Show: Geraldo Azevedo (Salve São Francisco)

“A tragédia é o estado natural do homem.” Lúcio Cardoso

Show de Geraldo Azevedo

Geraldo Azevedo tenta debater-se contra as águas lamacentas, poluídas, sujas, dum outrora paradisíaco e transbordante em peixes, rio São Francisco. A luta não é vã, lega-nos clássicos, daqui um tempo estimados com a devida consequência, afora os que já o são, peças de Luiz Gonzaga, principalmente.

Por hora, o povo impacienta-se, irritado, irascível, pede os mesmos momentos, velhos costumes, manias. Não é culpa de Geraldo Azevedo que se acostume o público a tão belas canções que estes só queiram ouvi-las. A conta cabe à plateia, pouco atrevida, preguiçosa, recusa-se a apreciar o inédito.

Veja mais

Entrevista: Edson Cordeiro + Toninho Horta

“Mas acima de tudo atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia, por estranha ironia
Tua sede matou” Herivelto Martins

show Herivelto Martins

“Até para lavar a roupa suja, trazia beleza”, detém-se Edson Cordeiro, que entre uma pausa e outra, completa: “Dos momentos mais delicados da vida ele tirou poesia”. O retratado por essas palavras é Herivelto Martins, compositor homenageado na noite desta terça-feira, às 20h, no projeto Compositores.BR que acontece no Sesc Palladium.

Autor de inúmeros sucessos como “Ave Maria no Morro”, “Praça Onze”, “Cabelos brancos”, “A Bahia Te Espera”, “Bom Dia” e “Segredos”, todos presentes no roteiro da apresentação, o compositor, que viveu atribulado romance com a cantora Dalva de Oliveira na década de 50 – e esteve à frente do Trio de Ouro em várias formações diferentes – tem o centenário de nascimento celebrado este ano.

Veja mais

Cássia Eller (Cantoras brasileiras)

“Lady of silences
Calm and distressed
Torn and most whole
Rose of memory.” T. S. Eliot

Relicário música

Cássia Eller tinha 19 anos quando compôs “Flor do Sol”, parceria com Simone Saback. Mas só agora, na data alusiva aos 50 anos de nascimento da cantora (morta em 2001, aos 39, em circunstâncias pouco esclarecedoras), a canção vem à tona.

A inédita música pode ser ouvida no iTunes da gravadora Universal Music. Gravada em Brasília pela própria Cássia, residente na capital à época, foi finalizada, este ano, em estúdio, com a participação de músicos associados ao universo da intérprete.

Veja mais

Artes Plásticas: Ronaldo Fraga

“um súbito murmúrio numa rajada de vento, um som de trombetas distantes, um suspiro, como o farfalhar de um grande roupão de seda” F. Scott Fitzgerald

Caderno de Roupas, Memórias e Croquis

O amarelo manga cai na cabeça antes que possamos conferir a maçã, esférica e lilás, a comprovar a lei da Física. Gravidade em Ronaldo Fraga, nenhuma. É um perfeito Salvador Dalí, a olhar-se no espelho e pentear os bigodes felinos enquanto prega poses de Andy Warhol.

Mesmo quando toca em assuntos sérios, dramáticos e abjetos, relacionando-se ao ridículo da banalidade humana, Ronaldo foca o laço na língua da cobra, seja de Guimarães Rosa, Cazuza cantando Lupicínio Rodrigues ou Fernanda Takai imitando Nara, o furacão rosa.

Veja mais

Entrevista: Rodrigo Faour

“Tem amor de raça e amor vira-lata
Amor com champanhe, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos de praça (…)
Mas não interessa, o negócio é amar!” Dolores Duran

Autor da biografia de Dolores Duran

“Um prodígio, um gênio, dessas personalidades difíceis de explicar”. Essas adjetivações são usadas com recorrência por Rodrigo Faour, autor da biografia de Dolores Duran (A noite e as canções de uma mulher fascinante; editora Record; 558 páginas; R$49,90), para salientá-la, e acrescenta: “Ela tinha um bom gosto impressionante, detestava cafonices”.

Esse bom gosto pode ser atestado através das parcerias que a cantora e compositora, morta aos 29 anos em virtude de uma parada cardíaca, empreendeu ao longo da carreira. Rodrigo destaca com propriedade (produziu em 2010 caixa com todos os álbuns de carreira da intérprete), as uniões musicais com Tom Jobim, Carlos Lyra e Billy Blanco, que foi também namorado de Dolores.

Veja mais