Carlos Galhardo (Cantores brasileiros)

Valsa brasileira

O sangue argentino que corria nas veias de Carlos Galhardo era sempre negado em entrevistas. Impossível não constatar a latinidade “hermana” que se entregava às grandes paixões na forma das valsas mais brasileiras. O cantor com pinta de galã foi para São Paulo ainda bebê, aos dois meses, mas foi no Rio de Janeiro que iniciou sua trajetória musical e artística, cantando e atuando em filmes.

“Os sonhos mais lindos sonhei,
De quimeras mil um castelo, ergui,
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ…”

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Pixinguinha (Chorinho)

Carinhoso música

A doença aliada à origem africana da avó rendeu-lhe o apelido inusitado. As baixarias ouvidas em casa pelo choro do pai e dos amigos deram a ele uma flauta mágica. O ouvido desaforado fez com que se transformasse em maestro, inepto e aclamado: Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, todos foram unânimes em aplaudi-lo. As vaias vieram quando excursionou com os Oito Batutas para ver o mundo. E se tornou um brasileiríssimo arranjador influenciado pelo jazz americano e os ritmos africanos. As dificuldades financeiras, a bebida e o fumo, o presentearam com um sax. E todas essas rasteiras terrenas ajudaram a compor o gênio que transcendeu as barreiras do tempo: Carinhoso, Lamentos, Um a Zero, Rosa. Pixinguinha, música semente.

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Geraldo Pereira (Samba)

Samba Falsa Baiana

O samba recheado de quebradas marcou a vida irregular do compositor. O rebolado das baianas o colocou no chão. De queixo caído ele assistiria ao rebuliço em torno da bossa nova que ele próprio antecipara, não tivesse partido tão cedo. Sem saber, o mineiro que alimentou fama e discórdia no Rio de Janeiro foi um precoce e um privilegiado. Por ter assistido de perto à criação da Estação Primeira de Mangueira e ter convivido com grandes bambas da malandragem teve o prumo certo para tirar melodia e letra do mel que brotava na sua frente. Nem sempre doce, o sambista Geraldo Pereira foi um prodígio, reconhecido mesmo em sua brevidade, como talvez nunca tivesse sido não fossem as tempestades em sua vida.

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Maria Alcina (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

É homem ou mulher? A voz que range feito porta em noite assombrada, as penas esvoaçantes qual quadril de fêmea em orgia enluarada. Como anjos, artistas não têm sexo, portanto Alcina é Maria, chame do que quiser, contanto que clame aos ouvidos a soberba presença daquela criatura extravagante, imponente e deliciosa.

Mineira, de Cataguases, implodiu o Maracanãzinho ao apresentar à platéia toda virilidade e força do ‘Fio Maravilha’, peça de Jorge Ben encourada com entusiasmo ímpar. Nunca abnegou as raízes, cruzes, carregou consigo no peito a madre Carmen Miranda, portuguesa de nascimento, brasileira no coração, assim como emprestou a potência às esquecidas cantoras do rádio: Marlene, Emilinha, Aracy de Almeida, Bando da Lua, revoltas em todas as verves, condensadas.

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Artes Plásticas: Gol de placa

“Para Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.” Armando Nogueira

Futebol Cruzeiro

O olho inchado antevê a jogada. Não como antevê o hábil bailarino que distribui elásticos. O jogo truncado é resolvido no ato. Não como resolve o distribuidor de canetas. Como num ricocheteio a perna esquerda alcança a bola, que rodando encontra o fundo das redes.

O grito da arquibancada funde-se ao grito ensandecido de um corpo entroncado, coberto por longas tranças capilares que soltas ao sabor do vento alardeiam o combate do homem com a arte.

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