De peruca não entendo nada

“A vida se retrata no tempo
formando um vitral,
de desenho sempre incompleto, de cores variadas,
brilhantes, quando passa o sol.
Pedradas ao acaso
acontece de partir pedaços,
ficando buracos irreversíveis…” Maria Antonia de Oliveira

Georges Braque passou por vários movimentos artísticos

Só se chega desacompanhado. Gênero, título ou brasão são formas insuficientes de conhecer uma profundidade. Caminha distante, sublime, desconfiado, altera turbulências e emoções à indiferente paz. Tão longe, igual e sonolenta como as demais pessoas? A não ser uma igreja: vazia: uma gente: sozinha: uma chuva: escorrida e metálica. Escovada e precária como as demais pessoas, os açoites cotidianos, as remadas na beira do lago. A falta, cada vez mais presente onde se anda solitário, não se chega sozinho, sai-se pasmo. E, no entanto, afoito, e no princípio verbo, e no finito gasto calendário de palavras para a primeira e pacífica intenção: nada me deu de novo, apenas uma fome não saciada pulando dentro do estômago.

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Crítica: peça “Memórias de Ana” é acessível porque diz respeito a todos

“Uma maneira simples de sentir a linguagem é quando ela falta.” Heidegger

Memórias de Ana traz recursos para inclusão de cegos, surdos e mudos

Somente a proposta inovadora não seria suficiente para tornar “Memórias de Ana” um espetáculo interessante. O mérito reside justamente de que essa linguagem democrática e inclusiva usa dos gestos em sua qualidade cênica que, para além de informar, capta e distribui emoções. Pois é com sentimentos e sensações que se conta uma história. Protagonistas em cena, Dinalva Andrade e Andressa Miranda atravessam com segurança e delicadeza as nuanças da personagem, com destaque para o tom jocoso, e criam, ainda, uma relação harmônica entre si. Dinalva também participa da dramaturgia, ao lado de Allan Machado, que é, sem dúvida, o grande trunfo do espetáculo. Como foi dito, tudo é observado e tido como recurso cênico, extrapolando, assim, sua condição exposta. A função da arte é propor a liberdade, ou alguma libertação.

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Análise: 10 anos de Inhotim, museu reconecta arte à natureza

“A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz.” Manoel de Barros

Inhotim é reconhecido como maior museu de arte a céu aberto da América Latina

Reconhecido como o maior museu de arte a céu aberto da América Latina, o instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, no interior de Minas Gerais, circula a sua, até aqui, exitosa trajetória ao comemorar 10 anos de história. Exitosa não apenas por que a efeméride é digna de aplausos, mas pelo fato de ter sabido construir, ao longo do tempo, um espaço de celebração da cultura quase sempre democrático. Além das exposições de arte contemporânea, principal cartão-postal do projeto conduzido pelo empresário Bernardo Paz, o instituto passou a produzir e oferecer também espetáculos de música, teatro, cinema, dança e a abrigar, inclusive, a literatura. Tudo isso, portanto, transformou o Inhotim em importante foco de debate e experiência cultural. Experiência esta, esteticamente, sempre ligada à natureza, verdadeiro diferencial da atração, para onde, de alguma forma, tudo converge, sempre. Obras célebres de Hélio Oiticica e Adriana Varejão têm por companhia tulipas, frondosas árvores e borboletas, além de uma infinidade de cantos de pássaros.

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Entrevista: Artistas de Minas exaltam espírito rebelde da música de Janis Joplin

“pensávamos os mesmos pensamentos da alma, chapados e de olhos tristes, cercados pelas retorcidas raízes de aço das árvores da maquinaria,” Allen Ginsberg

Janis Joplin foi símbolo de rebeldia na década de 1960

Ela se foi aos 27 anos há mais de quatro décadas, mas se é verdade que na música o tempo é fundamental, também o é que, através dela, os limites se transpõe. Ao menos no caso de Janis Joplin. Cantora de rock e blues a norte-americana despontou junto à geração de Jimi Hendrix e Jim Morrison, influenciada por nomes como Billie Holiday, Aretha Franklin e Etta James. A voz rascante e os excessos dentro e fora do palco foram algumas de suas marcas, além das canções carregadas de desvios amorosos e hinos à libertação. Kícila Sá, multiartista, atriz e cantora, acredita que Janis se diferenciou de seus pares pela “interpretação e atitude. Só não digo que ela era uma atriz por que realmente sinto que ela viveu cada palavra que cantou, cada lágrima que derramou, cada grito que berrou. Janis tirava do útero uma voz difícil de ser comparada com qualquer outra cantora da época. Além de tudo ela foi uma mulher a frente do seu tempo”, constata.

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Escute seu coração…

“Nosso corpo é infinitamente mais sábio que a nossa cabeça. O corpo é sábio mesmo sem ter consciência da sua sabedoria. Inconsciente é o nome para a sabedoria do corpo.” Rubem Alves

Fitas da consciência alertam para prevenção de doenças

O uso de laços coloridos na área da saúde para ajudar na mobilização e conscientização da população sobre riscos e tratamentos começou ainda na década de 1990, com a tradicional fita vermelha da AIDS. Hoje em dia elas são várias, e se relacionam também com os meses. Em referência ao “Dia Mundial do Coração”, por exemplo, celebrado no dia 29 do mês, instituiu-se o “Setembro Vermelho”, com o intuito de prevenção a doenças cardíacas. Nessa linha a Oncocentro de Belo Horizonte oferece acompanhamento cardiológico especializado para pacientes em tratamento de câncer.

A doutora Ariane Macedo, fundadora e atual vice-presidente do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2014 esclarece que “o tratamento oncológico (rádio ou quimioterapia) pode afetar o coração a curto ou a longo prazo, por isso a importância do acompanhamento”. De acordo com Ariane “o tratamento oncológico pode causar em alguns pacientes uma intoxicação no sistema cardiovascular (no músculo cardíaco, no pericárdio – que é a membrana que envolve o coração -, ou nos vasos sanguíneos)”. A medida adotada pela Oncocentro de BH para prevenir complicações foi determinar a presença do médico cardiologista dentro da clínica e oferecer aos pacientes o tratamento. “Eu atendo a todos os pacientes, o que permite um acompanhamento preciso e imediato, além do contato direto com o oncologista para discussão dos casos”, sublinha Ariane.

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