Roberto Silva (Samba)

Cantor brasileiro

Todo Reinado precisa de um Príncipe. No Brasil, terra do Samba, o escolhido foi Roberto Silva. Filho de dinastia nobre, herdeiro direto da linhagem de Ciro Monteiro e Orlando Silva, aprendeu desde cedo a desdobrar o ritmo e salientar a intenção dos versos em falas bem costuradas e repiques na medida exata para sua voz.

“O escurinho
Era um escuro direitinho
Agora está com a mania de brigão
Parece praga de madrinha ou macumba
De alguma escurinha que lhe fez ingratidão”

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Entrevista: Ataídes Braga

Entrevista com o cineasta, historiador, pesquisador, roteirista e professor Ataídes Braga.

1- Qual o grande diferencial do cinema brasileiro para os demais cinemas que se praticam no mundo?

Toda cinematografia tem importância mas o que difere cada uma delas é o registro de sua identidade, sua cultura, seus valores, a representação de seu povo, enfim, o caráter do brasileiro não pode ou não deveria ser apresentado senão pelo brasileiro com riscos de serem caricaturados.

2- Qual movimento mais influenciou o cinema brasileiro?

Cada época teve uma marca e vários registros de influências são notados, por exemplo, o nosso primeiro cinema foi muito influenciado pelas vivências de muitos pioneiros que eram estrangeiros, italianos, portugueses; já as tentativas industriais pelo modelo americano e italiano; o cinema novo e um cinema independente dos anos 50/60 claramente pelo neorealismo italiano e pela nouvelle vague francesa; as pornochanchadas pelo cinema erótico italiano e depois vários cineastas, a partir dos anos 80, por todo mundo de fora e de dentro do Brasil.

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Cazuza (Cordão umbilical do rock brasileiro)

Nomes fundamentais da cena: Cazuza, Júlio Barroso, Lobão e Zeca Neves

Cordão umbilical do rock brasileiro

Perdido na selva desde que chegara a este planeta e sonhando com Jack Kerouac, o traficante da liberdade Júlio Barroso despencara de sua janela de beira para o céu até o azul infinito. Era um frio seis de julho de 1984. Nesse dia, o mundo inteiro era um trio de Absurdettes que choravam sua viagem.

Mas não esse mundo com o qual se está acostumado. Era um mundo beat, um mundo anárquico, um mundo onde se trafica poesia. Um ano antes, esse ser colorido que só usava branco e que enxergava além do universo com seus óculos fundo de garrafa perdida no mar com o pergaminho da dúvida fizera um movimento interessante através de uma tal de Gang 90.

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Teatro (Crônica)

“Assim É… (Se Lhe Parece)”  Pirandello

Crônica

O Teatro. O que é o Teatro? Lembro-me da minha primeira experiência distante do claustro solitário, calabouço que armara para minhas vertigens diárias. Foi através do Teatro. Antes, divertia-me desenhando em cartolinas cores e desvios retos e justos que depois enfeitavam a parede dos armários. Muito antes ouvia frases que se não me anotavam somente na cabeça, julgo hoje terem sido os primeiros rompantes artístico-filosóficos (sem a pretensão que regularmente emana de tais palavras).

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Literatura: Com o meu mais todo, carinho

“linho branco que até o mês passado lá no campo inda era flor” Belchior & Fagner em ‘Mucuripe’

Literatura

Ouro nas mãos. Perpetua o bramir da noite. Cara lavada, pedra rugosa. Tirada das minas, cavernas, mares. Infindo mover das areias. Não há febre. Mas é preciso cuidado, tato, manejo, para soerguer o tesouro, desvela água.

Mão aflita segurando ouro. Permitindo toque dourado. Cintilante. Autêntica de pálpebras e cílios e cristais. Orgânica. Feita de iodo e pele extenuada de méritos, raias e rédeas. Égua solta no pasto. Vaca no cingir do dia. Oferecendo leite, queijo, alimento: vida.

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