Literatura: Rubem Alves

Se mil vezes me perguntarem quem sou, direi: Adélia Prado
Se mil e uma, direi: Rubem Alves

Literatura

Trôpego em seus passinhos diminutos dos quais debochará mais tarde, vem com mansidão. Desmancha a fragilidade a impressionante voz que encerra quaisquer perspectivas de “últimas apresentações”. Lúdico, lúcido do porte de seus 77 anos ele alquimera (misto de alquimia e quimera) as imagens de velho triste e velho criança, que conclui caixa de ferramentas e brinquedos e com Deus explica as erotizações da fruta pudica maçã e a fruta obscena caqui.

Choro dos corações entrecortados em Hiroshima, onde foram plantados os caquizeiros a vida triunfa sobre a morte, e vítimas fatais se chocaram com a capacidade destrutiva humana: “O mundo é maravilhoso, mas os homens são terríveis. Os homens e as mulheres.” Não discrimina. A vida triunfa sobre a morte. Vaticina.

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Carlinhos Vergueiro (Cantores brasileiros)

cantor brasileiro

É em casa que se aprende. O avô ensinando desde cedo o menino Carlinhos a apreciar a boa melodia do piano. Para depois sair mundo afora, cabelos longos a conhecer e destrinchar sozinho os mistérios envoltos em notas não decifráveis pela matemática.

Sozinho não. De preferência com a companhia de gente de bem, do bom, na boa. Se a tira-colo puder se levar um tal de Vinicius de Moraes, ou um Toquinho, melhor. Caso contrário há quem prefira andar de mãos dadas com um vulgo Adoniran Barbosa, comendo ‘torresmo à milanesa’ com a Clementina de Jesus.

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Wilson Miranda (Jovem Guarda)

Jovem Guarda

Wilson Miranda é daqueles famosos casos do primeiro a partir e também a abandonar o barco. Introdutor dos estilos que fomentaram a conhecida ‘Jovem Guarda’ brasileira, como o twist, o calypso e as baladas de rock, ou seja, ritmos dançantes que combinavam andamento veloz com letras romantizadas, o inicial cantor travessou os mares como crooner de uma banda de jazz.

Embora fortemente criticado pelos meios de comunicação, em virtude da defesa dos valores tradicionais e contra a invasão de cultura estrangeira no país, o rapaz de Itápolis, no interior de São Paulo, alavancou aplausos junto ao público, principalmente em função das músicas ‘Alguém é bobo de alguém’, ‘Não tive intenção’, ‘Bata baby’, ‘Estou começando a chorar’ e ‘Chove’.

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Cinema: Marginal

Rogério Sganzerla e Júlio Bressane deram irreverência ao cinema nacional

Cinema Marginal

O Cinema Marginal era o noviço irreverente do Cinema Novo. Desobrigado de engajamentos, se dava ao direito de fazer gracinhas, e com direito adquirido pela inventiva criatividade de seus diretores. Muito mais ligados ao cinema na essência do que os primos políticos, o cinema que construíram surgiu justamente dessa dissidência provocada por rivalidades conceituais e estéticas. Não sendo de todo discordante nem pretendendo tal mérito, buscou referências nas assumidas influências estrangeiras e se esgueirou de qualquer tentativa pretensiosa de produzir uma arte pura, nova.

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Humor: Chico Anysio

Humor

O homem sem rosto definido. De mil rostos, 209 tipos irrestritos. Abrilhantavam o rádio, a TV e o teatro brasileiros com quadros humorísticos ligados umbilicalmente ao povo, que colocava o dedo na ferida da grávida, da parteira, do palanque e do padeiro.

Desde as contribuições sertanejas ao repertório eclético da musa da dor de cotovelo Dolores Duran, até zombarias instantâneas com o vocabulário rebuscado e planador de Caetano Veloso e a turma dos Novos Baianos, Chico Anysio sucedeu na música com o mesmo entusiasmo e clamor popular.

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