Moreno, 71, chamou atenção por ser uma mulher dona do próprio discurso. Ou seja, além de cantar, ela era a autora de obras que, com melodias inspiradas na bossa nova e uma lírica particular, desvendavam o universo feminino sob o prisma único da mulher que se colocava como detentora dos próprios desejos e vontades. Ao festejar, em 2018, os 50 anos de seu LP inaugural, ela decidiu regravá-lo na íntegra. Ali estava presente “Me Disseram”, que integra a sétima coletânea da Mostra Cantautores. Joyce comemora o lançamento mas, com todo seu tempo de estrada, se revela preocupada com a valorização da autoria, grande mote da mostra.

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