Bee Gees (Cantores internacionais)

“Vezenquando baixa uma saudade, quase sempre clara como tem sido o ar verde-azulado deste verão, e fico sentindo falta do teu jeito lento de chegar pisando em nuvens, sempre azul.” Caio Fernando Abreu

cantores internacionais

Crápula das minhas aliterações, eu mesmo um pobre ponto mal costurado. Rio e o riso é grosso. Massivo maciço maço de cigarros estonteantes, puxo o primeiro: é Barry Gibb, homem bonito, robusto, alce dos Andes. Nele se sustentam os ases do baralho embaralhado por Eros.

O segundo cigarro de que me sirvo é Robin Gibb, esguio, raquítico, trágico. Uma tesoura cega tentando entrar num ambiente de malhas, rangedoras, qual máquinas em horário de trabalho. Insiste com a especiaria dum ramo duma espiga de milho. Chamam-lhe o espantalho, ele treme, mas não reage.

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Dança: Circo Moscou

“que todo o amor assim como todo o conhecimento é lembrança” Kierkegaard

espetáculo no gelo

Passaram-se dias desde que esmiuçou coração gelado. Duas perninhas desinibidas, assanhadas o suficiente para patinar no gelo, brotaram de dentro mim noite. Rufos nos tambores, palhaços, moedinhas douradas, tudo claro como a luz de Sininho, noite.

Havia uma comoção no ar, gárgulas esperavam na fila, para entrar, aconchegar-se em seu lugar, com a paciência de moscovitas. Acostumados à guerra, ao frio, eles agüentam firmes, duros, gélidos. De dentro de suas bocas um bafo seco conduz sorrisos elétricos ligados na ignição.

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Teatro: Palácio do Fim

“Casca oca:
a cigarra
cantou-se toda.” Bashô

Camila Morgado

Toma conta a emoção como sola de sapato gasta, essa expressão milenar. Mas é a verdade. Num trabalho convicto, construtivo, gentileza de artesão. Casinha de João de Barro, inspeciona dos gravetos ao pôr do sol (vermelho rubro a chatear).

Os discursos costurados, linha de algodão, plumas de flores brancas, soltas, Deus desunindo todo num só chavão: ‘humano, demasiadamente humano’, pego emprestado o livro empoeirado de Nietzsche, na biblioteca das minhas obsessões. Pesado texto, num pesar Cristo.

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Show: Los Hermanos

“Moça, olha só, o que eu te escrevi
É preciso força pra sonhar e perceber
Que a estrada vai além do que se vê” Marcelo Camelo

Marcelo Camelo Rodrigo Amarante

Não, não fui eu quem assisti ao mesmo show do Los Hermanos que você. O que vi foi outro. Cada qual lunática lente lírica. Naquela minha adolescência, eu divulgava minhas longas tranças Rapunzel, presas por uma bandana verde-água, Cazuza estampava a frente da camisa de igual coloração.

Os olhos, como duas persianas repuxadas, eram esteiras que teimavam moles em ojeriza ao esgoto claustrofóbico. Era preciso força para se manter alerta, no meio de toda a confusão limitável da vida do palhaço da lagartixa. Espelhos recorrentes numa lousa de hastes.

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Donna Summer (Cantoras internacionais)

“Toca minha mão.
Quem fez o amor não vazará meus olhos
porque busco a alegria.
A vida não vale nada, (…)
Olha-me para que ardam os crisântemos
e morra a puta
que pariu minha tristeza.” Adélia Prado

Rainha Disco Music

Não é fácil dizer adeus a uma pessoa que conhecemos pouco, ao mesmo tempo tanto. Principalmente quando nos convém dançar, vem à tona alto falantes em auto e bom som, como burro (pantera) cor de rosa recém saída da fornalha. Rainha ditosa.

Quantas foram as voltas que os teus caracóis deram em torno dos meus ouvidos, grudando chiclete chinês olhos tampados de escuro, despertos ao sol irradiador. Igrejas e capelinhas, mesmo as mais entusiasmadas, soaram ineficazes para cobrir o desespero-lunático de teus fãs.

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