Show: Lobão (Elétrico)

“Ás vezes é melhor sorrir, imaginar
Ás vezes é melhor não insistir, deixar rolar
E tratar as sombras com ternura, o medo com ternura e esperar…” Lobão

show Elétrico

Cercado por uma matilha, o velho lobo bem que tentou, em vão tentou proteger sua prole, mas não foi páreo para os ataques que sofreu. Mesmo munido de unhas & dentes & guitarras seriam estes justos a falhar na hora exata.

E impedir o grito seco preso na garganta é por demais violento até para o predador mais acostumado a derrubar animais de porte superior ao teu. Impossibilitado inclusive de recorrer a estratégias outras, os ferimentos lhe jogaram ao abate.

“Canos silenciosos, nervosa calmaria
Quando todo mundo pensava que ia se divertir
É bem aí, é bem aí que o pânico todo se inicia”

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Teatro: Pterodátilos

“Mas sem provocar ninguém, aceito apenas as rimas
De minha natureza estranha, sensível e sensual” Arrigo Barnabé

Teatro com Marco Nanini

Após a barba feita, um banho de água fria. Sento-me desconfortado nas cadeiras acolchoadas do pequeno teatro intitulado consciência. Nela submerjo até os meus antepassados, “Pterodátilos”, neles descubro a face oculta, cabra sacrificada do banquete servido com requinte e crueldade.

Sóbrio, sombrio, solvente, despeço-me da paz enganosa, ao sucumbir diante do vestido de Marco Nanini, uma garotinha de 15 anos, penas e planos, as primeiras de galinha, as segundas intenções de voos aterrorizantes e devastadores. É no sorriso banguela o oco do mundo casto.

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Show: Jorge Mautner (3ª Mostra de Arte Insensata)

“Haverá lógica em Baco? Em Lewis Carroll? Em Fernando Pessoa?” Rubem Alves

Maracatu Atômico

4 do Kaos, mitologia numérica, os últimos ingressos são nossos. Cera da mariposa fundamental, telha da quebra inicial, pedra da leva filosofal. Entro no “Cento e Quatro”, localizado no redemoinho do furacão de Belo Horizonte, e sou recepcionado por Edy Star, um pouco tanto, alheio, mas ainda assim me fornece a chave da poesia.

Diz-me de Jorge Mautner a trocar a blusa no camarim antes de aparecer no palco com discurso violinístico e o violino discursivo de cara e terística. Pouco permaneço na figura de carimbo vermelho e santo dragão. Vamos juntos conhecer obras artesanais dos loucos, ali estão todos.

“Eu não peço desculpa
 E nem peço perdão
 Não, não é minha culpa
 Essa minha obsessão”

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Show: Waldir Silva (Choro no palco)

“e se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.” Lya Luft

Choro no palco

Entrego-lhe Waldir Silva semanas depois. Temo aprendido a elucubrar a inutileza (inútil gentileza) do que faço. Chego sempre atrasado ao comprometimento, e por isso o que lhe disponho não deve ter a força da utilização. É por demais delicado para o tal alcance de mãos em busca da fruta no último galho, esta tecnologia ainda não involuiu à arte, as palavras, a música.

Creio brincar de gramática errada, mas o fato-leda-fantasia é a varinha de condão do meu ancião passando o macio ferro por sobre os trilhos de um telegrama musical (pombo correio trazido por Deus? Ou Zeus? Ou Hades? Reféns felizes de um gordo Baco, ou a mitologia é mesmo lama e lema.)

“Venho lhe pedir
Que alimente a mágoa a sós
Pois o meu coração achou
A ternura e a paz, sim”

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Show: Elza Soares (Simplesmente, Elza)

“Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão” Lupicínio Rodrigues

Mulata Assanhada

Tantas vezes pisara naquele ambiente, pacato, resguardado (de influências outras), vazio. Mas naquela noite ontem era diferente. Havia uma mística da mulher perigosa estar ali, desinibida, exposta aos olhares, leniente. Isso sem mencionar o estouro de caras inchadas, rostos e bochechas alargadas que ali estavam à espera dela, a esperar por ti, musa-mina, deusa-pagã, voz-sem-medo.

Eu mesmo já havia sido homenageado naquele palco, e disso guardava um secreto orgulho, secreto nem tanto, pois esperava a oportunidade exata para extraviar minha comoção insana. Refratava os piscos de luz que se punham em pirâmides frente à minha percepção. Tudo lembrança dum dia outro agora posto em pedaços, como a xícara quebrada se cola com cola, desafiando meu nariz empinado.

“Que eu voltei pra me humilhar
É, mas não faz mal
Você pode até sorrir
Perdão foi feito pra gente pedir”

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