Álbum: sou / nós

Primeiro trabalho solo de Marcelo Camelo condensa solidão ao barroco

Marcelo Camelo

Bucólico e minimalista, Marcelo Camelo caminha entre relva e plantas aquáticas, bonitas, que agora me escapam o nome. Monet as pintou em belo estudo impressionista. Trevo Dom Quixote dos morridos.

‘Téo e a gaivota’ sobrevoam a mata inerte, assolada em lodos, lamas, engodos, em tramas: “todo amor encontra sempre a solidão”. Romanos algarismos, distintos, destinos, reverberam as cruzadas, sinos sonos: “os ais e os hão de ser”. ‘Tudo passa’.

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Artes Plásticas na TV

Espaço reservado à propagação de arte plástica na TV brasileira é reduzido

Artes Plásticas

Às artes plásticas nunca coube papel de destaque na televisão brasileira, talvez porque a consolidação da segunda ocorreu justamente no período em que a primeira se marginalizou de vez, através do manifesto neo-concreto assinado por artistas que faziam uso de referências múltiplas (cosmopolitas e provincianas) como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Amílcar de Castro, entre outros.

Qual seria então o lugar marcado para essas artes na atual programação da televisão brasileira? Primeiro é bom referir que as artes plásticas contemporâneas, principalmente a partir desse momento denominado neo-concretismo, nunca aceitaram demarcações definidas, e por isso é tão difícil a tratativa do assunto em um veículo que ao longo dos anos vem se notabilizando por facilitar a compreensão do espectador e oferecer respostas ágeis e práticas.

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Literatura: A Menina do Macramê

“da vitrola o som de um solo de clarineta parecendo uma enguia do mar subia em espiral pelo ar agitado.” Truman Capote

Flávio de Carvalho

Cabelos cortados ao pé do ouvido. Nara Leão de pele morena. Aquela vozinha pequenininha capaz de rugir.

‘Me aproveita, amor. Que eu não serei a mesma para sempre’ – disse, cerrando os lábios. ‘Tenho fases, como a lua’. Sentada no chão de encostas, ergue os braços em desagravo. Puxa uma linha, mais outra, cruza os fios de bege castanho imitando ouro.

O que a torna assim tão fascinante é justamente essa história atrás dos pontos.

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Hebe Camargo (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

Hebe Camargo canta ‘Quem É?’

Quem a vê hoje assim tão bem vestida na televisão, não imagina que já foi uma caipira. E de microfone em punho, de sair pelos interiores cantando moda de viola de braço dado com a sua irmã, Rosalinda. Ou ela é que era a Rosalinda? E a outra a Florisbela? Não tenho certeza.

Com muito menos desenvoltura do que se vê hoje na televisão, mas com o mesmo jeito tranqueiro e desinibido que ela sempre teve. Desde os motivos de roda até os altos estandartes do amor, proferidos pelo Rei Roberto Carlos, ela sempre cantou as palavras.

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Nara Leão (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

A artista Nara Leão podia parecer indefesa para aqueles que escutassem sua voz, mas não percebessem a presença explícita do que cantava sua boca, seus gestos contidos e sua interpretação diminuta. Nara era imensa como um leão. Não em seu corpo, de porte médio. Não em seus cabelos, cortados ao pé do ouvido. Nem em sua voz, de fato, pequena. Mas em sua participação como artista dentro daquilo que se convencionou chamar de música popular brasileira, bossa nova, samba do morro carioca ou tropicália. Nara Leão nunca foi uma cantora convencional. Mas convenceu a todos com seu timbre lisonjeiro e desafiador. Natural de Vitória, no Espírito Santo, morreu aos 47 anos, depois de lutar por uma década contra um tumor no cérebro.

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