Paralimpíadas do Rio 2016: 3 músicas brasileiras sobre superação

“que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos ” e. e. cummings

Paralimpíadas do Rio de Janeiro 2016

Que o povo brasileiro supera suas dificuldades não é novidade, que ele as supera com ginga, ritmo e determinação, menos ainda. No país do samba e do futebol, música e esporte provam que podem ir além das modalidades-padrão, e, mais ainda, da maneira como as enxergamos. O melhor exemplo são as Paralimpíadas disputadas no Rio de Janeiro neste ano de 2016. Fica claro para quem assiste ou participa dos jogos de basquete em cadeira de rodas, handebol e atletismo para cegos, canoagem, salto, vôlei e tantas, mas tantas outras, que o limite existe, mas é inventado. Com Adoniran Barbosa, Raul Seixas e Gonzaguinha embalamos a superação de nossos melhores atletas.

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Artigo: Por que só agora, Lula?

“Demonstrar-lhe que, para a vida, se nasce de tantos modos, de tantas formas… Árvore ou pedra, água ou borboleta… ou mulher… E que se nasce também personagem!” Luigi Pirandello

Lula é investigado pela Lava Jato

Uma das poucas coisas que se aprende com o jornalismo é que versões oficiais dificilmente interessam, pela natureza de seu caráter que as impede de alguma sinceridade para além das aparências. Logo, é preciso ser auspicioso e perspicaz a fim de estimar o que brasões e espelhos escondem. Noutras: quais interesses movem os envolvidos? Para investigar e planejar a derrubada de figuras poderosas é imperioso contar com o apoio e suporte de outras tão ou mais poderosas do que ela. Isso diz a história, as peças de Shakespeare e alguns filmes de Rossellini. Trocando em miúdos, não haveria o golpe militar de 1964 ou a eleição de Collor sem certo respaldo importante, global, robusto. Maquiavel diz que um príncipe não deve formar “exército de mercenários”, pois poder e dinheiro mudam de mãos, e aquelas que foram beijadas tendem a ser dispensadas com o escárnio e escarro citados pelo poeta Augusto dos Anjos.

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10 músicas sobre comportamento de Gilberto Gil

“Meu caminho pelo mundo…
Eu mesmo traço,
A Bahia já me deu,
Régua e compasso…” Gilberto Gil

O cantor e compositor Gilberto Gil

Useiro e vezeiro em misturar as influências, ritmos e estilos, tropicalista por vocação e origem, baiano de nascimento e brasileiro até a espinha, Gilberto Gil é dos compositores mais ouvidos e repetidos por bocas e becos e lonas, e para isso há motivo mais do que consistente. É que com sua geleia geral o autor de “Aquele Abraço”, “Toda Menina Baiana”, “A Paz”, e tantos, mas tantos outros sucessos sempre manteve o olhar como de cronista, não preso aos fatos, porém transformando-os – por sua concepção poética e fluida do mundo – em instrumentos de reflexão e mudança. Talvez aí resida o segredo de Gil estar-nos tão próximo, pois afinal fala sobre comportamento não a partir da moral, e, sim, arte, e não inventaram ainda melhor maneira de comunicação e contato.

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Sonhos de uma tarde de primavera

“Estou sentido o martírio de uma inoportuna sensualidade. De madrugada acordo cheia de frutos. Quem virá colher os frutos de minha vida? Senão tu e eu mesma? Por que é que as coisas um instante antes de acontecerem parecem já ter acontecido? É uma questão da simultaneidade do tempo. E eis que te faço perguntas e muitas estas serão. Porque sou uma pergunta.” Clarice Lispector

Pintura de Anita Malfatti

Uma lua redonda e baixa. Ágata: uma carambola-estrela, flor de maracujá. Uma tartaruga nas pedras. Árido homem fuma um cigarro velho. No amarelo de Van Gogh, gira a roda giratória a velha. Folhas secas caem como borboletas foscas, pardas. Onças, pacas. Escamas azuladas de peixe e penas brancas: de patos: como sonhos humanos: patéticos, e reles. Dois cachorros malhados: um preto e branco: outro marrom caramelo. Vara de marmelo, doce de marmelo. Lerda, letárgica, gotejante: caem sobre as pipas as ceras de colmeias inteiras.

Como se o bicho diferenciasse da teia quando capturado: presa. Perdidinho, pergaminho, fuleiro. Pombas, roliças pombas sem dificuldade roubam o farelo da mão da velha. Na superfície supérflua do nada: a enxada, o capim: o desfecho. Corpos transparentes, alvos, de olhos azuis, cabelos claros, tão claros que parecem sumir no contato com o sol áspero. No mundo só há dois tipos de gente: rico e pobre. Mas o pobre é oitenta por cento, disse mascando chiclete ou palha. Vanessa: com luxo arrasta-pé, rococó, rocambole, caçarola é pudim de pobre.

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Crítica: reencontro dos “Novos Baianos” reforça vigor do discurso libertário

“Que independente disso, eu não passo
De um malandro, de um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas, mas ando e penso
Sempre com mais de um por isso ninguém
Vê minha sacola…” Luiz Galvão & Moraes Moreira

Novos Baianos se reencontram para nova turnê

Embora tenha demorado mais do que o esperado pelos fãs – afinal de contas a última reunião do grupo aconteceu no longínquo ano de 1999 e o espetáculo que estava programado para 22h do último sábado começou pouco depois das 23h – o tempo não esgarçou as criações dos “Novos Baianos”, ao contrário, provou que o viço e o frescor da juventude que clamava pelo amor livre ungido na atmosfera hippie que comungava casa, comida e canção permanecem com o vapor ligado a plenos pulmões. Parte do atraso pontual deveu-se à pouca habilidade da casa de espetáculos BH HALL na condução do evento, determinando a abertura dos portões pouco antes do horário marcado – ponto em que pessoas já se aglomeravam nas filas – quando a experiência prova que, se já há quem queira entrar, é de bom costume do anfitrião receber. A outra metade da longa e recompensada espera ocorreu pelo fato de Baby ter, nas últimas décadas, se dedicado exclusivamente ao repertório gospel e a vida religiosa. Por ironia, a ideia ganhou consistência justamente com sua volta aos palcos em 2013, ao comemorar seus 60 anos, e que desembocou em um DVD.

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