Literatura: Histórias divertidas para crianças (dormirem)

“Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce.” Caio Fernando Abreu

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Essas histórias que nunca sei como começar. Encontrei três cegas na rua. Elas me reconheceram. Eu não as vi direito. Disseram terem sentido presença minha em tempos remotos, dispersos, mortos mesmo.

Perdidas, uma belisca a bunda da outra em sinal de alegria. Raiou uma luz nos olhos das três ceguinhas. Velhas, apoiando os cotovelos onde a dor sussurrou misto de saudade com lembranças amenas, começaram a perguntar covardemente.

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The Rolling Stones (Cantores internacionais)

“hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,” Allen Ginsberg

The Rolling Stones

Das piores tragédias há de erigir sobre o mundo concreto uma banda maleável. O rapazola atrevido, de cabelos desgrenhados, atende ao chamado de Mick. Jagger eriça a língua em direção a maçãs, quentes acenos labiais.

Brian, o ruivo instrumentista viciado em sensações, experimenta do sax ao trombone, guitarra ao banjo, harpa, gaita e acordeom. Mas entre elas – as fadas sensoriais – intrometem-se os duendes trapaceiros a traficarem mortíferos desejos.

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Entrevista: Saulo Laranjeira + Clara Becker + Gereba

“Luiz, respeita Januário, Luiz, respeita Januário
Luiz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luiz! Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai” Luiz Gonzaga

Saulo Laranjeira

Cem anos após o nascimento, num dia 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é celebrado com homenagens de norte a sul do país. Gereba Barreto, compositor baiano que conviveu com o mestre, afirma o incômodo que Luiz sentia com o rótulo de “forrozeiro”. “Era o sonho dele ser reconhecido também como compositor”.

O CD “Luas do Gonzaga”, lançado de forma independente pelo compositor, conta com a participação de Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Lenine e outros, e joga luz sobre esse lado menos conhecido de Gonzagão, o de compositor de valsas, choros e mazurcas. “A música de Luiz Gonzaga está no DNA do brasileiro”, opina Gereba a respeito da permanência da obra de Gonzagão.

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Show: Geraldo Azevedo (Salve São Francisco)

“A tragédia é o estado natural do homem.” Lúcio Cardoso

Show de Geraldo Azevedo

Geraldo Azevedo tenta debater-se contra as águas lamacentas, poluídas, sujas, dum outrora paradisíaco e transbordante em peixes, rio São Francisco. A luta não é vã, lega-nos clássicos, daqui um tempo estimados com a devida consequência, afora os que já o são, peças de Luiz Gonzaga, principalmente.

Por hora, o povo impacienta-se, irritado, irascível, pede os mesmos momentos, velhos costumes, manias. Não é culpa de Geraldo Azevedo que se acostume o público a tão belas canções que estes só queiram ouvi-las. A conta cabe à plateia, pouco atrevida, preguiçosa, recusa-se a apreciar o inédito.

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Entrevista: Edson Cordeiro + Toninho Horta

“Mas acima de tudo atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia, por estranha ironia
Tua sede matou” Herivelto Martins

show Herivelto Martins

“Até para lavar a roupa suja, trazia beleza”, detém-se Edson Cordeiro, que entre uma pausa e outra, completa: “Dos momentos mais delicados da vida ele tirou poesia”. O retratado por essas palavras é Herivelto Martins, compositor homenageado na noite desta terça-feira, às 20h, no projeto Compositores.BR que acontece no Sesc Palladium.

Autor de inúmeros sucessos como “Ave Maria no Morro”, “Praça Onze”, “Cabelos brancos”, “A Bahia Te Espera”, “Bom Dia” e “Segredos”, todos presentes no roteiro da apresentação, o compositor, que viveu atribulado romance com a cantora Dalva de Oliveira na década de 50 – e esteve à frente do Trio de Ouro em várias formações diferentes – tem o centenário de nascimento celebrado este ano.

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