Teatro: Sem Pensar

Peça com Denise Fraga provoca riso quase lágrima

Teatro

Chuva cai morna em nossos lares. Enquanto espectros esparsos esperam graças, quatro personagens rodeados. Denise nos espera na porta. Sorriso franco. Sorriso oco. Camaleônico. Inspeciona o palco com os tamancos da representação. O ar e a pausa são inevitáveis para a comédia dramática.

Preciso me aquietar, aconchegar na cadeira. Mas aquela sobrancelha lagartixa me penteia. Perde o rabo, e segue à espreita, língua de fora gruda na asa do mosquito.

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Show: Aline Calixto

Cantora apresenta mistura de músicas dos dois álbuns lançados

Show UFMG

No centro do furacão: uma flor. Morena, cacheados cabelos negros brada branda: sou negona, branca, samba. Aline Calixto pisa de sandália o picadeiro armado na Universidade Federal de Minas Gerais para contar a própria história. Contar? Não. Professora de mão cheia adverte, diverte: Canta. Tem uma voz que impressiona. Martinho da Vila põe na panela a gemada carioca.

Convicta cadência crava no mar de estrelas homenagens a Oxossi e Iemanjá. Lavradas na Bahia de Roque Ferreira e nos pergaminhos de Rodrigo Santiago e Douglas Couto, entusiasmam. Desinibida desenvoltura hipnotiza e arremata o público: “E lá fui eu, pro caldeirão, e lá fui eu…todo enfeitiçado pro seu coração!”. Pérola mineral do compositor Affonsinho.

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Literatura: O Retrato de Dorian Gray

Obra atemporal de Oscar Wilde põe em debate a busca da beleza

Literatura

O Retrato de Dorian Gray, publicado em 1891, é o único romance da obra do escritor irlandês Oscar Wilde, que viveu de 1854 até 1900, e tornou-se um dos mais célebres de todos os tempos.Descrito como um “dos clássicos modernos da Literatura Ocidental”, foi classificado pela BBC como 118 na lista dos 200 romances mais populares.

A história, situada na Inglaterra aristocrática do século XIX, gira em torno de um jovem que apaixona-se por sua própria imagem ao vê-la pintada em um quadro, (reproduzindo em águas novas o mito de Narciso) e faz um pedido para que não envelheça jamais, pois com o tempo perderia a beleza estonteante de seus traços. O suspense sobre seu fim começa quando estranhamente o pedido é atendido.

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Chico Science (Mangue Beat)

Mangue Beat

Caranguejo mola nas patas. Ciência na astrologia. Arte de Chico. Brasil de Francisco. Rios e dunas e santos. Bomba histriônica. História atômica. Maracatu cá tu ma ar. Mangues e circos e dardos lançados nas lamas do caos.

Jorge Mautner & Gilberto Gil. Tropical rock de Cássia Eller. Percussão e toda uma Nação de Zumbi dos palmares, palmeiras, palmas palestra dessa cidade que nos resta computadorizada e imune; degradada e convexa.

“No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor
Toda fauna-flora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico”

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João Gordo (Punk)

Ratos de Porão

Rato de porão, vômito verme varizes. No ano da ditadura militar brasileira, num dia 13 caveira, macabro, abriu a tampa do esgoto e despencou nesse mundo colhido-calado. Provocou enorme barulho, em vista de seu tamanho desproporcional. Gordo grande grunhindo gritos de guerra poupando refrão.

Cão espumando, chupando manga. Esqueleto de gosma e fúnebre sarcasmo detonou dinamite gargalhou explosão. Cuspe na morte. Quebrar, incompreensível. Descrente desesperança e virulento discurso político.  Cru, agride. Escroto, corvo, massacre. Carnificina, esquizofrenia, saliência. Sexo e bebedeira. Sujo.

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