4 músicas históricas gravadas por Simone

“Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda,
Que palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando,
Coração na boca, peito aberto, vou sangrando,
São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando…” Gonzaguinha

Cantora Simone gravou clássicos inesquecíveis da música brasileira

Baiana, natural de Salvador, nascida no dia 25 de dezembro, data em que se comemora o Natal, e jogadora de basquete profissional, inclusive convocada para a disputa de Mundial da categoria pela Seleção Brasileira, Simone trazia inúmeros adjetivos para se tornar conhecida. Porém, a cantora de nome único, sem a necessidade de sobrenome ou alcunha, uma raridade no meio, tornou-se consagrada justamente através da música. Como se não bastasse a voz, ao mesmo tempo suave e marcante, agregou como característica indissociável de suas gravações a interpretação única, positiva, temperada pela galhardia e o desbravamento inerentes à própria personalidade. Pois música, como arte, é isto: viver intensamente o que se produz, mais até do que de seu resultado. A voz de Simone pontuou, como poucas, vários de nossos momentos históricos.

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Crítica: “Transformação” expõe o coração da mulher através do corpo

“Fascinado pelo contraste entre a porcelana, tão vívida e alerta, e o vidro, tão contemplativo e calado, ele se perguntou, pasmo e perplexo, como os dois tinham vindo a existir no mesmo mundo, para plantar-se, além do mais, no mesmo cômodo, na mesma estreita faixa de mármore. Mas a pergunta permaneceu sem resposta.” Virginia Woolf

Transformação é a segunda exposição de Raquel Albernaz

Segunda exposição de Raquel Albernáz, “Transformação” propõe início, meio e fim e, ao mesmo tempo, possui trajetória circular como os corpos das mulheres esculpidas em bronze e mármore. A primeira característica guarda-se nos textos que acompanham as obras e que, longe da tradição explicativa, trazem para o espectador justamente o complemento da poética instaurada. São frases de reflexão, existencialistas e, para além de afirmar, revogam a dúvida em favor da contemplação e da sabedoria inerente ao curso inefável da existência. Daí que as curvilíneas mulheres apontam para o movimento externo sempre calcado numa ebulição – por mais que serena – interior. Têm alma as personagens de Raquel Albernáz, que com o corpo seduzem para dentro de si.

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Entrevista: Ana Cecília Costa cria mundos com sua arte

“Uma mulher que ama poderá desejar muito ser mãe, porém, o desejo apenas, embora profundo e intenso, não é suficiente. Entretanto, um dia ela se tornará mãe, sem, contudo, ter-se apercebido do momento em que isso se deu. O mesmo acontece com o artista: vivendo, ele reúne em si um sem-número de germes de vida e nunca poderá afirmar ‘como’ e ‘por que’, num determinado momento, um desses germes vitais penetrou a sua fantasia para tornar-se, também ele, uma criatura viva, no plano da vida superior, acima da volúvel existência de todos os dias.” Luigi Pirandello

Atriz Ana Cecília Costa é protagonista da peça "A Língua em Pedaços"

Ana Cecília Costa não nasceu ontem, mas também não se atrela ao tempo para determinar os próximos passos. Com ganas e energia de quem está sempre começando, ela segue em cartaz com o projeto “A Língua em Pedaços”, do qual foi mentora e onde interpreta a protagonista Santa Teresa D’Ávila, que tem partes de sua vida contadas no espetáculo dirigido por Elias Andreato com texto de Juan Mayorca e atuação de Joca Andreazza. “Esse é um espetáculo que desejo levar por muito tempo, porque Teresa D’Ávila é uma personagem inesgotável, atemporal, me faz muito bem interpretá-la, e percebo que também faz bem ao público ouvi-la. Temos tido uma recepção maravilhosa por onde passamos. Possivelmente, voltaremos com a peça em São Paulo ano que vem no Mosteiro de São Bento”, anseia. Mas não para por aí, ao contrário.

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Varanda Aberta – Epifania sonora

“… cênicas nuvens com a lua cravada
num fundo azul pedras
cortadas por uivos
de um vento bravo.” Deh Mussulini

Cantora Deh Mussulini lança o disco Varanda Aberta

Deh Mussulini, “fazer música que não se desvincule do feminino/feminismo e da espiritualidade. Meu desejo: pudera minha música curar as dores da alma.”

Ouvir Varanda Aberta é sermos tomados de assalto como em vigília do sono: melodias que silenciam e ecoam num espaço etéreo de sensações, refazenda de memórias.

A mata sonora quer dançar/ utê utê  utê utê andaiaia/ furar o chão igual tatu, todo em terra mergulhar/ topar subir num jatobá e ver o céu se aproximar/

Cada processo criativo desnuda-se de formas sutis e inusitadas na feitura do disco, Deh Mussulini nos diz: um apanhado de músicas que fiz sobre o universo feminino num viés mais existencial: o filho no ventre, campos santos de Dona Música, a paixão e o envelhecimento em Fé Menina.

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A Farra do Amor na cidade dos ratos

“Quando cheguei aqui o que havia estava no fim
e o que estava por vir andava disperso pelo sonho de alguns.
Mas a maioria vivia o seu dia-a-dia
e todos contentes por serem todos assim.
Eles não davam pelo fim
quanto mais pelo que já assomava mais além
– isto que já começava nos sonhos de alguém.” Almada Negreiros

Célebre pintura "Banhistas", de Georges Seurat

Dispensa o falar macio e exala rudeza rústica ruminando o pasto da vida agrária agradecida. Reles e mera, capataz, protagonista, do Teatro sem cortina: exibe o ventre, as nádegas, os seios, escapolem vergonhas da época da condessa húngara e de Lucrécia Bórgia. Não tem pudor essa tal violência: que esconde os corpos das vítimas. Do tráfico de sonhos: e do consequente consumo inconsequente. Da água purificada por menstruações e da pobreza a escandir a costela, o osso palita os dentes. Um homem, apenas. Veste camisa xadrez, abotoada, e o cigarro de palha na boca: amarela. Mas as palavras, mesmo desamparadas, desnutridas: acabam-se correlatas: e não explicam.

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