Artes Plásticas: Caravaggio

“Pois o homem se enclausurou a tal ponto que apenas consegue enxergar através das estreitas frestas de sua gruta.” William Blake

Michelangelo Merisi da Caravaggio

Uma luz de lampião. Invento cela e mirra. Incenso, vela e granizo. Esganiço o grunhido a gancho. Um rosto atávico remissivo. Enfronhado num enfadonho decompor de caules. E o dedo podre, e os olhos hirtos, e o pelo branco, e a face atônita, e o tronco cheio de indelicadezas delicadas vive.

Tudo há vida, terno habita, tenso levita, cosmos transita, Eros suscita em Caravaggio. Do homem preso, ignorado. Do beiço lepra, resignado. O selo ordenha o maltrapilho, deus maltratado. Que mistérios tem o rinoceronte? De chifres e porte não lhe servem senão aos montes celestiais.

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Cinema: Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha

“Quero rasgos de lirismo tão incoerentes no meio da lama que cheguem a soar absurdos, com momentos de loucura.” Caio Fernando Abreu

Na luz vermelha cometem-se crimes no Brasil a torto e direito. Jornais cinzas e amassados repercutem os fatos em calhamaços pouco gastos. Locuções empostadas ecoam nas rádios azuis recompondo a gravidade do sangue coagulado. Ah mas por Arrigo Barnabé vocês não esperavam…

O tempo antigo da trama é soberba duma diretriz pensada para homenagear o pai da criança. Toma, o filho é teu, Rogério. Helena Ignez dirige o conversível com aliança de prata e revólver de borracha. Turva qual uma lacraia, alimenta-se dos ratos desesperados na fuga da sarjeta.

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Show: Lobão (Elétrico)

“Ás vezes é melhor sorrir, imaginar
Ás vezes é melhor não insistir, deixar rolar
E tratar as sombras com ternura, o medo com ternura e esperar…” Lobão

show Elétrico

Cercado por uma matilha, o velho lobo bem que tentou, em vão tentou proteger sua prole, mas não foi páreo para os ataques que sofreu. Mesmo munido de unhas & dentes & guitarras seriam estes justos a falhar na hora exata.

E impedir o grito seco preso na garganta é por demais violento até para o predador mais acostumado a derrubar animais de porte superior ao teu. Impossibilitado inclusive de recorrer a estratégias outras, os ferimentos lhe jogaram ao abate.

“Canos silenciosos, nervosa calmaria
Quando todo mundo pensava que ia se divertir
É bem aí, é bem aí que o pânico todo se inicia”

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Teatro: Pterodátilos

“Mas sem provocar ninguém, aceito apenas as rimas
De minha natureza estranha, sensível e sensual” Arrigo Barnabé

Teatro com Marco Nanini

Após a barba feita, um banho de água fria. Sento-me desconfortado nas cadeiras acolchoadas do pequeno teatro intitulado consciência. Nela submerjo até os meus antepassados, “Pterodátilos”, neles descubro a face oculta, cabra sacrificada do banquete servido com requinte e crueldade.

Sóbrio, sombrio, solvente, despeço-me da paz enganosa, ao sucumbir diante do vestido de Marco Nanini, uma garotinha de 15 anos, penas e planos, as primeiras de galinha, as segundas intenções de voos aterrorizantes e devastadores. É no sorriso banguela o oco do mundo casto.

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Show: Jorge Mautner (3ª Mostra de Arte Insensata)

“Haverá lógica em Baco? Em Lewis Carroll? Em Fernando Pessoa?” Rubem Alves

Maracatu Atômico

4 do Kaos, mitologia numérica, os últimos ingressos são nossos. Cera da mariposa fundamental, telha da quebra inicial, pedra da leva filosofal. Entro no “Cento e Quatro”, localizado no redemoinho do furacão de Belo Horizonte, e sou recepcionado por Edy Star, um pouco tanto, alheio, mas ainda assim me fornece a chave da poesia.

Diz-me de Jorge Mautner a trocar a blusa no camarim antes de aparecer no palco com discurso violinístico e o violino discursivo de cara e terística. Pouco permaneço na figura de carimbo vermelho e santo dragão. Vamos juntos conhecer obras artesanais dos loucos, ali estão todos.

“Eu não peço desculpa
 E nem peço perdão
 Não, não é minha culpa
 Essa minha obsessão”

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