Pery Ribeiro (Bossa Nova)

Morre aos 74 anos

Há os Filhos do Holocausto, Filhos da Ditadura, Filhos da Era Hippie. Milhares, milhões, centenas. Mas há também o Filho do casal mais talentoso e explosivo da música brasileira. Frutífero tanto em brigas via imprensa quanto em canções magníficas.

Este Filho, apenas um. Mais do que isso, foi o cantor que lançou a bela “Garota de Ipanema”, a passear com seu balançado na praia, a música nacional mais executada no mundo em todos os tempos, filha de pais esmerados e um tanto loucos: Tom Jobim e Vinicius de Moraes. O Maestro e o Poeta.

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Entrevista: Lobão

Músico demonstra carinho e admiração por artistas marginalizados 

Entrevista músico

“Eu sou nada e é isso que me convém, eu sou o sub do mundo, o que será, o que será, que me detém?”. Lobão sempre marcou território como contraponto do panorama nacional e invariavelmente se insurge contra vozes totalizantes. Os versos de El Desdichado II servem como pequena amostra desse papel fundamental em que o artista atua. Especialmente numa sociedade cada vez mais preocupada em fechar sentidos e definir padrões de experiência estética superiores. Para atender ou quebrar as expectativas, o músico concedeu entrevista durante noite de autógrafos na livraria FNAC, e foi só elogios a nomes esquecidos pela grande mídia e estimados por ele. A lenda de que o temido lobo não compreende afagos desfez-se como um novelo mal tricotado.

R.: Como foi a história do violoncelo que você deu de presente ao Jards Macalé? Ele contou que vocês se encontraram no Baixo Leblon de madrugada e 8 meses depois chegou encomenda do ‘senhor Lobão’.
A história é mais complicada. Ela começa em 95. O Jards queria aprender a tocar violoncelo e eu tinha um. Aí fomos para o meu apartamento, eu morava no 18º andar e acabou a luz. Isso impossibilitou que a gente tocasse. Então a gente sempre se encontrava no show do Paulinho da Viola e tocava no assunto. Até que eu me mudei para um apartamento menor e aquele violoncelo virou um ‘trambolho’ dentro de casa. Liguei para o Jards, falei: ‘você quer aprender a tocar?’. Ele disse que queria. Inclusive não sei como acaba a história. Se ele está tocando ainda.

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Carnaval

Festa da Música

Hoje é carnaval.
Amanhã ainda é carnaval.
Não porque esteja próxima uma quarta-feira de cinzas.
Nem porque virou farra o som de buzinas.
Mas porque carnaval está além de data no calendário.
É a heroica alegria da bagunça e da patuscada.
De se fantasiar e mascarar e perceber o desarrumado cenário belo de fantasias, máscaras e perdidas ilusões brilhantes.
No carnaval, face desordeira da humanidade.
Face divertida, bem resolvida, com muito alarde.
Se tudo arrumado perde contato com a superfície mais fina de uma mera alegria, não deixe de brincar no carnaval.

“Anda Luzia, pega o pandeiro, vem pro carnaval
Anda Luzia, que essa tristeza lhe faz muito mal
Apronta a tua fantasia
Alegra teu olhar profundo
A vida dura só um dia, Luzia
E não se leva nada desse mundo”

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Elis Regina (Cantoras brasileiras)

30 anos de saudade

Elis Regina, a voz das Madalenas, Marias e Clarices.
A voz que brinca moleque o sonho de criança e ensina como nossos pais sobre as agruras do dia a dia.
A voz que dançou na bossa ao lado de Jair Rodrigues.
Durante seus 36 anos de vida, Elis Regina nos deu uma certeza.
A certeza de que no momento em que canta tudo é possível, desejado e permitido.

“Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos como nossos pais”

Elis é essa força que vem de dentro e explode na superfície, nos olhos fechados, no sorriso largo, nas sobrancelhas em pé que lhe conferem aquele ar desafiador, provocante e destemido.
Nas mãos que movem-se para o alto, procurando no espaço vazio a verdade torturante daquele momento, inquietas, intensas.
Tudo parece vibrar com sua voz.
Tudo pulsa, lateja, transborda em Elis Regina.

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