Roberto Carlos – Esse Cara Sou Eu & Furdúncio

“Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.” Manuel Bandeira

Esse Cara Sou Eu

Roberto Carlos, Rei das românticas e da Jovem Guarda, volta a compor músicas novas. Espere aí, devagar com o andor que o santo é, esbarro… Talvez o plural dispense a realidade.

Novas? Sim, do ponto de vista conceitual, as músicas são novas, pois embaladas por ineditismo de palavras naquelas circunstâncias, título e notas. Mas se prestarmos atenção ao essencial, a estrutura é exatamente a mesma de repetíveis primaveras a cantada do Rei em “Esse Cara Sou Eu”, divulgada em larga escala através de “Salve, Jorge”, novela das nove da Rede Globo com autoria de Glória Perez.

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Teatro: Suellen Ogando

“Declina o sol,
Levita a d’alva;
Silentes os pássaros
Nos ninhos,
Busco o meu.
E a lua em flor
No alto zênite,
Se assenta
E sorri na noite.” William Blake

Suellen Ogando, talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome, admito o desconhecimento, afinal evidências nem sempre associam fielmente a balança. É que o teatro, e o de Belo Horizonte, não é contemplado com tantos olhos quanto os para os televisores.

Sem afeição de caso ou demérito contrário, todos buscam lugar ao sol, e a peneira é grande, gorda, rechonchuda, quase nunca justa. Porque os que estão no alto, vítimas dos aplausos, não lhes tiro os elogios nem lego culpa. Apenas quero falar de Suellen Ogando.

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Entrevista: Otto

“O que se percebe não é nada, comparado com o que se imagina” Bachelard

The Moon 1111

Embora o homem tenha pisado na lua há mais de 40 anos, o acontecimento ainda é visto como futurista. As praças do planeta Terra se preparem. Elas serão invadidas pelo som alucinante e maciço do cantor, compositor e percussionista Otto no dia 11 deste mês.

Exatamente três anos se passaram desde que o filho de Pernambuco, “natural do Agreste, em Belo Jardim”, como ele mesmo diz, acordou de sonhos intranquilos (‘Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos’, álbum lançado em 2009) ocultos na lente do escritor austro-húngaro Franz Kafka para emergir a bordo duma temperatura capaz de queimar livros, a Fahrenheit 451, “em direção ao futuro”, afirma.

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Carmélia Alves (Cantoras brasileiras)

“Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida.
Um som d’água ou de bronze e uma sombra que passa…” Eugénio de Castro

Rainha do Baião

Por ser carioca, Carmélia Alves, uma menina criada em Petrópolis, no interior do estado, apareceu para os holofotes da Rádio Nacional, a mais famosa da década de 40, onde conseguira contrato, cantando sambas e imitando Carmen Miranda.

Sinceramente, o sucesso foi escasso. Não que o repertório fosse fraco, nem que Carmélia Alves não possuísse traquejo, talento, faro. Bem, talvez desse último pudéssemos considerá-lo, em parte.

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Opereta: A Viúva Alegre

“Jamais deves buscar a coisa em si, a qual depende tão somente dos espelhos. A coisa em si, nunca: a coisa em ti.” Mario Quintana

Opereta Franz Lehár

A dúvida se impõe logo de cara: “A Viúva Alegre”, direção geral de Jorge Takla e musical de Silvio Viegas, é ópera ou teatro? O dever dos definidores já nos favoreceu e impediu o prosseguimento dessas perguntas insossas.

Trata-se de uma “opereta”, misto de apresentação onde estão reunidas as matizes de um e outro, pois os atores se dividem entre o canto e a dramaturgia, e a língua encenada pode ser a nativa. Além disso vislumbra-se os figurinos de Fabio Namatame e a cenografia de Paulo Corrêa, curvilíneas e ordeiras.

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