Show: Zélia Duncan

Cantora exibe a delicadeza em cena

Show

Não espere arroubos sonoros. Zélia Duncan canta meiga, delicada, suave, suas composições novas. Isso é o que prepara o disco. Diante da platéia a contenção das interpretações se revela desafiadora e fugaz, com leve sorriso de coragem sorrateira.

A presença de Zélia no palco é resguardada de beleza, pelo vestido de Ronaldo Fraga (o coração do artista segundo a cantora), o cenário de Analu Prestes, pinturas abstratas refletidas pelas cores de uma iluminação climática, e a simpatia da protagonista, acompanhada de perto por Ézio Filho (direção musical e contrabaixo), Webster Santos (violão, bandolim e guitarra), Jadna Zimmerman (bateria, percussão e flauta) e Leo Brandão (teclados e acordeom).

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Cauby Peixoto (Cantores brasileiros)

Bastidores

Cauby Peixoto veste as músicas que canta com a grandeza de sua voz. De pérolas, brilhantes e cristais. Tal qual um estilista da canção, ele recheia de jazz e suingue próprio os ritmos mais brasileiros. Cauby desenha palavras adornando o límpido de sua voz, que ele apresenta no palco sob cortina exuberante. A cortina é sua figura, sua presença tão sobressaída quanto o motivo dos gritos da platéia: a voz de um cantor da geração de ouro do rádio brasileiro que segue abrasadora em tempos indistintos.

Conceição (samba-canção, 1956) – Jair Amorim e Dunga
É impossível não ligar “Conceição” ao nome de Cauby Peixoto. Ela é resultado da inspiração de dois compositores para tratarem o tema e do poder que um intérprete pode exercer sobre a música. Se não é possível afirmar que todos sabem o nome dos autores Jair Amorim e Dunga, é provável apostar que Cauby tornou-se mais dono da canção que quem a germinou. Isso porque a verdadeira germinação popular deu-se quando ela atravessou sua voz extensa. Não à toa Cauby cantando “Conceição” tornou-se um verdadeiro espetáculo à parte. Com direito a todas as pompas que o cantor sempre adorou.

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Show: Yamandu Costa

Violonista se aventura em mar trôpego e desbrava regiões instrumentais 

Show Palácio das Artes

Yamandu Costa: as cordas lhe desobedecem. Incautas, prontas a insolentes provocações, por incitação tutorial. Seus doze dedos se transformam em treze, quatorze, infinitamente. Amarram-se aos trilhos do violão, descarrilados em seqüência.

À deriva, no suntuoso Grande Teatro do Palácio das Artes, o gaúcho iniciou sua expedição com bela homenagem a Raphael Rabello, um mito da arte de trovejar violões, içando as caravelas de “Samba pro Rafa”, em magistral partida.

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Oscar 2012

Premiação suscita volta ao passado ao consagrar “O Artista”

O Artista

O Oscar 2012 parece ter elegido um grande vencedor. A produção belga-francesa “O Artista”, faturou o prêmio mais almejado da noite: melhor filme. Um filme mudo e em preto e branco que alude ao tipo de cinema consagrado pelo genial Charles Chaplin.

Há considerações sensíveis e formais a serem feitas a respeito. É de se assinalar que o seu grande concorrente, “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese, faturou todos os mais importantes prêmios técnicos.

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Cinema: Kika

Película de Almodóvar resiste ao tempo ao abarcar voyeurismo do século XXI

Almodóvar

O mundo de Almodóvar sempre esteve impregnado de cores, deboche e dramalhões mexicanos. Pelo menos o mundo cinematográfico, contrário à infância pobre que o diretor teve. Embora afirme que suas obras são sempre parte de sua vida, Almodóvar tem por mérito exagerar nos tons, e fazer disso seu grande diferencial. A arte maior de Almodóvar é exagerar com sutileza. E esse lhe é um talento inquestionável.

Ao tratar de personagens complexos e quase sempre opostos, entrando em conflitos psicológicos e até mesmo físicos, Almodóvar tem por hábito utilizar cenários abundantes, que nos comovem através da associação de símbolos. Sim, tão comoventes quanto os personagens criados por Almodóvar são os cenários que ele utiliza, regados a seu tradicional vermelho sangue que também pode ser utilizado nos cabelos, nas roupas e no batom da personagem que dá nome à sua película de 1993, Kika.

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