Cinema: Marginal

Rogério Sganzerla e Júlio Bressane deram irreverência ao cinema nacional

Cinema Marginal

O Cinema Marginal era o noviço irreverente do Cinema Novo. Desobrigado de engajamentos, se dava ao direito de fazer gracinhas, e com direito adquirido pela inventiva criatividade de seus diretores. Muito mais ligados ao cinema na essência do que os primos políticos, o cinema que construíram surgiu justamente dessa dissidência provocada por rivalidades conceituais e estéticas. Não sendo de todo discordante nem pretendendo tal mérito, buscou referências nas assumidas influências estrangeiras e se esgueirou de qualquer tentativa pretensiosa de produzir uma arte pura, nova.

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Humor: Chico Anysio

Humor

O homem sem rosto definido. De mil rostos, 209 tipos irrestritos. Abrilhantavam o rádio, a TV e o teatro brasileiros com quadros humorísticos ligados umbilicalmente ao povo, que colocava o dedo na ferida da grávida, da parteira, do palanque e do padeiro.

Desde as contribuições sertanejas ao repertório eclético da musa da dor de cotovelo Dolores Duran, até zombarias instantâneas com o vocabulário rebuscado e planador de Caetano Veloso e a turma dos Novos Baianos, Chico Anysio sucedeu na música com o mesmo entusiasmo e clamor popular.

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Artes Plásticas: G. T. O.

Mostra revela arte genuína do mestre mineiro da escultura

Artes Plásticas

Vede o verde em flor? A roçar nos alvos campos, de brancura incolor? Chama-se magia esmeralda, a esmerada música. A que se julgou. Sob o deleite dos homens. Que em meio ao jardim sem flores. Inventaram meios de se re-compor.

Martelo com asa de besouro vira o quê? Vôo cego, casca rija. Árvores e árvores transformadas no corte da madeira que assimila o homem: desejos, angústias, saudades, loucura. Sigla ou iniciais capazes de representar o todo resto do mundo.

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Dança: Antônio Nóbrega

Espetáculo proporciona texto, imagem e som com rebuliço brasileiro

Dança

Ninguém mais tem paciência para sentar e ouvir. Mas com Antonio Nóbrega é necessário o gesto. Munido por conhecimento de causa, suscita na platéia dúvidas e respostas. Afinal, toca rabeca ou violino? Nenhuma, é a questão. Todas, a solução.

Condecorado embaixador pelos ouvintes atentos, balanceia sentidos vários em três categorias. Chama ao palco as moças, recatadas pelos músicos dotados, transmitem em carne e osso o que as imagens digitais passaram, e cada obra tem sua verdade.

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Jorge Benjor (Samba Rock)

Música brasileira

Um balanço ritmado por cuíca e guitarra. Nos embalos de sábado à noite e nas manhãs de carnaval nasceu na periferia de São Paulo uma dança trazida ao gosto popular por Jorge Ben, garoto do Beco das Garrafas que na metade da década de 60 mostrou ao mundo seu “sacundin sacunden”. Virou samba-rock a adesão de batidas elétricas a temas acústicos e universos distintos, como a bossa de João Gilberto e o canto falado do blues, a partir de histórias simples cantadas com entusiasmo. De uma vertente criou asas a pilantragem de Carlos Imperial e Wilson Simonal. A ala soul teve liderança de Tim Maia, Cassiano, Hyldon, e mais tarde, Sandra de Sá. Completava o time, seguidores fiéis que acompanhavam o ritmo, como o Trio Mocotó (formado por Nereu Gargalo, Fritz Escovão e João Parayba), Branca di Neve e Bebeto, além de eventuais flertes com artistas de searas amplas, a exemplo dos tropicalistas da banda Mutantes, que em 1968, gravaram A Minha Menina, sucesso instantâneo de autoria de Jorge Ben Jor, o pai que sem assumir a cria (jamais aceitou o termo samba-rock) viu os frutos espalharem-se na música brasileira.

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