Análise: “Estação Plural” exalta a diversidade sexual e de gênero

“Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Separatista protestante. Melindrosa basca com fissura da verdade. Me entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco (…) Não olho para trás. Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê novela de verdade e meu manto azul dourado mais pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e pernalta.” Ana Cristina Cesar

Atração é comandada por trio de apresentadores

Tendo como princípio a diversidade sexual e de gênero, o programa “Estação Plural”, exibido nas segundas-feiras a partir das 22h na TV Brasil, amplia o leque para a raiz e o radical inerente ao tema: diversidade de vida que almeja à tolerância e ao respeito. No elogio ao múltiplo a descoberta de que a riqueza concentra-se no que é vário, e não singular. São paradoxos esmiuçados com consciência, experiência e conhecimento: somos todos únicos e iguais em alguma medida, e é pela identificação humana que devemos reconhecer no outro todas as diferenças que nos propiciam uma existência passível de exuberância. No comando da atração Ellen Oléria, Fefito Oliveira e Mel Gonçalves exibem personalidades tão distintas quanto complementares, não no sentido limitador, mas na coesão que os tons encontram por serem de diferentes peças, para além do quebra-cabeça, mas, por ora, uma sinfonia, aonde a música foge e se oferece harmônica justamente pela impalpabilidade.

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Crítica: “Rua das Camélias” questiona estigmas da prostituição

“Meu calor não te assusta. Nem minha luz/Sou uma camélia imensa
Que oscila e jorra e brilha, gozo a gozo./Acho que estou chegando,
Acho que posso levantar – /Contas de metal ardente voam, e eu, amor, eu
Sou uma virgem pura/De acetileno/Cercada de rosas,/De beijos, de querubins,
Ou do que sejam essas coisas róseas./Não você, nem ele,/Não ele, nem ele
(Eu me dissolvo toda, anágua de puta velha) – Ao Paraíso.” Sylvia Plath

"Rua das Camélias" apresenta proposta ousada e inovadora

A estreia de Gabriela Luque na direção revela uma artista inquieta, moderna, ousada, características que aparecem no espetáculo “Rua das Camélias”, com dramaturgia de Daniel Toledo e Gabriela Figueiredo. Com a intenção de explorar e apresentar o universo da prostituição numa das ruas mais emblemáticas de Belo Horizonte, a Guaicurus, a peça acerta logo de cara ao decidir instalar-se num dos hotéis desativados da região, o que permite à experiência teatral aproximar-se o quanto é possível da realidade. Uma das descrições mais sensíveis apresentadas sobre o tema, não por acaso, dá conta desse truque, como dito no encarte e repetido na montagem: “na distância infinita que existe entre dois corpos grudados”. Aí, o teatro não se assume como teatro, como prezava Brecht, mas nem por isso deixa de emitir sua força, muito pelo contrário. Enredados fisicamente os espectadores, que são também chamados por essa mesma força a atuar, podem compreender as nuances do discurso que se enlaça tanto na objetividade quanto por um lirismo incomum. A força que provoca incômodo e deslocamento ao final reverte-se em comunhão.

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Deus realize uma prece por mim

“Ouve-me, ouve o silêncio. O que te falo nunca é o que eu te falo e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão.” Clarice Lispector

El Greco ficou famoso por pintar imagens bíblicas

Uma prece. Deus realize uma prece. Ontem à noite. O espaço de um minuto retém as esperanças e covardes os que creem num Deus com clemência. Numa casca de maçã: donde menos se espera o escorregão: a cobra de Eva: a banana espichada e madura. O pressentimento está prestes a se cumprir. Recebe uma ligação, pensa: a voz da cigana. Desliga. Uma girafa tenta buscar: no último galho a penúria da folha erma. Corre perigo, sem jeito, nervoso: preces, rezas, gestos inúteis. Cambaleia, Ágata à frente: viva, morta: um fantasma: uma onça: uma cidade.

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Crítica: Exposição permanente presta justa homenagem a Inimá de Paula

“Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e a serenidade, sem preocupação alguma.” Rilke

Inimá de Paula possui museu em sua homenagem

Nove anos após sua morte o Museu Inimá de Paula foi inaugurado na antiga sede do Clube Belo Horizonte e do Cine Guarani para homenagear o artista plástico natural de Itanhomi, interior das Minas Gerais. Portanto, já (re) nasceu histórico e manteve essa qualidade através dos anos. Além do nome, a casa também oferece na parte lateral do terceiro andar uma permanente exposição para saudar a obra de Inimá, sem contar que, vez ou outra, as peças do artista tomam outras instalações do prédio. Esta em questão, porém, é como uma síntese daquele considerado o maior representante do “Fauvismo” no Brasil, em que as cores e o estilo berrante das pinceladas tomam de assalto as cenas.

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25 músicas brasileiras sobre a saudade

“De manhã escureço/De dia tardo/De tarde anoiteço/De noite ardo.
A oeste a morte/Contra quem vivo/Do sul cativo/O este é meu norte.
Outros que contem/Passo por passo:/Eu morro ontem
Nasço amanhã/Aonde há espaço:/– Meu tempo é quando.” Vinicius de Moraes

Cantores brasileiros interpretaram a saudade em suas músicas

Saudade é palavra que só existe na língua portuguesa. Saudade cantada pelos poetas e sentida por todos, unanimemente. Dizem que existe um truque do passado para que tenhamos saudade, que pela sabedoria do corpo, da mente e da alma esquecemos o que não faz falta, para guardar somente aquilo que designamos: saudade. A nostalgia cantada em versos é capaz tanto ou mais de emocionar por conter, em si, síntese de lembranças, momentos ou mesmo sonhos e aspirações. Do que “poderia ter sido e não foi…”, diria o outro. Na música brasileira “saudade” é palavra diversa e democrática. Saudade cantada em baião, toada ou trova, ao ritmo de samba, repente ou moda, parte do nosso folclore e da nossa bossa nova. Para todos os que sentem a saudade, música!

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