O Amor é Tóxico

“Lembre-se: pessoas sofridas são perigosas. Elas sabem que podem sobreviver.” Josephine Hart

Uma das mais belas pinturas de Pierre Bonnard

Flor de primavera misteriosa, só aparece com metade da saia pra fora. Os primeiros pontos do sol curvam teus quadris elásticos. Vermelha: e no premir flora e no rugir: fauna. E na vida encontra miséria, discórdia, colérica porta aberta aos anjos e demônios. Uma menina sem olhos sonhava ser: a menina dos olhos de Ágata. Não tinha timbre de voz, não falava, era cega. Surda e muda a menina conduzia o mesmo trajeto para a escola: reprimida, invisível. Ninguém a via. Nem os pais da menina? Nem os pais da menina. A menina não tinha paz. Não tinha nome, nem medo, nem mãe ou faca. Não tinha faca a menina e este era um presságio bolorento dos dias repugnantes a que era entregue. Não tinha faca para passar manteiga, não tinha mãos para passear: maquiagem.

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Crítica: Exposição de Fernando Botero retira beleza do improvável

“Desde então a tive na memória com tamanha nitidez que fazia dela o que queria. Mudava a cor de seus olhos conforme o meu estado de ânimo: cor de água ao despertar, cor de açúcar queimado quando ria, cor de lume quando a contrariava.” Gabriel García Márquez

Fernando Botero abusa das formas redondas

É possível dizer que o colombiano Fernando Botero é um artista tão típico quanto foi o italiano Modigliani. Se neste prevalecia a estrutura lânguida no atual predomina a rechonchuda. Uma das marcas de Amedeo era a opacidade dos olhos, enquanto em Fernando é da presença que resulta a falta. Embora estejam lá são olhos distantes, ausentes, tristes, reflexivos ou concentrados, imersos em um circo de cores e na abundância das formas. Botero pega modelos comuns, em cenas banais, cotidianas, e com olhar específico para camadas menos abastadas da sociedade colombiana e torna-as absolutamente incríveis, no sentido de não poder acreditá-las, pois, a exemplo do que pregou o teatro dialético de Brecht é do não-realismo que o real nasce.

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10 músicas brasileiras para o coração

“Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?” Fernando Pessoa

Artistas brasileiros fizeram músicas para o coração

Na boca dos cantores, na pena dos poetas e sob o olhar dos amantes e das paixões tardias, ele recebe vários contornos, cores diversas, mas a expressão é sempre a mesma: símbolo do sentimento; representa o amor e a vida. Por isso foi instituída data para não esquecermos que ele merece cuidados. Para celebrar o Dia Mundial do Coração, listamos abaixo 10 músicas brasileiras sobre o tema. Materno, leviano ou vagabundo; em desalinho ou de estudante; o coração do Brasil bate em seu TIC-TAC ao ritmo de forró, xote, samba, marcha e até tango. Dramático ou satírico, apaixonado ou tranquilo, o coração vem de Vicente Celestino, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Elba Ramalho, Zeca Pagodinho, ao ritmo da vida que recebe a música como remédio e amiga.

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Análise: 30 anos da morte de Andrei Tarkovsky, cineasta do tempo

“Você olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Você tenta compreender como ele funciona e o desmonta. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de compreender…” Andrei Tarkovsky

Tarkovsky é um dos maiores cineastas da Rússia

Há pessoas que morrem para tornarem-se eternas, e há outras que nascem para isso. Andrei Tarkovsky viveu somente 54 anos, o suficiente para determinar-se como um dos mais relevantes cineastas já surgidos na Terra. Natural de uma aldeia do interior da Rússia, sua morte precoce, em Paris, é, até hoje, cercada de controvérsias, tendo-se atribuído o câncer que ele, sua esposa, e o ator principal do filme, Anatoli Solonitsyn desenvolveram a uma contaminação química adquirida nos locais de gravação do longa-metragem “Stalker”, um dos mais enigmáticos do diretor. Aliás, a película é exemplar no que tange às características preponderantes do cinema de Andrei. A capacidade para realizar através de imagens pensamentos críticos e complexos, permeados por uma adesão poética do espaço sem, com isto, anular aspectos inerentes a condições por definição matemáticas, e que buscam explicar a nossa existência, como expressões da física e das ciências.

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Crítica: “Isadora” sublima vida de dançarina revolucionária

“Se eu pudesse explicar o que as coisas significam, não teria a necessidade de dançá-las…” Isadora Duncan

Peça teatral conta a vida de Isadora Duncan

Com o lugar do lúdico resguardado, a direção de Elias Andreato permite, ainda assim, a apreensão instantânea dos fatos; graças a recursos dramatúrgicos que são instaurados, como a narrativa fragmentada – em que tempos passados, presentes e futuros colidem – e a utilização da cena como um espaço de liberdade, sobretudo, pois a quase ausência de cenário sugere que a imaginação preencha o que com palavras e gestos sensorialmente se nota. Estabelecida essa técnica, temos um espetáculo biográfico que não se limita ao real, pois quanto mais teatro maior é sua força de apreensão das fantasias e sonhos que cercam a toda a vida humana, quanto mais a de Isadora Duncan. O diretor também foi o idealizador do espetáculo junto da atriz Melissa Vettore.

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