5 músicas revolucionárias com Clementina de Jesus

“Desde então, os povos das montanhas dizem que a amizade ajuda a tornar as pessoas mais livres.” Contos Africanos

Clementina de Jesus, a rainha Quelé da música brasileira

Somente o fato de gravar o primeiro disco com mais de 60 anos de idade já foi uma revolução de Clementina de Jesus dentro da música popular brasileira, ainda mais cantando ritmos de origem africana com sua voz típica daquelas paragens. Clementina de Jesus foi uma revolucionária do cancioneiro popular sem para isto empunhar bandeiras, pulsos ou brasões, sua presença de espírito – no que o sentido alude ao sincretismo nacional – em todos os sentidos, ao cantar as memórias de seu povo escravo e impor sua figura feminina, negra e de origem humilde, determinaram novos paradigmas para a concepção que se instaurava naquele período. A influência seguiu e deve permanecer por muito tempo ainda, forte e livre, como a ladainha de nossa Rainha Quelé Clementina.

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Todas as letras do álbum “Waldir Silva em Letra & Música”

“Corria na voz do instrumento
Um gesto singular
Deus conduz e soergue da lona
O veludo das mãos”

Foto com os envolvidos no coreto da Praça da Liberdade

O projeto “Waldir Silva em Letra & Música” nasceu do desejo de ampliar o alcance da obra do instrumentista Waldir Silva, e traduzir, em palavras e versos – ou seja, letras – o que as notas instrumentais do mestre sempre disseram, além de manter viva a memória daquele que nos deixou em setembro de 2013. Para tanto, foi viabilizada a produção de CD em homenagem intitulado “Waldir Silva em Letra & Música” com a participação de nomes ligados à história afetiva e musical do cavaquinhista, além de um espetáculo de lançamento.

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O Amor do Outro

“Há coisas que só se aprende quando ninguém as ensina. E com a vida é assim. Mesmo há mais beleza em descobri-la sozinha, apesar do sofrimento.” Clarice Lispector

Salvador Dalí foi o mestre do surrealismo na pintura

Num movimento involuntário, que até então julgara incapaz, e infundado, escreve mais um acorde. Morosa vem a serpente a sibilar injúrias no teu ouvido, de marfim vêm as esculturas puxadas por pretos guindastes, pedras levadas à vida, cores levadas à tela, por Rafael: o virtuoso, o desbravador, o gênio. Ao que o artesão supera o artista, o maestro suprime toda uma orquestra e o discípulo ao redor do mestre profere palavras de esborro qual hélices desmilinguidas num liquidificador. Jorra o caldo para todos os lados, e eu, o único até o momento inconsolável, resolvo me juntar à esbórnia: danço sobre a velha mesa, rodopio os braços, caio de quatro, lambo o assoalho fedendo a cigarros e cerveja choca, dou aos ouvintes o que de mim querem: o vexame, a súplica mal feita, o ridículo.

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Análise: Ferreira Gullar foi poeta de várias faces

“Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho – o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.
Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.” Ferreira Gullar

Ferreira Gullar foi poeta, ensaísta, crítico e compositor

Antes de tornar-se clássico, Ferreira Gullar percorreu trilha em movimentos importantes da poesia brasileira. Afora rótulos sua obra, marcadamente de acento grave, caracterizou-se, do início ao fim, pela passionalidade, que o diga sua mais célebre definição do ofício: “poesia nasce do espanto”. Quando de sua mais ambiciosa proposta estilística, ao desejar “explodir com a linguagem”, o que reportou acerca de “A Luta Corporal”, ainda assim Ferreira não foi capaz de desvencilhar-se, por completo, de certa lírica, certo lirismo. Natural do Maranhão Gullar despertou ao longo da existência sentimentos díspares: foi alvo da admiração de Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto e do desprezo de Augusto de Campos e seus pares no neoconcretismo brasileiro. Nada que tenha influenciado, a rigor, o melhor de sua poesia, baseada entre as décadas de 1950 e 1980, período em que o país também mudou radicalmente.

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Um único lance de dados

Poesia é um jogo onde o perdedor ganha tudo.” Jean-Luc Godard

Pintura revela genialidade de Pablo Picasso

Exijo um honrado fim. Mas ele não vem, ele não vem, ele não vem… Somente os três pontinhos, pontilhados, como farelos de polvilho… Exijo um honrado fim. Sim, exijo. Como o Rei, exijo uma roupa nova… E me vestiram nu, e debocharam da inteligência humana… Sou o Rei… Na roupa espetaculosa… A desfilar nas folhas deste livro… Inacabado… Espero os aplausos, que me recebam de braços erguidos, flores, em trapos… Gritem, urrem, se joguem na lama… Ergam vivas e salves… Admirem-me a elegância e o fluir das linhas a costurar a roupa desse Rei pelado… Sobre as palavras desrespeitarem… Ah, sobre as palavras desrespeitarem…

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