Miltinho (Samba)

“emergem pela primeira vez no mundo das ondulações duras da água esculpida com o cuidado fotográfico da instantaneidade, até então desconhecido.” Salvador Dalí

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Miltinho é a voz do poema das mãos, da lágrima, da menina moça e da mulher de trinta. A voz que conta as estrelas do céu, as fases da lua e as gotas de água do mar. Na voz de Miltinho, o mundo ganha novas medidas, deixando um cheiro de saudade a cada instante.

“Nas minhas mãos a despedida
Nas tuas mãos a minha vida”

Miltinho divide os sambas com a destreza de quem esculpe uma pedra. Sambando com elegância por entre as notas. Juntando corações numa única batida de frases.

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Literatura: O Boi No Telhado

“La frivolité est la plus Jolie réponse à l’angoisse.” Jean Cocteau

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A música brasileira já era internacional antes de Carmen Miranda e mais ainda da bossa nova. Darius Milhaud, principal personagem do livro organizado por Manoel Aranha Corrêa do Lago (“O Boi No Telhado”, Instituto Moreira Salles, 2012, 304 páginas, R$60), foi um compositor francês que desembarcou no Rio de Janeiro em 1917, plena I Guerra Mundial, aos 25 anos, e ao se assombrar com a diversidade musical do país, de Chiquinha Gonzaga a Ernesto Nazareth, criou, com partituras, honrarias e homenagens.

“O Boi No Telhado”, canção que absorveu o nome de outro título do compositor tupiniquim Zé Boiadeiro, abre a janela do passado para debater, em seis ensaios, assinados por diferentes autores, os aspectos harmônicos, melódicos e conceituais de obra que, a partir do processo de colagem, cita os compositores primeiros do cancioneiro nacional, que se encarregaram de dar cara nova à música brasileira e foram, aos poucos, tornando-se independentes em relação à influência da polca, do maxixe e do tango, como Catulo da Paixão Cearense, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Marcelo Tupinambá, Alberto Nepomuceno e outros nove músicos.

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Entrevista: Leny Andrade

“iluminada por luzes roxas dispostas nos cantos, ofuscava os olhos com uma brancura que só podia ser comparada consigo mesma, algo que ultrapassava o desejo e o sonho humanos.” F. Scott Fitzgerald

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Ela se intitula “queridinha dos músicos”. Não por acaso. Como faz questão de ressaltar, além de cantora profissional é formada em piano clássico. Leny Andrade chega aos 70 anos de idade no dia 25 deste mês, com a força e o vigor de quem está só começando. E uma agenda de colocar inveja em qualquer iniciante. Nova York, nos Estados Unidos, Trancoso, na Bahia, e Rio de Janeiro estão no roteiro.

O primeiro voo é para a cidade americana. De 13 a 17 de fevereiro, a intérprete se apresentará no palco do Dizzy’s Club Coca-Cola, acompanhada do “Nilson Matta’s Black Orpheus”, formado por Nilson Matta (baixo), Steve Wilson (saxofone), Klaus Mueller (piano), Alex Kautz (bateria) e Fernando Saci (percussão). O repertório é centrado na peça ‘Orfeu da Conceição’, de Vinicius de Moraes. Da lavra do ‘poetinha’, cujo centenário de nascimento é celebrado este ano, Leny destaca a “paixão por ‘Valsa de Eurídice'”.

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Entrevista: Folashade Ogunlade

“Uma gota suspensa e cintilante,
límpida e imóvel como um desafio…
Tua ausência, – é a presença triunfante
daquela gota que ficou no fio…” J. G. de Araújo Jorge

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Há um mito africano, especificamente de Máli, que conta como o mundo foi criado a partir de uma gota de leite. Após sucessivas transformações, que passam por fogo, ar, terra e água, o tédio vence a morte, e a eternidade redime a existência humana.

Talvez Folashade Ogunlade aspire, com sua arte, a uma eternidade. Mas é inegável que em seu trabalho o que importa é a “origem”, como ela faz repetir em palavras traduzidas por Olu Akinruli, representante do projeto que une Brasil e África.

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Literatura: Rubem Braga

“Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.” Rubem Braga

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Um senhor que recebe a admiração de Millôr Fernandes e o gracejo de Vinicius de Moraes merece certo respeito. A alcunha senhoril lhe cabe, afinal Rubem Braga estaria completando cem anos, de acordo com o registro de nascimento, datado de 12 de janeiro de 1913. Não bastasse o óbvio, o escritor, que sempre se utilizou do simples para dar vida ao inesgotável campo da fábula real, definia-se, desde cedo, como o “velho Braga”.

“Sou um homem sozinho, numa noite quieta, junto de folhagens úmidas, bebendo gravemente em honra de muitas pessoas”, avisou na crônica intitulada ‘Natal’. Para celebrar a efeméride, livros inéditos, relançamentos e leitura de textos na internet. A Record repõe no mercado, em março, ‘200 crônicas escolhidas’. No mesmo mês e pela mesma editora, será lançado ‘Rubem Braga – O Lavrador de Ipanema’, organizador por Leusa Araújo e Januária Alves.

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