Show: Humberto Junqueira

Em dia de festa violonista executa com esmero o repertório de Garoto

interpreta Garoto

Na noite de segunda-feira, no Conservatório da UFMG, rebola-se um misto de surpresa e surpreendido, inspiração e improviso, conformação e euforia. Explica-se: marca o fim dos trabalhos no mês. Mas é pouco o tempo de espera no calendário, somente uma semana de ausência, sentida firmemente em decorrência da qualidade dos que ali se apresentam, e legam saudade.

Humberto Junqueira não foi diferente dos outros que o antecederam nessa edição, ele inclusive, em escala formada de grupo (o descontraído ‘Quem Não Chora Não Mama’, que pegou para si no colo Jacob do Bandolim). Coube ao intérprete solo de violão de 7 cordas tomar em seus braços, dedos ágeis e giratórios capazes de circundar o complicado e harmoniosamente belo repertório de Garoto.

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Ernesto Nazareth (Chorinho)

Chorinho

Quando o Brasil começou a fazer música brasileira e deixou de apenas importar contribuições externas, Ernesto Nazareth estava lá, com seu piano e sua humildade. Fã declarado de Chopin, o músico se notabilizou por não negar a qualidade musical que emergia de fora, mas inserir a esse contexto o que havia de mais Brasil e mais buliçoso em termos de musicalidade erudita e popular; ao mesmo tempo; sem barreiras limitantes. Muitos foram contra e a favor seu espaço em ambas as categorias, mas sua música ultrapassava ao conquistar unanimemente ouvidos e corações de figuras tão acaloradas quanto detentoras de status para certificar o real caráter de Nazareth, “a verdadeira encarnação da alma musical brasileira” para Villa-Lobos, com quem tocou, “um virtuoso do piano”, segundo Mário de Andrade, “genial” para tantos.

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Cinema: Novo

Glauber Rocha revolucionou o cinema brasileiro com sua proposta realista

O Cinema Novo trouxe a marca de “uma câmera na mão, e uma idéia na cabeça”. E câmera na mão treme, incomoda, de preferência, revoluciona. Essa era a idéia dos idealizadores do movimento, políticos que gritavam contra a injustiça através da estética da fome. E se era estética, era arte. Portanto livre de compromissos com o público, as grandes empresas, o lucro, a bilheteria. Havia um quê vermelho sangue naquelas produções ideológicas e contestadoras. A novidade era tamanha, que os participantes do inicial cinema faziam questão de repudiar tudo que já havia sido feito. Era novo mesmo.

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Assis Valente (Samba)

Samba

Artista de circo é difícil de achar. Artista espontâneo, que não toca instrumento e sabe rimar letra com melodia. Artista que faz arte até de dentadura, e é desenhista de mão cheia, embora os bolsos permaneçam vazios. Artista de circo desequilibra na corda bamba, como quem disfarça estar em perfeito estado de alegria, acostumado com tristezas natalinas. Assis Valente teve coração de artista e na Praia do Russel morreu em público. O povo cantou sua travessia: “Brasil Pandeiro”, “Uva de Caminhão”, “Fez bobagem”, “Camisa listrada”, provam a eternidade do artista de circo.

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Jorge Goulart (Cantores brasileiros)

cantor brasileiro

Bastava uma olhada, um único contato visual para se levantar suspeitas sobre o que aquele homem forte, grande, robusto, era capaz. Mesmo os mais precavidos haveriam de tomar um susto, quando ele enchia o pulmão de ar e se preparava para o gesto.

Gesto, simples, bonito, pequeno, mas que naquele ser imenso se transformava num verdadeiro rojão de festa: com brilhos explodindo no céu e azulando a nuvem branca e o sol poente. Marchas carnavalescas, versões de sucessos norte-americanos (até Charles Chaplin cantou), sambas enredo, canções, exclusivamentesambas, tudo era motivo para seu palavreado bem distribuído colocar-se à serviço da música.

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