Entrevista: Cantadores (Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César, Elomar)

“Ouvi na viola de pastores
Bardos sonhadores que arrebanham estrelas” Elomar

Elomar não dá entrevista. Chico César, atarefado com as obrigações da secretaria de Cultura da Paraíba, está indisponível. Xangai e Saulo Laranjeira, então, tomam os préstimos de representar os ausentes e traçam as linhas e sons do que será a apresentação dos “Cantadores”, no Sesc Palladium, dia 17 de novembro, em concerto arquitetado com a direção musical do violonista e maestro João Omar de Carvalho Mello, também presente no espetáculo.

COMPROMISSO
Baiano como Elomar e ainda “com um grau de parentesco”, Xangai diz-se conhecedor da linguagem do companheiro de palco e vida, como “um habitante da Gruta de Maquiné ou Curvelo entende Guimarães Rosa“, compara.

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Leny Eversong (Cantoras brasileiras)

“E, por mais que procure até que adoeça,
Já não encontro a mola pra adaptar-me.” Fernando Pessoa [Álvaro de Campos]

cantora brasileira Leny

Na primeira quarta-feira do mês de agosto desse ano, a cantora Leny Eversong, dona de uma das mais potentes vozes que o Brasil já teve, teria completado 90 anos de idade. Leny, que nasceu Hilda Campos Soares da Silva, começou a carreira aos 12 anos, cantando no programa “A Hora Infantil”, na Rádio Clube de Santos, cidade onde nasceu.

Demonstrando desde o início seu enorme talento para interpretar foxes estrangeiros, Leny logo passou a ser chamada de Hildinha, a “Princesa do Fox”. Pouco tempo depois, ela deixaria para trás o nome em português, mas não abandonaria as canções estrangeiras, passando a se especializar também em outros ritmos, como jazz, bolero e blues. Ela, que não falava nada em inglês, anotava na mão a pronúncia das palavras e era proibida por seu empresário de dar entrevistas fora do Brasil, arriscando no máximo alguns “all right´s” e “ok´s”.

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Cazuza: Renascer em Copacabana

“A vida é bela e cruel
Despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba” Cazuza

Ao Vivo em Copacabana

Posto nas lojas em julho de 2009 o CD e DVD “Tributo a Cazuza – ao vivo na praia de Copacabana”, é o registro do show realizado em 2008, ano da celebração de 50 anos de vida do poeta caso ele não tivesse morrido em 1990, aos 32 anos.

Vários tributos pontuaram a carreira do cantor, e um dos diferenciais deste é justamente o fato de ter sido realizado na praia, dos locais preferidos e mais frequentados por Cazuza.

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Televisão: Marcos Paulo

“É terrivelmente triste que o talento dure mais do que a beleza” Oscar Wilde

Diretor de "Roque Santeiro"

Existe essa certa lenda de que ser galã atrapalha, ser galã incomoda, ser galã relega aos atores sempre os mesmos papéis. Bem da verdade, ser galã trará problemas se esta for a única qualificação do currículo.

Não era o caso de Marcos Paulo, além de bom ator, midiático, dominava os redemoinhos e entremeios das comédias românticas brasileiras, comumente denominadas novelas.

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Entrevista: Maria Alcina

“O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.” Cecília Meireles

Confete e serpetina

A verdade é que eles não sabiam se era homem ou mulher. Todos: jurados, público, entusiastas, críticos assustaram-se. Para alguns foi espanto de encantamento, outros de temor e repreensão. Há 40 anos, portanto no auge da ditadura militar que se estendeu no Brasil de 1964 a 1985. “Ser alegre contrastava com a situação do país.”

Um fio de corpo tremelicando no compasso da grave voz entoava “Fio Maravilha” – depois proibido o nome pelo próprio homenageado, transformado em “Filho Maravilha” – de Jorge Benjor, no Festival Internacional da Canção, de 1972. Gritos miseráveis escoavam das arquibancadas lotadas do estádio Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, de tanto era o descontrole que urros elogiosos poderiam facilmente confundir-se em apupos grossos. “Fui perseguida por comportamento, o país vivia uma outra situação física e emocional.”

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