Show: Nana Caymmi & Wagner Tiso

“Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar” Vinicius de Moraes & Tom Jobim

Show Nana e Wagner Tiso

Dispensa-se batuta para reger Nana Caymmi e Wagner Tiso. De mãos vazias e abanando o maestro limita-se a interferir no curso das horas com o pulsante coração.

Após breve explicação sobre o tempo da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, a história vem clássica como o martírio do leão para arrancar um pedaço de carne, ebola das tumbas Beethoven e tua surdez milenar, tão absoluta quanto absurdamente, rela.

Veja mais

Show: Grupo de Choro Palácio das Artes

“Como é frágil o coração humano —
espelhado poço de pensamentos.
Tão profundo e trêmulo instrumento
de vidro, que canta
ou chora.” Sylvia Plath

Chorinho

Uma noite distante, peregrina, antepassada, que nos vem aos ouvidos como uma flor na enseada, meio bamba, leme a passar os dedos por sobre a franja do mar, que trazem, e regam, e regem, qual ondas, jardim, maestros-mastros.

Apresentando-se no Grande Teatro, o Grupo de Choro Palácio das Artes ergueu pernas de bailarinos do corpo jovem da instituição, reverenciou a Velha Guarda do Choro da cidade abaixando o tronco, e abriu os braços para a comunhão de árvores genealógicas das mais distintas.

Veja mais

Humor: Dicró

Melô da galinha

Pilantra, sem vergonha, malandro, filho de mãe de santo, o que mais pode ser? No país da cachaça, do samba e do futebol? Só poderia ser Prefeito. Mas opa, um instante, um minuto, peraí, calma, devagar com o andor que o santo é de barro, e muito bem enfeitado. Uma característica não bate, ou quase.

Defensor do povo, mas com um detalhe importantíssimo, sem demagogia, sincero, espontâneo, esbarrando nos rabos de saia das madames, claro, com todo o respeito, apreciando sempre a beleza de um bom prazer.

“Domingo de sol
Adivinha pra onde nós vamos
Aluguei um caminhão
Vou levar a família na praia de Ramos”

Veja mais

Carlos Galhardo (Cantores brasileiros)

Valsa brasileira

O sangue argentino que corria nas veias de Carlos Galhardo era sempre negado em entrevistas. Impossível não constatar a latinidade “hermana” que se entregava às grandes paixões na forma das valsas mais brasileiras. O cantor com pinta de galã foi para São Paulo ainda bebê, aos dois meses, mas foi no Rio de Janeiro que iniciou sua trajetória musical e artística, cantando e atuando em filmes.

“Os sonhos mais lindos sonhei,
De quimeras mil um castelo, ergui,
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ…”

Veja mais

Pixinguinha (Chorinho)

Carinhoso música

A doença aliada à origem africana da avó rendeu-lhe o apelido inusitado. As baixarias ouvidas em casa pelo choro do pai e dos amigos deram a ele uma flauta mágica. O ouvido desaforado fez com que se transformasse em maestro, inepto e aclamado: Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, todos foram unânimes em aplaudi-lo. As vaias vieram quando excursionou com os Oito Batutas para ver o mundo. E se tornou um brasileiríssimo arranjador influenciado pelo jazz americano e os ritmos africanos. As dificuldades financeiras, a bebida e o fumo, o presentearam com um sax. E todas essas rasteiras terrenas ajudaram a compor o gênio que transcendeu as barreiras do tempo: Carinhoso, Lamentos, Um a Zero, Rosa. Pixinguinha, música semente.

Veja mais