Entrevista: Ziraldo

“Pintor, se queres assegurar
um lugar predominante
na Sociedade, é preciso que,
desde tua primeira juventude,
dês um terrível pontapé
na perna direita dela.” Salvador Dalí

Menino Maluquinho

Do porte de seus 80 anos, o cartunista, chargista, escritor, jornalista Ziraldo, para ficar no básico, é um moleque atrevido, maluquinho, menino. Obediente à sua própria escrita, afirma: “Tudo na vida tem limite, isso de ‘perder o amigo mas não a piada é, em si, uma piada. Ninguém é sozinho na vida. É preciso ter coragem para dizer as verdades e aguentar as consequências.”

E dá um pitaco a respeito do humor vigiado, politicamente correto, que nos espreita à vontade: “Na época do Pasquim criamos várias charges sobre a tragédia que se transformou no filme, aliás, belíssimo, ‘Os Sobreviventes dos Andes’, e o Quino, muito meu amigo, inventor da Mafalda, disse que era um absurdo fazer graça com aquilo, ao que eu retruquei que cada um tem o seu próprio absurdo, o humor tem um limite peculiar”, reflete.

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Entrevista: Cássio Scapin

“Moralidade é simplesmente uma atitude que adotamos frente às pessoas que não gostamos.” Oscar Wilde

A Viúva Alegre

Depois de se apresentar em Belo Horizonte com a peça “O Libertino”, dirigida por Jô Soares, o ator Cássio Scapin volta à capital atuando em outro espetáculo de contexto histórico: “A Viúva Alegre é um clássico, a opereta mais encenada no mundo”.

Porque isso acontece? As razões, para o intérprete de Njégus, segundo ele um “personagem cômico”, estão, em primeira estância, no pano de fundo da tragédia cômica cheia de traços oscarwildeanos que expõe a aristocracia em suas atitudes mais sórdidas: “A música em si é belíssima, maravilhosa, só ela já vale o espetáculo”, anima-se.

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Humor: Paula Fernandes

“Mas por sorte nos urbanizaram sem pavimentar nossa naturalidade.” Quino

cantora de sertanejo universitário

Paula Fernandes estourou nacionalmente depois de convidada a cantar em especial da Rede Globo com o Rei Roberto Carlos. No entanto, a mineira de Sete Lagoas já trilhava passos no chamado circuito universitário da música sertaneja.

Música esta, que em minha opinião, utiliza-se das vestimentas e de alguns clichês do verdadeiro universo caipira para espalhar canções românticas e com forte apelo popular de rádio e televisão: ou seja, objeto industrial, de fábrica, conceituado segundo os preceitos de venda do mercado.

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Chiquinha Gonzaga (Chorinho)

“porque tudo é vale onde o som dói.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

compositora de "Corta-Jaca"

O piano tocava ao fundo de uma sala branca, indistinta, recatada. Não era possível saber do que se tratava, até ela adentrar o recinto. Uma mulher, feminina e ferina, pousava os dedos laicos sobre o piano.

Uma mulher, e isso era tudo, e era um absurdo, até desacato. Chiquinha Gonzaga enfrentou o piano, o pioneirismo lhe coube aos ombros, leves, bem costurados, mas que se tornaram alvo de indignação quando ela defendeu os escravos.

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Entrevista: Fernanda Takai

“Mas o antigo espelho, que vira e revira
nos seus longos anos de existência
coisas e rostos aos milhares;
mas o antigo espelho agora se alegrava
e exultava de haver mostrado sobre si
por um instante a beleza culminante.” Konstantinos Kaváfis

Fundamental com Andy Summers

As crônicas de Fernando Sabino a respeito de sua passagem pela Inglaterra renderam o livro “A Inglesa Deslumbrada”, onde o humor dá o tom periférico à ousadia do escritor.

Já a mais recente passagem do inglês Andy Summers pelo Brasil, astro da extinta banda The Police, resultou em parceria com a amapaense Fernanda Takai, residente em Belo Horizonte há tempo bastante para considerar-lhe mineira quem o quiser assim.

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