Chiquinha Gonzaga (Chorinho)

“porque tudo é vale onde o som dói.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

compositora de "Corta-Jaca"

O piano tocava ao fundo de uma sala branca, indistinta, recatada. Não era possível saber do que se tratava, até ela adentrar o recinto. Uma mulher, feminina e ferina, pousava os dedos laicos sobre o piano.

Uma mulher, e isso era tudo, e era um absurdo, até desacato. Chiquinha Gonzaga enfrentou o piano, o pioneirismo lhe coube aos ombros, leves, bem costurados, mas que se tornaram alvo de indignação quando ela defendeu os escravos.

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Entrevista: Fernanda Takai

“Mas o antigo espelho, que vira e revira
nos seus longos anos de existência
coisas e rostos aos milhares;
mas o antigo espelho agora se alegrava
e exultava de haver mostrado sobre si
por um instante a beleza culminante.” Konstantinos Kaváfis

Fundamental com Andy Summers

As crônicas de Fernando Sabino a respeito de sua passagem pela Inglaterra renderam o livro “A Inglesa Deslumbrada”, onde o humor dá o tom periférico à ousadia do escritor.

Já a mais recente passagem do inglês Andy Summers pelo Brasil, astro da extinta banda The Police, resultou em parceria com a amapaense Fernanda Takai, residente em Belo Horizonte há tempo bastante para considerar-lhe mineira quem o quiser assim.

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Entrevista: Curumin

“O corpo não traslada, mas muito sabe; adivinha se não entende.” Guimarães Rosa

CD Arrocha

O lema dos samurais é uma flor: “hoje é um bom dia para morrer”, ou, em palavras sutis, “viver o presente sem medo”. O vermelho duma cerejeira pode facilmente confundir-se com o sangue, correndo, espesso, líquido, intransponível.

No rio onde caminha a principal foz da música Curumin passou os dedos: “Gravar uma faixa com o Herbie Hancock é algo impressionante, com certeza o mais genial com quem já toquei.”

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Entrevista: Zeca Pagodinho

“O ataque de uma borboleta agrada mais que todos os beijos de um cavalo.” Mario Quintana

Deixa a vida me levar

“Não ouço o que há de pior na música brasileira”, é com estas palavras que Zeca Pagodinho exalta o samba, o pagode, o próprio disco, mote da apresentação no Chevrolet Hall na próxima sexta-feira, 19 de outubro, encerrando a turnê de mais um festivo sucesso da carreira do compositor de Xerém.

Mas Zeca também não se fecha para o que há de novo. “Vida da minha vida” compila antigos êxitos, como a canção “Pôxa”, do pouquíssimo gravado Gilson de Souza, redescoberta por Zeca quando este ouvia a rádio Tupi, do Rio de Janeiro, a inéditas composições, entre elas homenagem ao neto de Pagodinho, intitulada “Orgulho do Vovô”, em parceria com Arlindo Cruz.

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Fela Kuti (Afrobeat)

“Podes caminhar na água?
Não fizeste mais do que uma palha
Podes voar no ar?
Não fizeste mais do que um mosquito
Conquista o TEU coração
– E pode ser que te
Tornes alguém” Abdullah Ansari

Fela Day

O homem que se casou com 27 mulheres ao mesmo tempo. O homem morto, vítima da AIDS, aos 58 anos, no longínquo 1997. Afirmações mentirosas. É o que estão dispostos a provar os seus súditos, que se reunirão no Granfinos na noite de quinta-feira para celebrar o carma e os gritos de Fela Kuti, inventor do afrobeat, de fato pantera negra, não gato, pois sete vidas seria uma quantidade insuficiente ante as dificuldades enfrentadas.

Isto porque milhares de corações, abusando do direito de proferir hipérboles, baterão como cônjuges, e ainda mais, amantes do ritmo ilimitado e político do compositor nascido num dia 15 de outubro de 1938, álibi para a proclamação do festejado “Fela Day”.

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