Artes Plásticas: Goya

Exposição salienta espírito contestador do artista

Artes Plásticas

Eu chorei de felicidade, como há muito não chorava chuva… Os meus contemporâneos são todos inertes refluxos, tenho que amanhecer. Nas profundezas de Goya, espúrios jatos de massa grossa, pastosa, espessa camada sob a superfície viva da vida. “Escrever com sangue”, explode Nietzsche.

É um gozo, um regozijo dançar no lago escuro do amor trêmulo. A arte ilumina redenção aos desesperados. A opulência das carnes defronta o olho vítreo da fome. Violência que brota bruta. “Não escondam a loucura”, pragueja Allen Ginsberg.

Veja mais

Dança: Tango-a-Tierra

Noite de gala da dança argentina brinda os espectadores com atrevimento

Dança

Um rrrádio dos anos 40, e uma aura futurista. São os contrastes que conduzem o espetáculo da companhia argentina ‘Tango-a-Tierra’, dirigida por Gillermo Salvat e Silvia Grynt. Como nos pares que se lançam, cruzam, entrelaçam, cortam, masculino e feminino, com tesoura cega: os sentidos do corpo mais aguçados.

Logo ao abrir das cortinas, um suntuoso conjunto brinda-nos em posição de ataque, anfitriões da casa, tomam posse de seus instrumentos e servem aos convidados doses nada moderadas de melodia e cordas que sossegam a madeira, adormecem o bandoneon e submetem a sinfonia a uma metáfora de creme.

Veja mais

Oswaldo Montenegro (Cantores brasileiros)

cantor brasileiro

Homem do teatro ou da melodia? Cabelos ao vento ou de cimento? Filho de Brasília ou pai da interpretação? Nenhuma delas, Oswaldo Montenegro, querelas à parte, faz arte. Brinca com as palavras, brinda com vinho-canção. Ode à melancolia ou trote à alegria barata, tudo pode, sem nada gasta, insurge a graça feito garça no horizonte anil da popular música brasileira.

Duas metades. Dois nomes grandes. Oswaldo. Montenegro. Centopéia cheia com credos calombos carbonos juízes? Oras, somos todos lumes seja na igreja ou na pradaria. Cada um ilumina o que enxerga, atenta, escapa ou aliança de dedo na mão agora é aliança de dedo na mão? Depende. Varia. Verte.

Veja mais

Benedito Lacerda (Chorinho)

Flautista

De ouvido, aprendeu a tocar. De butuca, como se diz hoje em dia. No tempo do cinema mudo, do silêncio, a calmaria das ruas. E a sua flauta subindo pelas paredes como cobra coral que se enrosca na árvore e não solta. Na Jardineira, tão contestada e aclamada. Como era incontestável o seu talento para compor temas instrumentais e executá-los com maestria.

Para isso, contava com a ajuda de jovens nobres, e também dos mais antigos. Entre eles, foram seus correspondentes no campo da composição Ary Barroso (‘Falta um zero no meu ordenado’), Herivelto Martins (‘A Lapa’ está voltando a ser a Lapa), Aldo Cabral (‘Em Mangueira na hora da minha despedida, todo mundo chorou…’), Humberto Porto (no clássico vencedor do concurso de carnaval de 1939), e muitos outros.

Veja mais

Teatro: Sem Pensar

Peça com Denise Fraga provoca riso quase lágrima

Teatro

Chuva cai morna em nossos lares. Enquanto espectros esparsos esperam graças, quatro personagens rodeados. Denise nos espera na porta. Sorriso franco. Sorriso oco. Camaleônico. Inspeciona o palco com os tamancos da representação. O ar e a pausa são inevitáveis para a comédia dramática.

Preciso me aquietar, aconchegar na cadeira. Mas aquela sobrancelha lagartixa me penteia. Perde o rabo, e segue à espreita, língua de fora gruda na asa do mosquito.

Veja mais