Conheça a “Lenda de Papai Noel na Terra dos Gnomos”

“os sonhos que rabiscam velhos mares não são mais daquela
finidade antiga; e ser, nesta meia-hora, é descascar sem muita
pressa, é interpretar nuances de magia.” Ana Cristina Cesar

Maria Inês Aroeira Braga tem um mundo próprio. Ela não é dona desse mundo, mas pertence a ele. Ali habitam duendes, fadas, gnomos, sacis-pererês e toda sorte de encantamento. Conversando com ela você vai perceber a existência de uma realidade que, transparente à nossa retina, fala diretamente ao coração, como uma flecha lançada por um cupido zombeteiro, meio anjo e meio criança, como são, afinal de contas, todas as figuras encantadas.

Ao escrever, Maria Inês utiliza uma linguagem simples, aquela mesma do verso bíblico que diz “ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos deuses, sem amor eu nada seria”; transformada pelo compositor Renato Russo (1960-1996) em música, outra de suas paixões. O afeto é o guia de suas criações e, por conta disso, qualquer sinônimo de excesso e afetação são deixados de lado, pois todos sabemos que ao amor interessa o discurso despido de segundas intenções. O texto de Maria Inês se entrega a nós com a nudez sincera, pura, simples, natural e humana de todos os amantes do mundo.

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Milton Nascimento: “Nunca precisamos tanto de música, amor e educação”

“Não é possível adiar a vida.” Caio Fernando Abreu

Milton Nascimento começou a correr o país com a turnê “Clube da Esquina” em março, partindo de Juiz de Fora, onde ele vive atualmente. Além de capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Brasília e outras cidades mineiras, caso de Tiradentes, o esperado sucesso da empreitada o levou a extrapolar fronteiras, subindo em palcos de Paris, Berlim, Madri, Amsterdã, Lisboa, Porto, Londres, Zurique e Tel Aviv. “O carinho das pessoas nesses nove países diferentes mexeu muito comigo, a emoção é a mesma em todos os lugares. Eu nunca curti tanto uma temporada”, confessa o cantor. A ideia de revisitar o repertório dos dois álbuns duplos que formataram a identidade do movimento, que unia influências da música barroca mineira ao insurgente fenômeno dos Beatles, veio com as efemérides: os 45 anos do primeiro disco e os 40 do segundo.

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10 figurinos extravagantes da música brasileira

“O mais louco grifo ou quimera não é uma suposição tão extravagante quanto uma escola sem contos de fadas” G. K. Chesterton

Frutas na cabeça, penachos por todo o corpo, cabelos de cores variadas. O que começou com Carmen Miranda teve continuações em Ney Matogrosso, Maria Alcina e Baby do Brasil em plena ditadura militar e chega aos tempos atuais com representantes de peso e estilo como Karol Conka, Pabllo Vittar, Gaby Amarantos e Duda Beat. Pródiga em melodias exuberantes e letras cheias de poesia, a música brasileira prova que também toma conta da cena quando o assunto é figurino. Listamos alguns dos mais exóticos e irreverentes.

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Toquinho explica parceria com Chico Buarque sobre “perseguidos pela ditadura”

“Assim, hoje, passados dez anos, percebo que para um exilado não existe nenhum lugar onde possa viver; não existe nenhum lugar, porque aquele com o qual sonhamos, onde descobrimos uma paisagem, lemos nosso primeiro livro, tivemos a primeira aventura amorosa, continua sendo o lugar sonhado. No exílio, ele não passa de um fantasma, a sombra de alguém que nunca consegue alcançar sua completa realidade. Deixei de existir desde que cheguei no exílio; a partir de então, comecei a fugir de mim mesmo.” Reinaldo Arenas

Ao lado de Vinicius de Moraes, Toquinho aprendeu a cultivar, na década de 70, a prática de estar sempre bem acompanhado por uma intérprete de peso da música brasileira. Maria Creuza foi a primeira, e Miúcha, uma das mais recorrentes. Na Argentina, em 1971, eles levaram a então iniciante Maria Bethânia que, segundo Toquinho, “dispensa rótulos”. Com Clara Nunes, em 1973, realizaram uma extensa temporada nos circuitos universitários. “Clara tinha leveza na voz e muita graciosidade em cena, além de uma explosão no limite exato”, elogia Toquinho.

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Badi Assad: “Momento político é caótico e humanamente despreparado”

“Há que voar a cada instante como
as águias, as moscas e os dias,
há que vencer os olhos de Saturno
e estabelecer ali novos sinos.” Pablo Neruda

Na beira do mar, Badi Assad, 52, sente a “brisa a acariciar o seu corpo” e sequer precisa sair de casa. A compositora paulista conta que é “transportada” para esse ambiente toda vez que escuta “Tarde em Itapoã”, um dos clássicos do conterrâneo Toquinho, 73, em parceria com Vinicius de Moraes. Apesar de nascidos no mesmo Estado, a diferença de gerações adiou o encontro entre eles, que finalmente se apresentam juntos em Belo Horizonte pela primeira vez. Mas a intimidade de Badi com a obra de Toquinho data de um tempo anterior.

1 – Quando foi que você tomou conhecimento da música do Toquinho pela primeira vez?
Como muitos brasileiros, o conheci através de ‘Aquarela’. Na época, eu tinha começado a tocar violão e achei incrível um cantor tocar violão daquele jeito enquanto cantava. Eu estava com 14 ou 15 anos mais ou menos, e com certeza ele plantou esta semente de possibilidades em meu jovem coração.

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