Wilson Simonal (Cantores brasileiros)

Sá Marina

“Vamos voltar à pilantragem!” anuncia a voz cheia de bossa e suingue estonteante do porte de um negro com bandana na cabeça e reverência à Martin Luther King. Ele rege o coro da platéia enquanto sua presença move multidões com “Meu limão, meu limoeiro”. Que poder é esse do homem chamado Simonal? É o poder da música. Do belo canto. Simonal é pura música, belo canto.

Sá Marina (toada-moderna, 1968) – Antônio Adolfo e Tibério Gaspar
A música brasileira procurava juntar influências no meio da década de 60, e foi com essa idéia que Antônio Adolfo compôs com Tibério Gaspar a “toada-moderna”, segundo ele, “Sá Marina”, estouro na voz de Wilson Simonal em 1968, ficando com o posto de primeiro lugar nas paradas por 19 semanas seguidas. A união de bossa nova, toada e iê iê iê surtiu o efeito esperado, Sá Marina subiu a ladeira para não descer mais.

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Maria Creuza (Cantoras brasileiras)

Na Esplanada, sonora

Maria Creuza dos olhos fundos, brasileira, baiana, filha da poesia, querida do Poetinha. Romântica, abusada, nunca reprimida pela força do cantar que ultrapassa barreiras ideológicas, territoriais e de gênero. Maria Creuza na Esplanada, sonora. Maria Creuza, cantora. Não extingue admiração, há encantamento.

Você abusou (1971, samba) – Antônio Carlos e Jocafi
Maria Creuza conheceu Antônio Carlos na Bahia, e com ele estabeleceu casamento que ultrapassou as convicções musicais. Os dois tiveram três filhos e vários sucessos nas rádios do Brasil e do mundo, principalmente depois que migraram para o Rio de Janeiro. O primeiro grande êxito foi “Você abusou”, que Antônio Carlos compôs com Jocafi em 1971. O canto de Maria Creuza explicitava a beleza da composição que se esvairia de aspirações intelectuais. Ia direto ao coração.

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Pery Ribeiro (Bossa Nova)

Morre aos 74 anos

Há os Filhos do Holocausto, Filhos da Ditadura, Filhos da Era Hippie. Milhares, milhões, centenas. Mas há também o Filho do casal mais talentoso e explosivo da música brasileira. Frutífero tanto em brigas via imprensa quanto em canções magníficas.

Este Filho, apenas um. Mais do que isso, foi o cantor que lançou a bela “Garota de Ipanema”, a passear com seu balançado na praia, a música nacional mais executada no mundo em todos os tempos, filha de pais esmerados e um tanto loucos: Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O Maestro e o Poeta.

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Entrevista: Lobão

Músico demonstra carinho e admiração por artistas marginalizados 

Entrevista músico

“Eu sou nada e é isso que me convém, eu sou o sub do mundo, o que será, o que será, que me detém?”. Lobão sempre marcou território como contraponto do panorama nacional e invariavelmente se insurge contra vozes totalizantes. Os versos de El Desdichado II servem como pequena amostra desse papel fundamental em que o artista atua. Especialmente numa sociedade cada vez mais preocupada em fechar sentidos e definir padrões de experiência estética superiores. Para atender ou quebrar as expectativas, o músico concedeu entrevista durante noite de autógrafos na livraria FNAC, e foi só elogios a nomes esquecidos pela grande mídia e estimados por ele. A lenda de que o temido lobo não compreende afagos desfez-se como um novelo mal tricotado.

R.: Como foi a história do violoncelo que você deu de presente ao Jards Macalé? Ele contou que vocês se encontraram no Baixo Leblon de madrugada e 8 meses depois chegou encomenda do ‘senhor Lobão’.
A história é mais complicada. Ela começa em 95. O Jards queria aprender a tocar violoncelo e eu tinha um. Aí fomos para o meu apartamento, eu morava no 18º andar e acabou a luz. Isso impossibilitou que a gente tocasse. Então a gente sempre se encontrava no show do Paulinho da Viola e tocava no assunto. Até que eu me mudei para um apartamento menor e aquele violoncelo virou um ‘trambolho’ dentro de casa. Liguei para o Jards, falei: ‘você quer aprender a tocar?’. Ele disse que queria. Inclusive não sei como acaba a história. Se ele está tocando ainda.

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Carnaval

Festa da Música

Hoje é carnaval.
Amanhã ainda é carnaval.
Não porque esteja próxima uma quarta-feira de cinzas.
Nem porque virou farra o som de buzinas.
Mas porque carnaval está além de data no calendário.
É a heroica alegria da bagunça e da patuscada.
De se fantasiar e mascarar e perceber o desarrumado cenário belo de fantasias, máscaras e perdidas ilusões brilhantes.
No carnaval, face desordeira da humanidade.
Face divertida, bem resolvida, com muito alarde.
Se tudo arrumado perde contato com a superfície mais fina de uma mera alegria, não deixe de brincar no carnaval.

“Anda Luzia, pega o pandeiro, vem pro carnaval
Anda Luzia, que essa tristeza lhe faz muito mal
Apronta a tua fantasia
Alegra teu olhar profundo
A vida dura só um dia, Luzia
E não se leva nada desse mundo”

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