As diferenças do humor na internet e na televisão

“As lágrimas do mundo têm uma constância imutável. Assim que um acaba de chorar, em algum outro lugar outro começa. É a mesma coisa com a risada. Portanto, não vamos falar mal de nossa época; ela não é pior que as anteriores. Mas também não vamos falar bem dela. Não vamos falar nada.” Samuel Beckett

Programas de humor proliferam na internet

Nas últimas semanas Marcelo Adnet e Fábio Porchat estrearam programas de entrevista e – vá lá, – variedades na televisão. Júlia Rabello estreou atração que se pretende misto entre realidade e ficção. Já no caso de João Gordo foi uma reestreia, de volta à condição de entrevistador em rede televisiva, ele que, nos últimos anos, além de um programa de rádio, seguia comandando o modelo, porém na internet. Tatá Werneck, também humorista, teve tal experiência ao lado de Porchat, sob o simbólico título de “Tudo Pela Audiência”, em que o motivo do deboche era o próprio veículo. Afinal de contas, com toda a ascensão da internet a TV ainda atrai mais espectadores, ao menos em números brutos. Mas eles nem sempre fornecem toda a verdade.

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Análise: 70 anos de Beth Carvalho, madrinha do samba de terreiro

“Você vale ouro, todo o meu tesouro,
Tão formosa da cabeça aos pés,
Vou lhe amando, lhe adorando,
Digo mais uma vez,
Agradeço a Deus por que lhe fez…” Jorge Aragão, Almir Guineto & Luiz Carlos

Beth Carvalho completa 70 anos em 2016

Beth Carvalho é, definitivamente, a voz dos sambas animados. Ou, ao menos, a que mais se identifica com o gênero assimilado como pagode, o que originalmente referia-se às rodas de samba e ao encontro de vários músicos em clima descontraído, com muitas bebidas e tira-gostos. Contribuiu para tanto a ligação da intérprete com o morro do Cacique de Ramos, donde foi pescar pérolas de Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço, Xande de Pilares e outros, em história mais do que conhecida e repisada pelo clamor nacional. É certo que esse pagode tomou o lugar destinado, em tempos idos, às marchinhas, com suas canções rítmicas, entusiasmadas, de letras simples a versar sobre os costumes, daí entende-se a força de seu apelo popular. Beth Carvalho representa, nos dias atuais, o que representaram Marlene e Emilinha. Voz das camadas populares a se estender democraticamente com sua música.

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7 músicas para a Independência do Brasil

“Vamos tocando assim mesmo,
Nosso dia há de chegar.
A terra e a gente são boas…
Deus até nasceu aqui.” Murilo Mendes

Artistas do país cantam músicas sobre o Brasil

Na terra que tem palmeiras onde canta o sabiá também cantaram portugueses, índios, negros, mulatos e mamelucos. De toda essa mistura, desde que aspira à sua independência, o Brasil já teve também diversos ritmos, passou pelo samba, o forró, o rock, foi da exaltação à crítica, da esperança ao desconsolo. Porém não se pode negar a riqueza de seu povo, quanto mais musical, não é qualquer país que pode se gabar de ter um Ary Barroso, Assis Valente, Carmen Miranda, Clara Nunes, Paulo César Pinheiro, Cazuza, Milton Nascimento e Renato Russo, além dos “Novos Baianos”. Por sorte e por graça a música das palmeiras onde canta o sabiá depende deles, e de seu som puro.

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Crítica: Apartamento “302” dá voz a mulheres brasileiras

“a poesia
me come
me penetra
me descobre me revela
gozando em cima de mim
mas eu não cuspo:
engulo” Bruna Kalil Othero

Programa 302 vai ao ar no Canal Brasil toda sexta-feira

A proposta é simples, e o trabalho também – ao menos aparentemente, mas o que fica claro é que há bem mais que aparência. Fotografar mulheres nuas em um ambiente arejado, puro, caiado. Tudo para que elas se sintam à vontade, e os recursos apontam nessa direção. Jorge Bispo, reconhecido fotógrafo do gênero, afirma na apresentação que tinha por princípio “abrir a casa para fotografar mulheres de verdade”, e que, com isto, ao passar do tempo, “a casa se tornou minha e delas”. É verdade, por que a partir da abstração do desnudamento, posto de maneira objetiva e real, as mulheres se revelam muito mais e além dos corpos. O programa vai ao ar no Canal Brasil, na meia-noite de toda sexta-feira e já coleciona mais de três temporadas de reconhecimento.

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Viver sem pressa, nem urgência de nada

“Em arte, só os preguiçosos são capazes de fazer alguma coisa.” Jagoda Buić

Obra do impressionista francês Renoir

Viver sem pressa, nem urgência de nada. Ouve o cortejo para Tadeu enquanto caminha. Estende a mão a Adílson. Chama-lhe pelo nome do falecido. Hesita, corrige o erro, despista. Manto de velório não serve para o altar. Odete pergunta com medo. Das Neves rejeita com uma expressão séria, em seguida cede. O manto está velho, mas o estado ainda é pleno, portanto da igreja, que cace um feio, furado, amarelo, para o enterro, Odete.

Que traz outro e mostra, à ranzinza Das Neves. De novo faz troça: está bem bonita, enterros são tristes. Então Odete passa um pano na velha, furada, horrorosa, Das Neves com orgulho, diz-lhe em segredo: está perfeita. Tadeu nem na vida, nem Adílson, na morte teria, uma melhor sorte. O homem passou. E passa o concreto. Por sobre os pilares da terra que é bege, gananciosa de tornar-se amálgama do progresso: Das Neves.

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