60 anos da Bossa Nova: 18 músicas e discos inesquecíveis do gênero

“No vosso rastro persiste/ o mesmo eterno poeta
Um poeta – essa coisa triste/ escravizada à beleza
que em vosso rastro persiste,/ levando a sua tristeza
no quadro da bicicleta.” Vinicius de Moraes

Tiete, o rapaz não titubeou ao avistar o poeta: o chamou de mestre, pediu um autógrafo e guardou a preciosidade num envelope pardo. Poucas horas depois, assim que chegou aos estúdios da gravadora Odeon, no Rio de Janeiro, largou displicentemente a assinatura de Carlos Drummond de Andrade em um canto qualquer, e nunca mais a avistou, tampouco se preocupou com o fato. A história é contada pelo músico mineiro Pacífico Mascarenhas, 83, que participou do episódio, e traz como personagem principal João Gilberto, 87, o inventor da batida de violão e voz diminuta que assombrou o país quando lançou, no dia 10 de julho de 1958, o compacto que trazia, de um lado, “Chega de Saudade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e, do outro, “Bim Bom”, de sua autoria. De lá para cá, a Bossa Nova manteve, ao longo desses 60 anos, o título de nobreza e a pompa de modernidade, com o aval de músicos internacionais e a reverência dos que vieram depois, ainda que uma renovação, em termos de repertório, não tenha ocorrido.

*DISCOS:

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3 músicas apaixonadas de Alceu Valença

“Porquanto
como conhecer as coisas senão sendo-as?” Jorge de Lima

Salve a ‘Morena Tropicana’, e sua beleza de jabuticaba, viva ‘La Belle de Jour’, e sua francesa brasilidade, ‘Anunciação’ para a mãe do compositor, completa 98 anos nesta data, ‘Cavalo de Pau’ para os apressados, ‘Coração Bobo’ aos românticos esperançosos. Todos esperam que Alceu volte, e ele volta, volteia, sestrosa maneira de gingar, barba e cavanhaque, modos de um distinto cavalheiro do apocalipse a saborear, dengosa, o sumo da condensação, condução, condão, da tua varinha despontam maravilhas.

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Prazer, orgasmo: 17 músicas feministas e brasileiras sobre sexo

“Meu bem você me dá água na boca
Vestindo fantasias, tirando a roupa
Molhada de suor, de tanto a gente se beijar
De tanto imaginar loucuras” Rita Lee

O Brasil ainda vivia sob o domínio de uma ditadura militar quando Gal Costa tornou-se a primeira mulher a cantar, com sucesso de dimensões nacionais, a palavra “sexo” na música brasileira. “Pérola Negra”, de Luiz Melodia, era uma das faixas do icônico álbum “Fa-Tal: Gal a Todo Vapor” – paradigma do movimento tropicalista – e trazia em seu refrão o trecho “tente entender tudo mais sobre o sexo”. Decorridas décadas e até séculos dos acontecimentos descritos o prazer da mulher, especialmente aquele sexual, parece ainda ocupar o lugar de tabu na prateleira dos costumes, mas há quem insista em mudar o curso dessa história. São os casos de Karol Conka, Iza, Tulipa Ruiz, Flaira Ferro, Vanessa da Mata, Letrux, Iara Rennó e outras compositoras de uma cena ampla e diversa, que ultrapassaram o mero papel de intérpretes a que artistas de gerações anteriores estiveram relegadas.

Quando Carmen Miranda brincou com o duplo sentido na carnavalesca “Eu Dei”, de 1937, ela teve que se valer dos versos de Ary Barroso. O mesmo aconteceu com a cantora portuguesa Vera Lúcia, primeira intérprete da lânguida e sensual “Amendoim Torradinho”, obra de Henrique Beltrão lançada por ela em 1955, e que depois ganhou as vozes de Ney Matogrosso, Angela Maria, Alcione, Dóris Monteiro e Ivon Curi, entre outros. O fato ainda era comum no ano em que Maria Bethânia gravou, “O Meu Amor”, de Chico Buarque, em 1978.

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10 faces artísticas do inesquecível Ivon Curi

“Acaso será que existe um autor capaz de indicar ‘como’ e ‘por que’ uma personagem lhe nasceu na fantasia? O mistério da criação artística é idêntico ao do nascimento natural” Luigi Pirandello

Ivon Curi já era, na década de 50, o que hoje se costuma chamar de artista plural. Além de cantar em vários idiomas, ele era capaz de interpretar – tanto na música, quanto no cinema – da comédia ao drama. Nessa dobradinha, sempre levava uma arte para a outra, ou seja, atuava musicalmente e cantava com dramaticidade. Mineiro de Caxambu, Ivon logo migrou para o Rio de Janeiro, então grande meca da cultura nacional. O legado, para além dos sucessos, foi a grandeza de carregar a sátira, a brincadeira e a impertinência charmosa para patamares, até então, jamais explorados. Gravou, ao todo, mais de 50 discos.

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10 músicas eternas de Raul Seixas

“Sou apenas uma mistura confusa de todas as informações que recebi com o coração batendo assustado, hoje fumando maconha, amanhã apareço chupando pirulito.” Raul Seixas

Raul Seixas é um artista iminentemente político, talvez por esse poder de transformação associado à sua figura, tenha permanecido com tanta força como uma figura popular e lendária. Depois de lançar vivas e efetivamente fundar os preceitos de uma Sociedade Alternativa, além de pregar ensinamentos cósmicos e de rebeldia, o “Maluco Beleza” lançou, em 1987, as suas considerações sobre assumir um cargo público. Raul Seixas sempre foi um artista místico, mas essa característica atingiu seu pico quando do encontro com o escritor Paulo Coelho. O baiano Raul Seixas, que sempre gostou de mesclar o rock a ritmos brasileiros e idolatrava tanto Elvis Presley quanto Luiz Gonzaga, também entrou na onda do duplo sentido, bem à sua maneira. Todas essas facetas do conhecido músico aparecem na sequência em dez canções.

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