O Futuro da Música

“Mas queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos – que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos. (…) Não devemos nos perder, somos tão poucos,” Caio Fernando Abreu

O Futuro da Música

Acho que estamos indo pelo caminho errado. Não se apresse a considerar-me reacionário e em desfavor do progresso. Só noto uma falta de conteúdo quando se discute o futuro de engrenagens e fixa-se o pensamento nas ferramentas.

Notebook, computador, monitor LCD, Led Netbook, Tablet, MP3 e outras conotações do gênero tomam as manchetes dos jornais, já impressos em telas sensitivas. E é aí que se estabelece a confusão.

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Entrevista: Marisa Monte

“e soaram no cristal dos mares
lábios azuis de outras sereias.” Cecília Meireles

O Que Você Quer Saber De Verdade

O furor provocado pela vinda da cantora Marisa Monte a Belo Horizonte pode ser percebido pela necessidade de se abrirem quatro sessões, nos dias 22, 23, 24 e 25 de novembro (todas com ingressos esgotados, esta última extra), para a apresentação da turnê “Verdade, uma ilusão” no Grande Teatro do Palácio das Artes.

A respeito do título da empreitada, a compositora admite que ele “propositadamente desmente o nome do disco (‘O Que Você Quer Saber de Verdade’), por este ser muito assertivo, resolvemos propor essa contradição, pois ela (a verdade) só existe quando não tem ninguém vendo, no íntimo. Se tiver alguém olhando, passa a ser versão” brinca.

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Ivete Sangalo (Axé)

“a música delas parecia sempre a mesma, gelatinosa, suingada, submersa.” Truman Capote

Axé Music

Ivete Sangalo, pernas grossas, voz saborosa, pique imbatível, porque não me conquistas? Ivete Sangalo, domina o ritmo, o público, a massa, move montanhas, coliseus, mares. Embaixo, embasbacados rugem ao sinal de ataque.

Rainha do Axé, assim entronada desde a abertura dos portões por Daniela Mercury, conterrânea. Bahia, terra de mar salgado, gente alegre, músculos frenéticos, libido balançante.

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Cinema: Charlie Chaplin

“Mancha de tinta ou gordura, em todo caso mancha de vida.
Passar os dedos no rosto branco… não, na superfície branca.
Certos papéis são sensíveis, certos livros nos possuem.
Mas só o homem te compreende. Acostuma-te, beija-o.” Carlos Drummond de Andrade

Luzes da Cidade

Os calcanhares encostam-se desaforados. Aquiles, o herói, os mantinha escondidos. Porque o vagabundo não teme que sejam vistos assim? Chamam a atenção dos outros. E se o homem mais forte do mundo possuía os calcanhares fracos, imaginem o desastrado, infantil, tolo e débil ladrão de quentinhas da bengala imunda.

O passo frouxo, indecoroso e hesitante não deixa mentir. É mesmo um sujeito desprezível, pobre de alma e bens materiais. Pertence aos mendigos, vem do colo dos famintos, divide a trouxa e a cama com cachorros de rua. Não há um sorriso, um resquício de felicidade no rosto de lua atabalhoada, lua sem iluminação, nem minguante, minguada.

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