Maria Alcina (Cantoras brasileiras)

Cantora brasileira

É homem ou mulher? A voz que range feito porta em noite assombrada, as penas esvoaçantes qual quadril de fêmea em orgia enluarada. Como anjos, artistas não têm sexo, portanto Alcina é Maria, chame do que quiser, contanto que clame aos ouvidos a soberba presença daquela criatura extravagante, imponente e deliciosa.

Mineira, de Cataguases, implodiu o Maracanãzinho ao apresentar à platéia toda virilidade e força do ‘Fio Maravilha’, peça de Jorge Ben encourada com entusiasmo ímpar. Nunca abnegou as raízes, cruzes, carregou consigo no peito a madre Carmen Miranda, portuguesa de nascimento, brasileira no coração, assim como emprestou a potência às esquecidas cantoras do rádio: Marlene, Emilinha, Aracy de Almeida, Bando da Lua, revoltas em todas as verves, condensadas.

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Artes Plásticas: Gol de placa

“Para Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.” Armando Nogueira

Futebol Cruzeiro

O olho inchado antevê a jogada. Não como antevê o hábil bailarino que distribui elásticos. O jogo truncado é resolvido no ato. Não como resolve o distribuidor de canetas. Como num ricocheteio a perna esquerda alcança a bola, que rodando encontra o fundo das redes.

O grito da arquibancada funde-se ao grito ensandecido de um corpo entroncado, coberto por longas tranças capilares que soltas ao sabor do vento alardeiam o combate do homem com a arte.

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Bob Dylan (Cantores internacionais)

Cantores internacionais

Não, não me atrevo a dizer conhecer Bob Dylan. Mas também quem será, nem o mais arguto detetive parecerá (nos termos de parecer) o contrário. E a essa altura das pedras que rolam (aqui está meu jogo de palavras) uma pesquisa surgiria inócua. Portanto abstenho-me, levo e trago apenas os bolsos furados, cheios de canções surradas do folk, livre-me.

Que este não é o seu nome, não, não é o seu nome, sonâmbula dica na porta da geladeira às 4h da manhã, em busca do que? Robert Allen (uma coincidência com o poeta beat americano) Zimmerman, nascido no Minnesota, neto de imigrantes judeus russos, ou apenas um garoto.

“The answer, my friend
Is blowin’ in the wind
The answer
Is blowin’ in the wind”

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Show: Alceu Valença & Orquestra Ouro Preto

Músico pernambucano une as influências à mineralidade do erudito

Show com Orquestra

Alceu Valença é o artista tipicamente, genuinamente, nativamente brasileiro, um popular. Por isso a apresentação sua acompanhado da Orquestra Ouro Preto é desastre aéreo, explosão culpada de comoção, transformação e sentimento pela perda de algo tão precioso que volta (à origem).

O sino da capela inicia o ritual da noite, ainda faltando presença do mestre de cerimônia, sendo a regência entregue aos trabalhos do maestro Rodrigo Toffolo, empunhado de vestimenta e musicalidade adequadas. Frevos, batuques, badulaques, pérolas esquecidas o nome, por esse vão, reles manuscrito póstumo.

“A bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vem chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o sol parando nossas roupas no varal”

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Teatro: O Libertino

Cássio Scapin destaca-se em peça dirigida por Jô Soares

Cássio Scapin

Chegar até o destino é um problema. Afinal, a filosofia oferece muito mais perguntas do que soluções. Essa é a função atroz reverenciada pelo humor de Jô Soares e seus dirigidos no espetáculo ‘O Libertino’, apresentado no teatro SesiMinas no último domingo.

Romance do dramaturgo francês Éric-Emmanuel Schmitt, a peça recebe contornos que aproximam o espectador brasileiro de uma realidade de época, fator por vezes aplaudido, mas que no meu julgo perde um pouco do charme da apresentação, tão bem disposto em roupas (ou na falta delas, no caso do ator principal Cássio Scapin) e cenário.

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