Dança: Antônio Nóbrega

Espetáculo proporciona texto, imagem e som com rebuliço brasileiro

Dança

Ninguém mais tem paciência para sentar e ouvir. Mas com Antonio Nóbrega é necessário o gesto. Munido por conhecimento de causa, suscita na platéia dúvidas e respostas. Afinal, toca rabeca ou violino? Nenhuma, é a questão. Todas, a solução.

Condecorado embaixador pelos ouvintes atentos, balanceia sentidos vários em três categorias. Chama ao palco as moças, recatadas pelos músicos dotados, transmitem em carne e osso o que as imagens digitais passaram, e cada obra tem sua verdade.

Veja mais

Jorge Benjor (Samba Rock)

Música brasileira

Um balanço ritmado por cuíca e guitarra. Nos embalos de sábado à noite e nas manhãs de carnaval nasceu na periferia de São Paulo uma dança trazida ao gosto popular por Jorge Ben, garoto do Beco das Garrafas que na metade da década de 60 mostrou ao mundo seu “sacundin sacunden”. Virou samba-rock a adesão de batidas elétricas a temas acústicos e universos distintos, como a bossa de João Gilberto e o canto falado do blues, a partir de histórias simples cantadas com entusiasmo. De uma vertente criou asas a pilantragem de Carlos Imperial e Wilson Simonal. A ala soul teve liderança de Tim Maia, Cassiano, Hyldon, e mais tarde, Sandra de Sá. Completava o time, seguidores fiéis que acompanhavam o ritmo, como o Trio Mocotó (formado por Nereu Gargalo, Fritz Escovão e João Parayba), Branca di Neve e Bebeto, além de eventuais flertes com artistas de searas amplas, a exemplo dos tropicalistas da banda Mutantes, que em 1968, gravaram A Minha Menina, sucesso instantâneo de autoria de Jorge Ben Jor, o pai que sem assumir a cria (jamais aceitou o termo samba-rock) viu os frutos espalharem-se na música brasileira.

Veja mais

Teatro: Cabaret

Musical com Cláudia Raia tem pecados e virtudes

Cabaret

Muito luxo, purpurina, plumas e paetês sonegam os olhos da platéia com rímel e sexo aparente. Superficialmente, o musical ‘Cabaret’, estrelado por Cláudia Raia em versão brasileira de Miguel Falabella não subtrai espaço para dúvidas: é uma delícia.

No entanto, o teor dos diálogos muitas vezes fica abaixo de todo o glamour exibido com qualidade no cenário (construído com requinte, com destaque para as cortinas e o vídeo instalado), nas coreografias (mérito a Alonso Barros) exuberantes e libidinosas, na iluminação soberba, e principalmente da imponente apresentação da orquestra.

Veja mais

Literatura: Paulo Francis

Irônico jornalista colecionou textos impecáveis e desafetos por onde passou

Jornalismo

Há 15 anos morria o jornalista Paulo Francis, em Nova York. No banheiro da sua casa, ele agonizou os momentos finais antes de desvanecer nos braços de sua esposa, que o amparou e chorou como sugestiva parte do Brasil, sua terra natal.

Distante de agradar a todos, o jornalista inveterado, crítico de gregos e troianos, foi fiel e mordaz somente à sua própria filosofia. Como gostava de repetir, “apenas as pessoas inteligentes se contradizem”, e nessa área, Paulo Francis era inimitável.

Veja mais

Show: Humberto Junqueira

Em dia de festa violonista executa com esmero o repertório de Garoto

interpreta Garoto

Na noite de segunda-feira, no Conservatório da UFMG, rebola-se um misto de surpresa e surpreendido, inspiração e improviso, conformação e euforia. Explica-se: marca o fim dos trabalhos no mês. Mas é pouco o tempo de espera no calendário, somente uma semana de ausência, sentida firmemente em decorrência da qualidade dos que ali se apresentam, e legam saudade.

Humberto Junqueira não foi diferente dos outros que o antecederam nessa edição, ele inclusive, em escala formada de grupo (o descontraído ‘Quem Não Chora Não Mama’, que pegou para si no colo Jacob do Bandolim). Coube ao intérprete solo de violão de 7 cordas tomar em seus braços, dedos ágeis e giratórios capazes de circundar o complicado e harmoniosamente belo repertório de Garoto.

Veja mais